domingo, 5 de julho de 2009

O trânsito, 2ª parte

Bom, como está a chover lá fora (são agora 18h28, hora local), está tudo à volta da selecção de fotografias para comentar a seguir ao jantar. E não julguem que é fácil! Experimentem lá tirar umas 200 ou 400 fotografias num dia, e depois seleccionar 20. Mas 20 que correspondem a dois dias!... Tarefa bem ingrata. Bem mais difícil do que tirar as fotografias em si.

Mas como estava a dizer, enquanto passo as imagens para o disco, vou escrevendo. E então voltemos ao tráfego. E desculpem lá a mensagem anterior. Agora que a fui reler, quase me deu vontade de a apagar. Provavelmente, a esta hora, devem estar a pensar que a minha rede de neurónios está em sintonia com o caos - aparente - do trânsito local... Mas como já o escrevi, não me apetece apagá-lo. Por isso quem tiver paciência, que o leia. De qualquer modo este - ou por este andar o próximo relato - será o suficiente para terem uma noção do sistema de trânsito local.

E pronto, parece que vai mesmo ter de ser no próximo relato, tenho de voltar às fotos... Mas eu já regresso. Até já!

sábado, 4 de julho de 2009

No Vietnam

Partida a 1 de Julho, de Lisboa, chegada a 2 de Julho, a Ho Chi Minh, a antiga Saigão, nome pelo qual ainda hoje em dia é conhecida.

O regresso previsto será no dia 12, com chegada a Lisboa no dia 13. Acho que está a ficar demasiado próximo!

Já devia ter começado a escrever, mas para quem me conhece, isto também não é nenhuma novidade, não é verdade?

Depois de cá ter chegado no dia 2, 5º-feira, de repente apercebo-me que já é Domingo. Bom, são apenas duas da manhã, mas não deixa de ser Domingo! Por momentos tive mesmo de ir confirmar o calendário, para garantir que não era erro do computador...

Mas e que tal se fossemos ao que interessa? A verdade é que não sei bem por onde começar. Suponho que pelo princípio, o que até acaba por ir levar a um assunto que é particularmente interessante e curioso. Pelo menos para mim!

Ah! E um aviso!, antes de começar. Isto está a ser escrito às duas da matina ok?!?, e vai tudo de seguida! Porque já estou para escrever há dias. E porque já vos tinha dito que ia escrever hoje, ok? E a questão das fotos ainda vai ser outro berbicacho, porque ainda tenho de escolher algumas... Ai ai... Estou a ver a linda noitada que me espera... Por isso, perdoem lá qualquer coisita no texto, ok? Que eu hoje não consigo rever o texto. Acho.

Então e qual o tema de início, perguntam vocês, já fartos de tanta conversa fiada. E fazem muito bem. Se não apertam comigo, eu mesmo não vou conseguir escrever o que queria escrever, porque me perco em deambulações idiótico-o-que-vocês-quiserem-acrescentar-aqui-que-acabe-em-ês-por-exemplo...

Ok, já chega. Estou só com vontade de vos chatear um pouco mais. Antes de escrever a sério. Ok? Eu sei que sabem. Para bom entendedor meia palavra basta. E eu sei que vocês são bons entendedores. Vamos lá ao texto (para os que aguentaram até aqui! hehehe).

Pois o tema surgiu por acaso, inicialmente, e depois acabou por se infiltrar no nosso dia-a-dia. Trata-se, tcha-tcham!, do trânsito nas estradas vietnamitas.

E surgiu por acaso porque, quando estávamos em aproximação à pista de Ho Chi Minh, por volta das 14h15 horas locais (mais 7 horas do que em Lisboa, para o caso de poder ser útil sabê-lo), como dizia, quando estávamos em aproximação à pista, reparei em duas coisas: a primeira foi a organização espacial das áreas urbanas, e o colorido das fachadas; a segunda foi o número de aceleras na estrada. Do que vi de lá de cima, fiquei com a nítida impressão de que estas correspondiam a, pelo menos, uns 85 a 90% do tráfego nas estradas. Claro que uma presença tão forte de veículos de duas rodas não podia passar despercebida. Foi talvez mesmo a coisa que mais me chamou a atenção. E pronto. Esta foi a origem deste tema.

Antes de entrar na carrinha do hotel que me foi buscar ao aeroporto, e de mergulhar no trânsito local, podia falar-vos do episódio do primeiro câmbio que fiz, ainda no aeroporto. Mas esta história de como fiquei a ganhar dinheiro só porque no balcão de câmbios não tinham notas das pequenas fica para outra altura, ok? Por agora vamos cingir-nos ao tráfego (gostaram?, gostaram desta técnica de manter o interesse para os próximos episódios?).

Então entrámos na carrinha. Eu e os dois rapazes que me foram buscar, com um poster a dizer Luís (por acaso acho que era mesmo só Luís, sem o Pinto à frente). Ar-condicionado ligado. Claro. Porque com um mínimo de 32 graus que deviam estar lá fora, anda tudo com o ar-condicionado ligado. Pagámos o parque. Saímos do parque. E começam as aceleras a aparecer de todos os lados. Sabem aquelas pragas de baratas, em que parece que elas surgem de todos os lados, e vão em todas as direcções, por vezes até passando umas por cima das outras, em trânsito contínuo e ininterrupto? (acabei de ‘fazer’ um pleonasmo, não foi?... mas aqui faz mesmo sentido, porque reforça a noção daquilo que realmente acontece!). Pois era mais ou menos – mais mesmo para o mais – que ... bolas!, estas repetições dão cabo de mim... era mesmo isso que se podia ver. Excepto a parte de passarem de vez em quando umas por cima das outras, claro!!! Ou talvez não tão claro. Porque, num primeiro impacto, ficamos sem perceber como não se vêm ambulâncias em todos os cantos e esquinas. Mas eu já vos dou uma noção mais acertada do trânsito local.

É interessante verificar que, efectivamente, o tráfego é constituído, na sua grande maioria, por veículos de duas rodas. Sobretudo motorizados (para quem é bom entendedor, julgo que não tenho de explicar que são muito mais motorizadas do que bicicletas, certo?...). Pelo menos os tais 90% de veículos a circular na cidade de Ho Chi Minh são motorizadas, algumas bicicletas, alguns triciclos-táxis, triciclos-transportes e afins, afins esses que incluem alguns veículos que parecem ter apenas duas rodas, mas cuja forma se encontra parcial ou totalmente escondida pela carga transportada pelo seu dono ou condutor. Mas até aqui nada de novo, certo? Afinal, vocês são pessoas informadas, que já receberam seguramente, pelo menos uma vez na vida, daqueles magníficos ficheiros PowerPoint, com imagens de bicicletas e motorizadas, cobertas de gaiolas de galinhas, ou de porcos, ou outras matérias primas – ou secundárias, imagens essas tão tipicamente asiáticas. Mas há mais coisas para além do que a vista alcança.

Eu, que sou um gajo atento... ok, desculpem o exagero. Deixa lá reformular. Hummm... eu, que sou um tipo que de vez em quando até consegue, por acaso, e com alguma fortuna (hum... sabendo que fortuna também pode ser sorte, este é mais um pleonasmo... mas que também aqui reforça uma verdade, ok?), e como estava a dizer, eu que até consigo estar atento a algumas coisas, posso dizer-vos o seguinte: por trás do aparente caos e horror do trânsito vietnamita, está o sistema de auto-gestão, com ‘computação’ híbrida, partilhada por milhares de centros biodinâmicos de cálculo e avaliação de risco, mais perfeito que já conheci. Disse milhares, mas talvez possa mesmo dizer milhões. Porque, se só Ho Chi Minh tem 7 milhões de habitantes, e quase todos eles andam de motociclos, o sistema tem de ser dessa ordem de grandeza!

E como cheguei eu a essa conclusão? Por simples observação, claro! Porque embora a cada milésimo de segundo que passamos na estrada pareça que vamos levar alguém mais pequeno pela frente, ou que alguém maior do que nós nos vai levar à frente dele, caso este que é, pelo menos para mim, muito mais assustador e aterrador que o primeiro... ok, acabou o serviço de detecção de pleonasmos! Agora estão vocês encarregues disso. E já sabem para que é que servem, estamos NÓS devidamente entendidos? (repararam na subtil nota que alerta para mais um PN?).

Bom, mas dizia eu que, embora a morte nos esteja constantemente a bater à porta, para logo a seguir se esconder atrás de outro condutor que parece não conhecer a forma como o mundo dito civilizado conduz, embora isso aconteça, a verdade é que consegui chegar ao hotel são e salvo. Acho que só o cansaço e o torpor – talvez estupidor seja o termo mais adequado... – talvez só eles me tenham feito sofrer um pouco menos com esta tão grande diferença no modo de estar na estrada.

E entretanto já se passaram dois dias. Ou três. Façam vocês as contas, que a esta hora eu já nem quero saber (sim, por acaso até já são 03h36...). Mas o que importa é que estes dias que passaram, me permitiram ver que realmente, no meio do caos, há uma organização especial.
Claro que há episódios caricatos. Pelo menos enquanto não abandonamos a nossa forma tão ... ‘quadrada’? por vezes, de ver a vida e as coisas que giram à nossa volta! Mas há episódios que não deixam de ter a sua piada, mesmo quando decidimos aceitar as diferenças. E são essas diferenças que acabam por nos tornar a vida mais rica em experiências!

Mas o resto do relato fica para amanhã, que hoje já não dou mais... a sério.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Gente que nos acorda!

De vez em quando, temos a sorte de alguém que nos é próximo, mas com quem não temos o contacto que gostaríamos, nos brindar com algo especial, que nos surpreende sem ser verdadeiramente uma surpresa, que nos ajuda a manter uma certa dose de humildade, e que nos faz sentir, apesar de tudo, especiais, no sentido de nos sentirmos privilegiados, precisamente por termos essas pessoas na nossa vida.

É o caso da Joana e da Margarida (mais duas primas do rol de primas - e primos! - fantásticos que tenho) que me mostraram que devemos ser menos 'adultos', que é o mesmo que dizer que devemos manter a nossa criança à solta, deixá-la expressar-se. Ou mais adultos. Mas adultos diferentes. Adultos mais conscientes, mais plenos, sem medo de nos mostrarmos. Porque o que vejo mais é um ser-se adulto que funciona na prática como uma prisão de nós mesmos. Com medo de tudo, vamos fechando portas e janelas. Deixamos de acreditar. É bom acordar com a ajuda de tantas pessoas especiais!

Obrigado primas e primos!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A minha mini-micro-nano Epopeia (9)

Oitavo e último dia, 6 de Dezembro, Sábado
Pequeno-almoço cedo, e saída às 8h00. Auto-estrada em direcção a Tanger. Embora já o tivesse visto no dia de chegada, é interessante constatar a afinidade que os marroquinos têm com a auto-estrada. Muita gente a andar a pé nas bermas. Pessoal a atravessar as faixas. Alguns com ovelhas ao colo. Sim, ovelhas, leram bem. Um carro parado no separador central, virado em sentido contrário. E não era da polícia. Deixa lá ver mais... Ah! E a melhor de todas! As áreas de serviço são concessionadas como aqui. Mas a concessão é separada para cada lado. O que faz com que possam ter uma bomba da BP de um lado e outra da Afrique (?) no outro. Ou então... uma bomba que nunca foi acabada, com aspecto de estar ali há alguns anos, e apenas uma bomba do outro lado... e um claro caminho a atravessar o separador central, com carros a passarem para a área de serviço do outro lado. Bom, foi lindo! Mas a verdade é que não vi nunca nenhum acidente na estrada. Apenas o tal despiste! Alguma coisa deve funcionar. E não é só a presença da polícia na estrada com os radares.

Chegada a Tanger depois de uma viagem sem história. Consegui atravessar a cidade direitinho e encontrar o caminho até ao Porto. Trânsito como nunca tinha apanhado! Cheguei lá pelas 12 horas. Lá voltei à tragédia da alfândega. É triste começar e acabar uma viagem tão gira com uma coisa tão degradante como esta, mas pronto... Cinco Euros para o primeiro gajo que me preencheu os papéis. Queria mais, mas disse-lhe que não tinha, e guardei os dez euros que me restavam... para o gajo que me levou o passaporte e a guia do carro. Depois ele queria mais. Mas lá o convenci que não tinha mesmo mais nada. O que era verdade, que nem uma porcaria de uma água pude comprar no barco!!!! Depois passou a inspecção do pessoal das drogas. Essa foi a parte mas delicada... de repente fiquei nervoso. Epá, o carro esteve parado um dia inteiro no deserto, será que alguém lhe mexeu?... mas não acusou nada! Ufa!! Embarquei num dos ferries rápidos. E uma hora depois de entrar em Tanger, o barco estava no mar! Quando dei por mim, cheguei a Espanha às 2 e 30 da tarde... Bolas!, isto estava a correr mais rápido do que esperava. Eu contava chegar ao final do dia, dormir em Algeciras e arrancar no Domingo de manhã para Lisboa. Mas a essa hora, fiz as contas e decidi ir mesmo ficar a Lisboa!

Depois de atravessar Espanha sem dinheiro nenhum no bolso - achava eu que havia de encontrar multibancos nas áreas de serviço espanholas - lá entrei no Algarve. Como entretanto não consegui marcar um jantar que queria marcar para essa mesma noite, em Lisboa, acabei por decidir continuar viagem até Aveiro. Ainda tive de parar para descansar uma horita numa área de serviço e finalmente lá cheguei a casa, pela 1h30. O dia seguinte foi de ressaca, pela viagem de regresso. Mas estava contente por ter feito a viagem toda!

A minha mini-micro-nano Epopeia (8)

Sétimo dia, 5 de Dezembro, 6ª-feira
Combinámos encontrar-mo-nos às 8h30 para um pequeno-almoço. Eu acabo por dormir mal e levanto-me mais cedo. Como ainda são 8 horas, penso que antes de ele chegar, posso ir levantar dinheiro para lhe pagar. Claro que ele já lá está à minha espera. Então, não tínhamos combinado às 8h30? Não, era às 8h00. Ok, tudo bem. Só vou tomar um café e já vamos. Está bem, então enquanto tomas café eu vou levantar dinheiro para te pagar. Ah, então vou contigo. Mas não queres tomar o café? Não, não é preciso. Pronto. Já percebi. Tás com medo que eu me pisgue sem pagar, meu caro amigo (claro que isto já não foi em voz alta!). Tomámos um pequeno almoço na rua, com o sol matinal a compensar o frio que se fazia sentir. Um sumo de laranja excelente e um pão local também muito bom. Depois ele ficou um pouco, como dizer... desiludido, com o que lhe paguei. Lá conversámos, paguei mais qualquer coisa. E pronto. Ele teve de se aguentar. Já estava farto de gastar dinheiro. E o pior era que a culpa TAMBÉM era dele!!!! Parti a caminho das gargantas do Todra e do Dadés, para passar depois por Ouarzazate e ir ficar ainda a Marraquexe. Apercebi-me que estava mortinho por voltar a estar sozinho! Soube-me bem partir! A garganta do Todra é fabulosa. Mas com alguns turistas a mais - ou seja, todos os que não eram aqui o vosso cronista. Depois não passei pela outra garganta, já estava a ver o filme: chegada a Marraquexe fora de horas. Passei por Ouarzazate. Nada de especial. Os estúdios de cinema podiam dar uma visita gira, para quem tivesse tempo a mais... Subida ao Atlas novamente. Não nevava, e não estava tudo coberto de neve. Mas havia algum gelo na estrada. Passei pelo único acidente que vi na viagem toda: um autocarro que se tinha despistado com o gelo e cujo rodado da frente estava enfiado numa valeta de cascalho. Estava a acabar de chegar um limpa-neves para o ajudar a sair. Mais uma vez a organização parecia ser eficiente! O cenário era um pouco agreste... para não chamar outra coisa... talvez muito sujo fosse o mais adequado. Sobretudo na vertente Oeste. Lama. Em todo o lado. Tudo castanho escuro, mesmo nas pequenas povoações por onde se passou. Uma descida a confiar na tracção às 4. E a confiar que tinha visto bem a estrada antes de me pôr a ultrapassar em algumas curvas sem visibilidade. Foi aqui que vi que toda a gente deixa passar sem refilar. Até se chegam para o lado se conseguirem. Ora tentem fazer isso cá em Portugal...

Cheguei aos arredores de Marraquexe perto das 19h30. Já de noite. Cansado. E a pensar 'não estou para aturar mais gente à minha volta a tentar impingir-me tudo'... e como queria atravessar no dia a seguir, de preferência ainda cedo... resolvi o impensável: seguir viagem em direcção a Casablanca, sem visitar uma das cidades mais emblemáticas do país... Paciência, um dia destes eu volto cá. Não se pode ver tudo na mesma viagem! Mais 200 e tal quilómetros que poupei para o dia a seguir. Não tinha referência de hotéis, mas que se lixe, alguma coisa se há de encontrar! E encontrei. Um... Ibis, mesmo ao lado da autoestrada. Uma noite sossegada.

A minha mini-micro-nano Epopeia (7)

Sexto dia, 4 de Dezembro, 5ª-feira
Regresso matinal ao hotel, banho quente. Partida com o não-sabia-ainda-que-era-meu-guia. Nesse dia tinha decidido que queria fazer Merzouga em direcção a Ouarzazate através de pistas. Já tinha desistido de ir para Sul, estava a saber-me bem andar ao ritmo dos acontecimentos. Mas depois fiquei a saber que a pista estava fechada. tudo alagado, a pista destruída pelo caudal de água. Acabei por ficar mais um dia em Erfoud. Fartei-me de ter de dizer que não comprava mais nada. Os tipos são um bocadinho cansativos nisso. Até me ofereceram para levar as coisas e enviar o dinheiro depois, a partir de Portugal. Epá. Não quero mais nada! Mas é só para te mostrar os tapetes. E contar a sua história. Não quero, obrigado, não quero dar-te esse trabalho, porque não vou levar nada. Não faz mal, é o meu trabalho. Ok. Mas ficas avisado que não vou levar mais nada. ... depois de uns 40 minutos a ouvir a história dos diversos tapetes (que até é bem interessante) devo ter estado outros 20 a convencê-lo de que não levava nada e ponto final. Ele estava convencido que eu ia acabar por levar alguma coisa. Jantei com o guia, comprámos carne de peru, num talho, e levámos à loja ao lado, para grelhar (espetadas) e comer com pão. Delicioso. Têm de experimentar. Comida na rua, numa pequena e simples esplanada. Só faltou uma cervejinha a acompanhar... mas havia ... chá! Acho que até o guia se fartou de me ver beber chá. Foi aqui então que eu tive assim uma espécie de iluminação e percebi que... se calhar teria de lhe pagar qualquer coisa! Pronto, lá falámos e fiquei a perceber mais ou menos o que ele estava à espera. Dormida num hotel 'bahhh'nal. Limpinho e recente, mas sem nada de especial... a não ser a curiosidade de ter um piano de cauda numa das salas!

A minha mini-micro-nano Epopeia (6)

Quinto dia, 3 de Dezembro, 4ª-feira
Este dia foi passado no deserto. Mais dromedário (10 minutos). A pé o resto do dia. Sem grande conversas (ainda para mais o meu ‘dromedarista’ só fala um inglês muito fraco). Com tempo para contemplar a paisagem e para pensar. É incrível como nos conseguimos sentir culpados por passar algum tempo sem fazer nada a não ser descansar... Passámos por uma família nómada, acabámos por parar e tomámos um chá (mais um) com o chefe da família. Uma vida simples, dura, com tudo às costas. Mas de sorriso na cara.

Quando voltei, subi uma das dunas maiores a pé. Parecia estar a fazer montanha, a subir neve fofa. Foi fantástico. Sobretudo o silêncio, o frio e o pôr-do-sol. A descida foi vertiginosa e divertida. À là patex, claro. A pé, quero dizer. Mais uma noite com os 15 quilos em cima. Desta vez não havia italianos :-( Havia sim um grupo de espanhóis cheios de jipes, que ficaram no 'oásis' ao lado. Parece que tinham uma boa garrafeira e a festa durou até tarde.