segunda-feira, 9 de março de 2009

Bolas!, que nunca mais escrevi por aqui!...

... o que vale é que a produção 'literária' não parou! Outras paragens levam parte da atenção e da escrita! Mas estou numa fase de escrita intensa, o que sabe bem! :-)

Mais coisas gostaria de aqui escrever, mas há coisas que não se partilham com mais ninguém! Por isso, cá fica apenas a nota: não me esqueci, nem me baldei ... muito.

O objectivo principal era escrever, deitar coisas cá para fora, e isso continuo a fazer!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O assunto do mecânico

Pois depois das últimas novidades sobre o assunto da dívida que determinado mecânico tem aqui para com o vosso mui ilustre amigo e conselheiro (ah, que soberba!), com a questão das chamadas de telemóvel não atendidas, as chaves 'encontradas' de alguns carros da oficina do referido sujeito, a mensagem a dizer-lhe que lhe entregava as chaves 'encontradas' quando ele se encontrasse comigo para me pagar o dinheiro em falta, e o contacto dele a encarar finalmente alguma verdade no meio desta novela que já dura há mais de ano e meio, onde basicamente ele assumia que, para já não me conseguia pagar, ficou o assunto a marinar um pouco, num silêncio mútuo.

Silêncio esse quebrado na 4ª-feira, ao final da manhã, quando ele me telefonou a dizer que precisava apenas de uma das três chaves, pois se entregasse o carro recebia o pagamento, e podia pagar-me 1/4 da dívida (250€). Eu até lhe disse que não queria ter as chaves e que lhas entregava todas, mas ele insistiu que não!, que lhas podia entregar à medida que me fosse pagando, que preferia assim e tal e coisa! E eu, como boa pessoa - ou melhor, como TRENGO - que sou, lá fui com as chaves na mão. E lá lhas entreguei. E recebi a promessa de que nesse dia, ao final do dia, teria o dinheiro. Eu disse-lhe logo que tinha as minhas filhas, de modo que ele que deixasse o dinheiro na oficina, com a empregada, que eu passava lá na manhã seguinte.

Escusado será dizer que na manhã seguinte o dinheiro não estava com a funcionária, que nem sabia de nada, pelos vistos nem das chaves 'encontradas'! Depois de um telefonema, lá me explicou o homem que no dia anterior não tinha podido ir buscar o dinheiro, mas que já tinha um cheque em mão, de "248€ e qq coisa", e que mo entregava no fina do dia, quando chegasse a Aveiro. Bom, correndo o risco de me repetir, escusado será dizer que no fim do dia nicles-batatóides, népias, dinheiro nem vê-lo, e telefonema também não.

Hoje esperei até depois do almoço e apareci por lá, pelas 14h30. Estava ele para sair para verificar um carro. Lá me disse para eu aparecer antes no final do dia, entre as 18h30 e as 19h00, que me pagava tudo. Pagar tudo? hummmm. Mas mesmo a sério? é que estou cansado de ouvir sempre a mesma coisa. Sim. Pago-lhe tudo. Ok, então até logo. E fui à minha vida, ou seja, fui perder tempo para o Jumbo, super-chateado por, mais uma vez não ter conseguido nada daquele parvalhão, que já não posso com esta Merda! Estava a chegar ao Jumbo e resolvi que não me apetecia enfiar-me lá dentro, pelo que dei meia-volta e arranquei para o McDonalds do Feira-Nova.

Estacionei, muito bem, devo dizer, a passar por entre dois carros, apertadinho, e estacionar no lugar do outro lado, tudo de uma só manobra - valha-nos ao menos ser minimamente bom em alguma coisa, porra! - e lá entrei para a picadora de carne, tamanho gigante.

Infelizmente não estava a moça que por vezes me brinda um sorriso super-agradável, mas pronto, apanhei o caixa-de-óculos mais-ou-menos-simpático-mas-distraído-com'a-puta-que-o-pariu - desculpem a linguagem - e lá fiz o meu pedido. Escusado será dizer que este McDonalds sofre de uma doença crónica, que, infelizmente só deve afectar um único e exclusivo cliente de há anos: EU mesmo, aqui o vosso Luís. E a doença é o quê, perguntam vocês? a doença do ai-pois-é-tinhamos-os-6-fritadores-de-batatas-todos-a-funcionar-todas-as-batatas-já-fritas-não-vai-ter-de-esperar-nada-pelas-suas-batatas!-...-a-não-ser-que-as-peça-sem-Sal-claro,-que-aí,-eu-mesmo-que-o-atendi,-vou-lá-e-viro-todos-os-cestos-de-batatas-e-ainda-lhes-coloco-sal-em-cima-sem-o-ouvir-gritar-em-desespero-ERAM-BATATAS-SEM-SAL!-e-depois-digo-lhe-que-só-tem-de-esperar-3-minutos-que-já-lhe-levo-as-batatas-quentinhas. E FODA-SE, que hoje já estava mal com a merda do mecânico e passei-me! Eu que nunca refilo com nada, quando o gajo voltou com as mãos a abanar, disse-lhe "Para a próxima vez, se estiver com um bocadinho mais de atenção, escuso de ficar à espera das batatas sem sal quando já tinha lá batatas sem sal!" Só me faltou chamar-lhe... distraído!... óscar! ... azelha!... pois, devia ser qualquer coisa mais potente, eu sei, mas o que querem?!? falar mais alto e chateado já foi um grande passo! Chamar nomes, isso há de chegar, sei lá, talvez daqui a um ou dois anos... Bom, ainda bem que não estava lá a tal moça, porque se estivesse, eu fazia um sorriso estúpido, daqueles que só mesmo os homens mais idiotas fazem, perante uma mulher, quando não sabem o que fazer com as mãos, com os pés, com a cara, com os olhos, quero dizer, o que preferiam mesmo era não estar lá, a fazer figura de urso!... e não refilava nada, se fosse preciso até ia eu servir-me das batatas...

... mas o que é que eu estava a contar, afinal?... ah, ok, o mister-mentiras-em-pessoa, o Sr. Toma-lá-mais-uma-mentira-que-eu-sou-um-mentiroso-compulsivo-que-não-consigo-evitar.

Bom, mas entretanto lá acabei a merda das batatas sem sal mais o hamburguer e o meio-litro de coca-cola, e decidi fazer uma visita à Decathlon. Depois de ter estado pelo menos meia hora à conversa com uma miúda que já não via há séculos - ex-montanheira - estive aí pelo menos mais uma hora dentro da Decathlon a ver coisas e a pensar que me davam jeito uns calções e umas calças para o Caminho de Santiago, e lá acabei por sair sem comprar nada - GRAÇAS A DEUS, NÉ?!?!? - enfiei-me no carro, e entretanto ia a pensar Aquele Cabrão ainda me vai pregar a partida, chego lá às 18h30 e o gajo não está lá, nem o dinheiro... Tenho de lá ir buscar mais umas chaves! ... foda-se vou mas é para casa trabalhar uma hora, e depois apareço lá um pouco mais cedo e logo se vê. E lá fui eu para casa...

Entretanto, em casa, telefona o caramelo, a dizer que tinha tido de ir não-sei-onde e que tínhamos de combinar uma hora para amanhã, Sábado, durante a manhã. Mas que chegava mais ou menos tarde hoje, pelo que seria melhor se fosse lá para as 10 e meia, onze. Ok, digo eu. E lá me senti mais uma vez o Bobo da Corte! Ah, e a oficina não está aberta, telefone-me para eu abrir a porta. OK! Esta então não fazia de mim o Bobo da Corte, mas o Bobo da Galáxia! E pronto, fiquei a pensar Este gajo não me vai pagar nunca, e entretanto já lhe devolvi a chave mais problemática. FODA-SE este gajo! Estúpido! Energúmeno! Parvalhão! Idiota! - EU, claro!

E foi assim que parti para a guerra. Calcei as botas de duas toneladas, apertei os laços, vesti o camuflado, fechei o zip do casac... FODA-SE! TRILHEI A BARBA!, Irra! que dói! pintei o rosto de verde e preto-óleo, entrei no Chaimite e encaminhei-me para a frente de batalha, para uma guerra sem quartel, sem ter nenhumas estatísticas sobre baixas e danos colaterais, que ainda não instalei a ligação ao pentágono no bicho... Pronto, talvez esteja a exagerar um pouco... mas foi isso que senti, confesso.

E quando lá cheguei correu tudo maravilhosamente. Claro que o homem não estava, nem o dinheiro, não. O maravilhosamente não era por isso. A funcionária é que já lá não estava, e só estava o mecânico principal, que estava à volta de um Range Rover, modelo anterior ao mais recente. Logo, o caminho para o painel das chaves estava livre! E lá avancei eu, a rastejar, no meio do sangue e dos destroços - quero dizer, no meio do óleo e dos restos de peças - e consegui, com o coração quase a sair pela boca, 'encontrar' mais umas quantas chaves, claro que quando tinha as mãos atafulhadas com elas tinha logo de aparecer no meu campo de visão uma senhora que lá estava, aparentemente também à espera de alguém... de repente parece que tinha braços a mais, que estes eram do tamanho de elefantes gigantes, bem visíveis a partir de qualquer lado ao redor, em pelo menos uns 25 quilómetros... e lá consegui enfiar as chaves nos bolsos de trás das calças...

Mas o que eu precisava para ganhar a guerra era mesmo uma das chaves de um dos carros em que estavam a trabalhar, porque esses deviam ser os mais urgentes... e esses eram o diabo, porque estavam todos na oficina, onde estava o mecânico... e então eu lá me aproximei e perguntei se o patrão demorava. Não, deve estar a chegar. Ok.... esse Range Rover só tem uma bateria? Sim, mas esta até nem é a original. Devia levar uma mais potente, porque no arranque nota-se. Ah, pois. Devia ser aí de uns 100 amperes. Ah, pois. Esta é só de 75 amperes. Ah, pois. Mas a versão anterior levava duas baterias, não era? Sim, eram duas. Ah pois. E entretanto um movimento inesperado, e ele acabou de colocar o óleo no motor, e foi lavar as mãos. Lavar as mãos! Com óleo! De um dia inteiro de trabalho! Mas isso dá, pelo menos, para uns 5 a dez minutos à vontade!!!!! Mas estás à espera de quê, meu grande bestalhonço?!?!? Então se o Range Rover é mesmo o carro do patrão, estás à espera de quê para lhe levar a chave, que até está na ignição?!? Porra, quase borrava as calças! Mas lá consegui abrir a porta do pendura, que ficava mais discreta, tirar a chave, fechar a porta BEM D-E-V-A-G-A-R-I-N-H-O, meter a chave no bolso, onde coubesse, que as outras já ocupavam muito espaço. E depois pensei Mas e agora o que faço? O gajo volta de lavar as mãos e vai ligar o carro para ver se está tudo bem, e a chave não está na ignição!! E claro que percebe que fui eu!!! FODA-SE! E AGORA?!? (leiam as duas últimas palavras a tremer, ok?) Mais um golpe de génio. Cheguei-me à porta da casa de banho. Olhe, diga ao seu patrão que estive aqui. Já é tarde, ele disse que estava cá lá para as seis e meia. Tenho de me ir embora. Ok, eu digo. Chauzinho!

E pronto, consegui deixar o campo de batalha, sem nenhuma ferida - quer dizer, para além das marcas das chaves nas nádegas, resultantes de me sentar apressadamente em cima delas - e sem ter sido detectado pelo inimigo! E pronto, agora o gajo que se vire para encontrar a chave do carro. Claro que deve ter uma chave sobresselente. Mas isso não é para aqui chamado, porra! O que interessa é a vitória 'moral'! E pronto, agora só vê a chave quando eu tiver depositado o dinheiro todo. Não é quando receber o cheque, é quando eu vir que o cheque tinha cobertura e que entrou na conta!

Ah, de vez em quando a vida é bela! Mesmo que seja só pelo prazer de sentir que fizemos alguma coisa vagamente ilegal...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Cartas, esses seres vivos

"As cartas eram seres vivos. Faziam rir, alegravam ou entristeciam. Se as cartas não fossem vivas não podiam ter esse poder."

Virgil C. Gheorghiu

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Algumas frases do Miguel Torga (d'A criação do mundo, o terceiro dia)

Deu-me para isto. Porque há demasiada escrita já escrita para querermos inventar tudo. Gostei destas frases.

“Só a largura do Oceano é que não tinha remédio. As cartas iam de cá com certo ânimo; mas, ao cabo de quinze dias de caminho, chegavam lá cansadas de todo. Pelo menos as respostas vinham a modos de ser assim.” (pág. 65)

“Só quando o homem se despia da Saragoça parda dos preconceitos e das ideias feitas, e ficava disponível para toda a compreensão, sem abdicar do seu juízo e da sua escolha, a vida tinha nele uma expressão ao mesmo tempo natural e bela.” (Pág. 80)

“Num incessante e cruel jogo de forças cruzadas, em nove anos de vida o mundo mostrara-me um abismo de contradições. Amava e era infeliz; combatente de um alado e moço movimento renovador, deixara-o e ficara só; deslumbrado por um clarão de fé, mergulhara novamente na escuridão; em vésperas de partida para o campo prático e profissional, sentia-me incapaz e tímido. [...] Terra semeada por muitas sementes, chegava ao fim da primavera coberta de uma verdura confusa, sem que pudesse discernir ao certo se haveria colheita e de que espécie.” (pág. 108)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Epá, obrigadinho!

Pois é. Separações são uma grande confusão. Aliás, apetece-me dizer mesmo que são uma merda. Foda-se! Está dito. Tenho de desabafar de alguma maneira, não?!? - desculpem lá as asneiras; na mensagem inicial esqueci-me de avisar que os textos poderiam ter bolinha vermelha, de vez em quando! Linguagem explicita, como lhe chamam.

Bom, mas onde ia eu? Ah, pois, na questão de isto ser uma grande M. Pronto. Mesmo quando as coisas correm 'bem', quando há entendimento. Mesmo quando as pessoas se continuam a encontrar, a conversar, e a preocupar umas com as outras. Acima de tudo, como amigas que sempre conseguiram ser ao longo do tempo.

Mas há temas complicados. E que precisam de ser resolvidos. E logo conversados e discutidos. E de vez em quando a gente não está preparada para enfrentar determinadas coisas. E a vontade que dá às vezes é mandar tudo às urtigas. E pronto. É preciso algum tempo para reajustar as ideias. Sabendo que não há má vontade, nem interesses menos claros. Cabeça danada!

A gente vai lá. É mais um degrau no caminho. Que é preciso subir, de preferência sem tropeçar... demasiado.

Ufa! Pelo menos parece que o escrever efectivamente ajuda a desanuviar e a aclarar ideias... para além de ajudar a 'libertar vapor'!

Já me esquecia...

Pois, já me esquecia de agradecer à Zé o ter-me 'lembrado' de começar a escrever para um blog. 'Lembrado' porque eu até já me tinha lembrado disso antes. Mas sabem como é. Por isso, e porque às vezes "a nossa vida começa quando nos empurram para dentro dela", obrigado, Zé!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Bolas!, que só o título já foi complicado!...

Bem, nem imaginam o trabalho que deu encontrar um título para isto...hum, pensando melhor, talvez até imaginem. Porque se se dão ao trabalho de ler isto, devem ser bloguistas, e então também devem ter passado pelo mesmo calvário...

Mas como estava a dizer, ao procurar um nome que me agradasse, apercebi-me da quantidade de blogs parados no tempo, cheios de teias de aranha. Coisas que datam de 2000-e-qualquer-coisa-muito-cedo. E que não têm mais nada escrito a não ser umas linhas iniciais. Mas que nos - bom, pelo menos a mim - que me impediram a opção por alguns nomes mais simples e com algum significado para mim...

Bom, na prática, e resumindo, a escolha tem a ver com o facto de eu não ser falador. E de, nesta fase da minha vida, estar mesmo a precisar de 'deitar' coisas cá para fora. E encontrei na escrita uma boa aliada para suprir essa necessidade. Mais: ao escrever, parece que são as minhas mãos que marcam o ritmo e o percurso do pensamento. Muitas vezes sento-me à frente do teclado, sem tema definido, apenas com esta sensação quase opressiva de ter de deitar fora qualquer coisa, e parece que é pelo contacto dos dedos com as teclas que as palavras surgem. Por isso, apesar da dificuldade da escolha, acho que é um título apropriado.

E agora apercebo-me de uma coisa. Lá estou eu a escrever a mais, a fugir do tema (que tema?) e a não explicar nada. Mas até calha bem, porque, basicamente, os textos que aqui vão surgir vão ser assim. Sem grande fio condutor, sem tema específico. Sem calendário definido... pensando melhor, espero não me tornar num dos blogs que acabei de referir, que levam apenas umas linhas iniciais e se ficam por aí! Vamos lá ver. Pelo menos, para já, escrevi mais do que o que vi em muitos deles!

Mas basicamente, o que preciso é 'deitar' fora. Mas de preferência, com alguns leitores, que dêem - se acharem que os pensamentos o merecem - algum comentário. Não estou a escrever para mim, quero dizer, escrevo por mim, porque preciso de o fazer, mas preciso de 'conversa'. A ideia não é fazer monólogos. Preciso de 'oulhintes', de olhos que 'oiçam' o que escrevem as minhas mãos.