quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Cartas, esses seres vivos

"As cartas eram seres vivos. Faziam rir, alegravam ou entristeciam. Se as cartas não fossem vivas não podiam ter esse poder."

Virgil C. Gheorghiu

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Algumas frases do Miguel Torga (d'A criação do mundo, o terceiro dia)

Deu-me para isto. Porque há demasiada escrita já escrita para querermos inventar tudo. Gostei destas frases.

“Só a largura do Oceano é que não tinha remédio. As cartas iam de cá com certo ânimo; mas, ao cabo de quinze dias de caminho, chegavam lá cansadas de todo. Pelo menos as respostas vinham a modos de ser assim.” (pág. 65)

“Só quando o homem se despia da Saragoça parda dos preconceitos e das ideias feitas, e ficava disponível para toda a compreensão, sem abdicar do seu juízo e da sua escolha, a vida tinha nele uma expressão ao mesmo tempo natural e bela.” (Pág. 80)

“Num incessante e cruel jogo de forças cruzadas, em nove anos de vida o mundo mostrara-me um abismo de contradições. Amava e era infeliz; combatente de um alado e moço movimento renovador, deixara-o e ficara só; deslumbrado por um clarão de fé, mergulhara novamente na escuridão; em vésperas de partida para o campo prático e profissional, sentia-me incapaz e tímido. [...] Terra semeada por muitas sementes, chegava ao fim da primavera coberta de uma verdura confusa, sem que pudesse discernir ao certo se haveria colheita e de que espécie.” (pág. 108)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Epá, obrigadinho!

Pois é. Separações são uma grande confusão. Aliás, apetece-me dizer mesmo que são uma merda. Foda-se! Está dito. Tenho de desabafar de alguma maneira, não?!? - desculpem lá as asneiras; na mensagem inicial esqueci-me de avisar que os textos poderiam ter bolinha vermelha, de vez em quando! Linguagem explicita, como lhe chamam.

Bom, mas onde ia eu? Ah, pois, na questão de isto ser uma grande M. Pronto. Mesmo quando as coisas correm 'bem', quando há entendimento. Mesmo quando as pessoas se continuam a encontrar, a conversar, e a preocupar umas com as outras. Acima de tudo, como amigas que sempre conseguiram ser ao longo do tempo.

Mas há temas complicados. E que precisam de ser resolvidos. E logo conversados e discutidos. E de vez em quando a gente não está preparada para enfrentar determinadas coisas. E a vontade que dá às vezes é mandar tudo às urtigas. E pronto. É preciso algum tempo para reajustar as ideias. Sabendo que não há má vontade, nem interesses menos claros. Cabeça danada!

A gente vai lá. É mais um degrau no caminho. Que é preciso subir, de preferência sem tropeçar... demasiado.

Ufa! Pelo menos parece que o escrever efectivamente ajuda a desanuviar e a aclarar ideias... para além de ajudar a 'libertar vapor'!

Já me esquecia...

Pois, já me esquecia de agradecer à Zé o ter-me 'lembrado' de começar a escrever para um blog. 'Lembrado' porque eu até já me tinha lembrado disso antes. Mas sabem como é. Por isso, e porque às vezes "a nossa vida começa quando nos empurram para dentro dela", obrigado, Zé!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Bolas!, que só o título já foi complicado!...

Bem, nem imaginam o trabalho que deu encontrar um título para isto...hum, pensando melhor, talvez até imaginem. Porque se se dão ao trabalho de ler isto, devem ser bloguistas, e então também devem ter passado pelo mesmo calvário...

Mas como estava a dizer, ao procurar um nome que me agradasse, apercebi-me da quantidade de blogs parados no tempo, cheios de teias de aranha. Coisas que datam de 2000-e-qualquer-coisa-muito-cedo. E que não têm mais nada escrito a não ser umas linhas iniciais. Mas que nos - bom, pelo menos a mim - que me impediram a opção por alguns nomes mais simples e com algum significado para mim...

Bom, na prática, e resumindo, a escolha tem a ver com o facto de eu não ser falador. E de, nesta fase da minha vida, estar mesmo a precisar de 'deitar' coisas cá para fora. E encontrei na escrita uma boa aliada para suprir essa necessidade. Mais: ao escrever, parece que são as minhas mãos que marcam o ritmo e o percurso do pensamento. Muitas vezes sento-me à frente do teclado, sem tema definido, apenas com esta sensação quase opressiva de ter de deitar fora qualquer coisa, e parece que é pelo contacto dos dedos com as teclas que as palavras surgem. Por isso, apesar da dificuldade da escolha, acho que é um título apropriado.

E agora apercebo-me de uma coisa. Lá estou eu a escrever a mais, a fugir do tema (que tema?) e a não explicar nada. Mas até calha bem, porque, basicamente, os textos que aqui vão surgir vão ser assim. Sem grande fio condutor, sem tema específico. Sem calendário definido... pensando melhor, espero não me tornar num dos blogs que acabei de referir, que levam apenas umas linhas iniciais e se ficam por aí! Vamos lá ver. Pelo menos, para já, escrevi mais do que o que vi em muitos deles!

Mas basicamente, o que preciso é 'deitar' fora. Mas de preferência, com alguns leitores, que dêem - se acharem que os pensamentos o merecem - algum comentário. Não estou a escrever para mim, quero dizer, escrevo por mim, porque preciso de o fazer, mas preciso de 'conversa'. A ideia não é fazer monólogos. Preciso de 'oulhintes', de olhos que 'oiçam' o que escrevem as minhas mãos.