De vez em quando, temos a sorte de alguém que nos é próximo, mas com quem não temos o contacto que gostaríamos, nos brindar com algo especial, que nos surpreende sem ser verdadeiramente uma surpresa, que nos ajuda a manter uma certa dose de humildade, e que nos faz sentir, apesar de tudo, especiais, no sentido de nos sentirmos privilegiados, precisamente por termos essas pessoas na nossa vida.
É o caso da Joana e da Margarida (mais duas primas do rol de primas - e primos! - fantásticos que tenho) que me mostraram que devemos ser menos 'adultos', que é o mesmo que dizer que devemos manter a nossa criança à solta, deixá-la expressar-se. Ou mais adultos. Mas adultos diferentes. Adultos mais conscientes, mais plenos, sem medo de nos mostrarmos. Porque o que vejo mais é um ser-se adulto que funciona na prática como uma prisão de nós mesmos. Com medo de tudo, vamos fechando portas e janelas. Deixamos de acreditar. É bom acordar com a ajuda de tantas pessoas especiais!
Obrigado primas e primos!
segunda-feira, 27 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
A minha mini-micro-nano Epopeia (9)
Oitavo e último dia, 6 de Dezembro, Sábado
Pequeno-almoço cedo, e saída às 8h00. Auto-estrada em direcção a Tanger. Embora já o tivesse visto no dia de chegada, é interessante constatar a afinidade que os marroquinos têm com a auto-estrada. Muita gente a andar a pé nas bermas. Pessoal a atravessar as faixas. Alguns com ovelhas ao colo. Sim, ovelhas, leram bem. Um carro parado no separador central, virado em sentido contrário. E não era da polícia. Deixa lá ver mais... Ah! E a melhor de todas! As áreas de serviço são concessionadas como aqui. Mas a concessão é separada para cada lado. O que faz com que possam ter uma bomba da BP de um lado e outra da Afrique (?) no outro. Ou então... uma bomba que nunca foi acabada, com aspecto de estar ali há alguns anos, e apenas uma bomba do outro lado... e um claro caminho a atravessar o separador central, com carros a passarem para a área de serviço do outro lado. Bom, foi lindo! Mas a verdade é que não vi nunca nenhum acidente na estrada. Apenas o tal despiste! Alguma coisa deve funcionar. E não é só a presença da polícia na estrada com os radares.
Chegada a Tanger depois de uma viagem sem história. Consegui atravessar a cidade direitinho e encontrar o caminho até ao Porto. Trânsito como nunca tinha apanhado! Cheguei lá pelas 12 horas. Lá voltei à tragédia da alfândega. É triste começar e acabar uma viagem tão gira com uma coisa tão degradante como esta, mas pronto... Cinco Euros para o primeiro gajo que me preencheu os papéis. Queria mais, mas disse-lhe que não tinha, e guardei os dez euros que me restavam... para o gajo que me levou o passaporte e a guia do carro. Depois ele queria mais. Mas lá o convenci que não tinha mesmo mais nada. O que era verdade, que nem uma porcaria de uma água pude comprar no barco!!!! Depois passou a inspecção do pessoal das drogas. Essa foi a parte mas delicada... de repente fiquei nervoso. Epá, o carro esteve parado um dia inteiro no deserto, será que alguém lhe mexeu?... mas não acusou nada! Ufa!! Embarquei num dos ferries rápidos. E uma hora depois de entrar em Tanger, o barco estava no mar! Quando dei por mim, cheguei a Espanha às 2 e 30 da tarde... Bolas!, isto estava a correr mais rápido do que esperava. Eu contava chegar ao final do dia, dormir em Algeciras e arrancar no Domingo de manhã para Lisboa. Mas a essa hora, fiz as contas e decidi ir mesmo ficar a Lisboa!
Depois de atravessar Espanha sem dinheiro nenhum no bolso - achava eu que havia de encontrar multibancos nas áreas de serviço espanholas - lá entrei no Algarve. Como entretanto não consegui marcar um jantar que queria marcar para essa mesma noite, em Lisboa, acabei por decidir continuar viagem até Aveiro. Ainda tive de parar para descansar uma horita numa área de serviço e finalmente lá cheguei a casa, pela 1h30. O dia seguinte foi de ressaca, pela viagem de regresso. Mas estava contente por ter feito a viagem toda!
Pequeno-almoço cedo, e saída às 8h00. Auto-estrada em direcção a Tanger. Embora já o tivesse visto no dia de chegada, é interessante constatar a afinidade que os marroquinos têm com a auto-estrada. Muita gente a andar a pé nas bermas. Pessoal a atravessar as faixas. Alguns com ovelhas ao colo. Sim, ovelhas, leram bem. Um carro parado no separador central, virado em sentido contrário. E não era da polícia. Deixa lá ver mais... Ah! E a melhor de todas! As áreas de serviço são concessionadas como aqui. Mas a concessão é separada para cada lado. O que faz com que possam ter uma bomba da BP de um lado e outra da Afrique (?) no outro. Ou então... uma bomba que nunca foi acabada, com aspecto de estar ali há alguns anos, e apenas uma bomba do outro lado... e um claro caminho a atravessar o separador central, com carros a passarem para a área de serviço do outro lado. Bom, foi lindo! Mas a verdade é que não vi nunca nenhum acidente na estrada. Apenas o tal despiste! Alguma coisa deve funcionar. E não é só a presença da polícia na estrada com os radares.
Chegada a Tanger depois de uma viagem sem história. Consegui atravessar a cidade direitinho e encontrar o caminho até ao Porto. Trânsito como nunca tinha apanhado! Cheguei lá pelas 12 horas. Lá voltei à tragédia da alfândega. É triste começar e acabar uma viagem tão gira com uma coisa tão degradante como esta, mas pronto... Cinco Euros para o primeiro gajo que me preencheu os papéis. Queria mais, mas disse-lhe que não tinha, e guardei os dez euros que me restavam... para o gajo que me levou o passaporte e a guia do carro. Depois ele queria mais. Mas lá o convenci que não tinha mesmo mais nada. O que era verdade, que nem uma porcaria de uma água pude comprar no barco!!!! Depois passou a inspecção do pessoal das drogas. Essa foi a parte mas delicada... de repente fiquei nervoso. Epá, o carro esteve parado um dia inteiro no deserto, será que alguém lhe mexeu?... mas não acusou nada! Ufa!! Embarquei num dos ferries rápidos. E uma hora depois de entrar em Tanger, o barco estava no mar! Quando dei por mim, cheguei a Espanha às 2 e 30 da tarde... Bolas!, isto estava a correr mais rápido do que esperava. Eu contava chegar ao final do dia, dormir em Algeciras e arrancar no Domingo de manhã para Lisboa. Mas a essa hora, fiz as contas e decidi ir mesmo ficar a Lisboa!
Depois de atravessar Espanha sem dinheiro nenhum no bolso - achava eu que havia de encontrar multibancos nas áreas de serviço espanholas - lá entrei no Algarve. Como entretanto não consegui marcar um jantar que queria marcar para essa mesma noite, em Lisboa, acabei por decidir continuar viagem até Aveiro. Ainda tive de parar para descansar uma horita numa área de serviço e finalmente lá cheguei a casa, pela 1h30. O dia seguinte foi de ressaca, pela viagem de regresso. Mas estava contente por ter feito a viagem toda!
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Viagem a Marrocos
A minha mini-micro-nano Epopeia (8)
Sétimo dia, 5 de Dezembro, 6ª-feira
Combinámos encontrar-mo-nos às 8h30 para um pequeno-almoço. Eu acabo por dormir mal e levanto-me mais cedo. Como ainda são 8 horas, penso que antes de ele chegar, posso ir levantar dinheiro para lhe pagar. Claro que ele já lá está à minha espera. Então, não tínhamos combinado às 8h30? Não, era às 8h00. Ok, tudo bem. Só vou tomar um café e já vamos. Está bem, então enquanto tomas café eu vou levantar dinheiro para te pagar. Ah, então vou contigo. Mas não queres tomar o café? Não, não é preciso. Pronto. Já percebi. Tás com medo que eu me pisgue sem pagar, meu caro amigo (claro que isto já não foi em voz alta!). Tomámos um pequeno almoço na rua, com o sol matinal a compensar o frio que se fazia sentir. Um sumo de laranja excelente e um pão local também muito bom. Depois ele ficou um pouco, como dizer... desiludido, com o que lhe paguei. Lá conversámos, paguei mais qualquer coisa. E pronto. Ele teve de se aguentar. Já estava farto de gastar dinheiro. E o pior era que a culpa TAMBÉM era dele!!!! Parti a caminho das gargantas do Todra e do Dadés, para passar depois por Ouarzazate e ir ficar ainda a Marraquexe. Apercebi-me que estava mortinho por voltar a estar sozinho! Soube-me bem partir! A garganta do Todra é fabulosa. Mas com alguns turistas a mais - ou seja, todos os que não eram aqui o vosso cronista. Depois não passei pela outra garganta, já estava a ver o filme: chegada a Marraquexe fora de horas. Passei por Ouarzazate. Nada de especial. Os estúdios de cinema podiam dar uma visita gira, para quem tivesse tempo a mais... Subida ao Atlas novamente. Não nevava, e não estava tudo coberto de neve. Mas havia algum gelo na estrada. Passei pelo único acidente que vi na viagem toda: um autocarro que se tinha despistado com o gelo e cujo rodado da frente estava enfiado numa valeta de cascalho. Estava a acabar de chegar um limpa-neves para o ajudar a sair. Mais uma vez a organização parecia ser eficiente! O cenário era um pouco agreste... para não chamar outra coisa... talvez muito sujo fosse o mais adequado. Sobretudo na vertente Oeste. Lama. Em todo o lado. Tudo castanho escuro, mesmo nas pequenas povoações por onde se passou. Uma descida a confiar na tracção às 4. E a confiar que tinha visto bem a estrada antes de me pôr a ultrapassar em algumas curvas sem visibilidade. Foi aqui que vi que toda a gente deixa passar sem refilar. Até se chegam para o lado se conseguirem. Ora tentem fazer isso cá em Portugal...
Cheguei aos arredores de Marraquexe perto das 19h30. Já de noite. Cansado. E a pensar 'não estou para aturar mais gente à minha volta a tentar impingir-me tudo'... e como queria atravessar no dia a seguir, de preferência ainda cedo... resolvi o impensável: seguir viagem em direcção a Casablanca, sem visitar uma das cidades mais emblemáticas do país... Paciência, um dia destes eu volto cá. Não se pode ver tudo na mesma viagem! Mais 200 e tal quilómetros que poupei para o dia a seguir. Não tinha referência de hotéis, mas que se lixe, alguma coisa se há de encontrar! E encontrei. Um... Ibis, mesmo ao lado da autoestrada. Uma noite sossegada.
Combinámos encontrar-mo-nos às 8h30 para um pequeno-almoço. Eu acabo por dormir mal e levanto-me mais cedo. Como ainda são 8 horas, penso que antes de ele chegar, posso ir levantar dinheiro para lhe pagar. Claro que ele já lá está à minha espera. Então, não tínhamos combinado às 8h30? Não, era às 8h00. Ok, tudo bem. Só vou tomar um café e já vamos. Está bem, então enquanto tomas café eu vou levantar dinheiro para te pagar. Ah, então vou contigo. Mas não queres tomar o café? Não, não é preciso. Pronto. Já percebi. Tás com medo que eu me pisgue sem pagar, meu caro amigo (claro que isto já não foi em voz alta!). Tomámos um pequeno almoço na rua, com o sol matinal a compensar o frio que se fazia sentir. Um sumo de laranja excelente e um pão local também muito bom. Depois ele ficou um pouco, como dizer... desiludido, com o que lhe paguei. Lá conversámos, paguei mais qualquer coisa. E pronto. Ele teve de se aguentar. Já estava farto de gastar dinheiro. E o pior era que a culpa TAMBÉM era dele!!!! Parti a caminho das gargantas do Todra e do Dadés, para passar depois por Ouarzazate e ir ficar ainda a Marraquexe. Apercebi-me que estava mortinho por voltar a estar sozinho! Soube-me bem partir! A garganta do Todra é fabulosa. Mas com alguns turistas a mais - ou seja, todos os que não eram aqui o vosso cronista. Depois não passei pela outra garganta, já estava a ver o filme: chegada a Marraquexe fora de horas. Passei por Ouarzazate. Nada de especial. Os estúdios de cinema podiam dar uma visita gira, para quem tivesse tempo a mais... Subida ao Atlas novamente. Não nevava, e não estava tudo coberto de neve. Mas havia algum gelo na estrada. Passei pelo único acidente que vi na viagem toda: um autocarro que se tinha despistado com o gelo e cujo rodado da frente estava enfiado numa valeta de cascalho. Estava a acabar de chegar um limpa-neves para o ajudar a sair. Mais uma vez a organização parecia ser eficiente! O cenário era um pouco agreste... para não chamar outra coisa... talvez muito sujo fosse o mais adequado. Sobretudo na vertente Oeste. Lama. Em todo o lado. Tudo castanho escuro, mesmo nas pequenas povoações por onde se passou. Uma descida a confiar na tracção às 4. E a confiar que tinha visto bem a estrada antes de me pôr a ultrapassar em algumas curvas sem visibilidade. Foi aqui que vi que toda a gente deixa passar sem refilar. Até se chegam para o lado se conseguirem. Ora tentem fazer isso cá em Portugal...
Cheguei aos arredores de Marraquexe perto das 19h30. Já de noite. Cansado. E a pensar 'não estou para aturar mais gente à minha volta a tentar impingir-me tudo'... e como queria atravessar no dia a seguir, de preferência ainda cedo... resolvi o impensável: seguir viagem em direcção a Casablanca, sem visitar uma das cidades mais emblemáticas do país... Paciência, um dia destes eu volto cá. Não se pode ver tudo na mesma viagem! Mais 200 e tal quilómetros que poupei para o dia a seguir. Não tinha referência de hotéis, mas que se lixe, alguma coisa se há de encontrar! E encontrei. Um... Ibis, mesmo ao lado da autoestrada. Uma noite sossegada.
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A minha mini-micro-nano Epopeia (7)
Sexto dia, 4 de Dezembro, 5ª-feira
Regresso matinal ao hotel, banho quente. Partida com o não-sabia-ainda-que-era-meu-guia. Nesse dia tinha decidido que queria fazer Merzouga em direcção a Ouarzazate através de pistas. Já tinha desistido de ir para Sul, estava a saber-me bem andar ao ritmo dos acontecimentos. Mas depois fiquei a saber que a pista estava fechada. tudo alagado, a pista destruída pelo caudal de água. Acabei por ficar mais um dia em Erfoud. Fartei-me de ter de dizer que não comprava mais nada. Os tipos são um bocadinho cansativos nisso. Até me ofereceram para levar as coisas e enviar o dinheiro depois, a partir de Portugal. Epá. Não quero mais nada! Mas é só para te mostrar os tapetes. E contar a sua história. Não quero, obrigado, não quero dar-te esse trabalho, porque não vou levar nada. Não faz mal, é o meu trabalho. Ok. Mas ficas avisado que não vou levar mais nada. ... depois de uns 40 minutos a ouvir a história dos diversos tapetes (que até é bem interessante) devo ter estado outros 20 a convencê-lo de que não levava nada e ponto final. Ele estava convencido que eu ia acabar por levar alguma coisa. Jantei com o guia, comprámos carne de peru, num talho, e levámos à loja ao lado, para grelhar (espetadas) e comer com pão. Delicioso. Têm de experimentar. Comida na rua, numa pequena e simples esplanada. Só faltou uma cervejinha a acompanhar... mas havia ... chá! Acho que até o guia se fartou de me ver beber chá. Foi aqui então que eu tive assim uma espécie de iluminação e percebi que... se calhar teria de lhe pagar qualquer coisa! Pronto, lá falámos e fiquei a perceber mais ou menos o que ele estava à espera. Dormida num hotel 'bahhh'nal. Limpinho e recente, mas sem nada de especial... a não ser a curiosidade de ter um piano de cauda numa das salas!
Regresso matinal ao hotel, banho quente. Partida com o não-sabia-ainda-que-era-meu-guia. Nesse dia tinha decidido que queria fazer Merzouga em direcção a Ouarzazate através de pistas. Já tinha desistido de ir para Sul, estava a saber-me bem andar ao ritmo dos acontecimentos. Mas depois fiquei a saber que a pista estava fechada. tudo alagado, a pista destruída pelo caudal de água. Acabei por ficar mais um dia em Erfoud. Fartei-me de ter de dizer que não comprava mais nada. Os tipos são um bocadinho cansativos nisso. Até me ofereceram para levar as coisas e enviar o dinheiro depois, a partir de Portugal. Epá. Não quero mais nada! Mas é só para te mostrar os tapetes. E contar a sua história. Não quero, obrigado, não quero dar-te esse trabalho, porque não vou levar nada. Não faz mal, é o meu trabalho. Ok. Mas ficas avisado que não vou levar mais nada. ... depois de uns 40 minutos a ouvir a história dos diversos tapetes (que até é bem interessante) devo ter estado outros 20 a convencê-lo de que não levava nada e ponto final. Ele estava convencido que eu ia acabar por levar alguma coisa. Jantei com o guia, comprámos carne de peru, num talho, e levámos à loja ao lado, para grelhar (espetadas) e comer com pão. Delicioso. Têm de experimentar. Comida na rua, numa pequena e simples esplanada. Só faltou uma cervejinha a acompanhar... mas havia ... chá! Acho que até o guia se fartou de me ver beber chá. Foi aqui então que eu tive assim uma espécie de iluminação e percebi que... se calhar teria de lhe pagar qualquer coisa! Pronto, lá falámos e fiquei a perceber mais ou menos o que ele estava à espera. Dormida num hotel 'bahhh'nal. Limpinho e recente, mas sem nada de especial... a não ser a curiosidade de ter um piano de cauda numa das salas!
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A minha mini-micro-nano Epopeia (6)
Quinto dia, 3 de Dezembro, 4ª-feira
Este dia foi passado no deserto. Mais dromedário (10 minutos). A pé o resto do dia. Sem grande conversas (ainda para mais o meu ‘dromedarista’ só fala um inglês muito fraco). Com tempo para contemplar a paisagem e para pensar. É incrível como nos conseguimos sentir culpados por passar algum tempo sem fazer nada a não ser descansar... Passámos por uma família nómada, acabámos por parar e tomámos um chá (mais um) com o chefe da família. Uma vida simples, dura, com tudo às costas. Mas de sorriso na cara.
Quando voltei, subi uma das dunas maiores a pé. Parecia estar a fazer montanha, a subir neve fofa. Foi fantástico. Sobretudo o silêncio, o frio e o pôr-do-sol. A descida foi vertiginosa e divertida. À là patex, claro. A pé, quero dizer. Mais uma noite com os 15 quilos em cima. Desta vez não havia italianos :-( Havia sim um grupo de espanhóis cheios de jipes, que ficaram no 'oásis' ao lado. Parece que tinham uma boa garrafeira e a festa durou até tarde.
Este dia foi passado no deserto. Mais dromedário (10 minutos). A pé o resto do dia. Sem grande conversas (ainda para mais o meu ‘dromedarista’ só fala um inglês muito fraco). Com tempo para contemplar a paisagem e para pensar. É incrível como nos conseguimos sentir culpados por passar algum tempo sem fazer nada a não ser descansar... Passámos por uma família nómada, acabámos por parar e tomámos um chá (mais um) com o chefe da família. Uma vida simples, dura, com tudo às costas. Mas de sorriso na cara.
Quando voltei, subi uma das dunas maiores a pé. Parecia estar a fazer montanha, a subir neve fofa. Foi fantástico. Sobretudo o silêncio, o frio e o pôr-do-sol. A descida foi vertiginosa e divertida. À là patex, claro. A pé, quero dizer. Mais uma noite com os 15 quilos em cima. Desta vez não havia italianos :-( Havia sim um grupo de espanhóis cheios de jipes, que ficaram no 'oásis' ao lado. Parece que tinham uma boa garrafeira e a festa durou até tarde.
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A minha mini-micro-nano Epopeia (5)
Quarto dia, 2 de Dezembro, 3ª-feira
Arranjo um mecânico. Primeiro contacto 'a sério' com Marrocos. O pessoal foi simpático. O ruído era de um dos pneus que tinha um papo e estava gretado. Estou convencido que foi do frio, na neve. Entretanto conheço um marroquino (de vários que conheci na hora, claro) que acaba por se propor a acompanhar-me a ver a zona de Merzouga e do Erg Chebbi. Claro que, atento como sou, só percebi que tinha arranjado um guia dois dias depois!... :-) Trocámos os dois pneus da frente. Entretanto estava lá parada uma moto com matrícula portuguesa. Pergunto se o condutor não estava por ali e fiquei a saber que tinha sido levado para o hospital pelos amigos, tinha partido qualquer coisa. A mecânica humana é tramada. Depois fomos andar por aí. Fomos visitar o Souk, onde entrei na casa dos avós do guia. A caminho de Merzouga, tempestade de areia. Fabuloso. Mal se via a estrada. Serpentes de areia a atravessar o pavimento. Às tantas saímos da estrada, virámos para o nada... até que aparece, no meio da parede de areia, um par de camelos gigantes, que marcam a entrada de um outro hotel. Dentro dos muros, a tempestade de areia é aceitável. É um hotel do estilo do Xaluca, os quartos são giros. Tomo mais um chá (dos muitos que tomei), e decido que quero andar de dromedário (cá está o verdadeiro espírito TT a dar de si...) e dormir no 'deserto'. Arranco para o 'oasis'. Entretanto a tempestade abrandou e passou. Andar de dromedário é fixe... nos primeiros 20 minutos. Os restantes 70 são passados a inventar novas posições que permitam distribuir o sofrimento de forma equitativa pelos nossos fundilhos. E a tentar tirar fotografias sem tremer demasiado a câmara, em cima daquilo que parece comportar-se como um barco desgovernado. Chegada ao oásis. Estava lá um par de italianos. Simpáticos. Não pensei que sabia falar italiano como falei. Estivemos horas na conversa. A comida não era má de todo. As sanitas no meio da areia, com a água castanha, foi um luxo do qual tentei não abusar! Dormir sob uns 15 quilos de cobertores era coisa de que já não me lembrava, desde os tempos da casa dos meus avós! Mas dormi quentinho, num T0 de 90 cm de altura, todo só para mim!!!!
Arranjo um mecânico. Primeiro contacto 'a sério' com Marrocos. O pessoal foi simpático. O ruído era de um dos pneus que tinha um papo e estava gretado. Estou convencido que foi do frio, na neve. Entretanto conheço um marroquino (de vários que conheci na hora, claro) que acaba por se propor a acompanhar-me a ver a zona de Merzouga e do Erg Chebbi. Claro que, atento como sou, só percebi que tinha arranjado um guia dois dias depois!... :-) Trocámos os dois pneus da frente. Entretanto estava lá parada uma moto com matrícula portuguesa. Pergunto se o condutor não estava por ali e fiquei a saber que tinha sido levado para o hospital pelos amigos, tinha partido qualquer coisa. A mecânica humana é tramada. Depois fomos andar por aí. Fomos visitar o Souk, onde entrei na casa dos avós do guia. A caminho de Merzouga, tempestade de areia. Fabuloso. Mal se via a estrada. Serpentes de areia a atravessar o pavimento. Às tantas saímos da estrada, virámos para o nada... até que aparece, no meio da parede de areia, um par de camelos gigantes, que marcam a entrada de um outro hotel. Dentro dos muros, a tempestade de areia é aceitável. É um hotel do estilo do Xaluca, os quartos são giros. Tomo mais um chá (dos muitos que tomei), e decido que quero andar de dromedário (cá está o verdadeiro espírito TT a dar de si...) e dormir no 'deserto'. Arranco para o 'oasis'. Entretanto a tempestade abrandou e passou. Andar de dromedário é fixe... nos primeiros 20 minutos. Os restantes 70 são passados a inventar novas posições que permitam distribuir o sofrimento de forma equitativa pelos nossos fundilhos. E a tentar tirar fotografias sem tremer demasiado a câmara, em cima daquilo que parece comportar-se como um barco desgovernado. Chegada ao oásis. Estava lá um par de italianos. Simpáticos. Não pensei que sabia falar italiano como falei. Estivemos horas na conversa. A comida não era má de todo. As sanitas no meio da areia, com a água castanha, foi um luxo do qual tentei não abusar! Dormir sob uns 15 quilos de cobertores era coisa de que já não me lembrava, desde os tempos da casa dos meus avós! Mas dormi quentinho, num T0 de 90 cm de altura, todo só para mim!!!!
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A minha mini-micro-nano Epopeia (4)
Terceiro dia, dia 1 de Dezembro, 2ª-feira
Passo em Meknès. Compro um telemóvel local. Pareço invisível na rua. É bom passar por árabe. E o carro não tem nada de especial, também passa desapercebido. Um polícia insiste que passei um semáforo vermelho. Eu só vi o verde a piscar (juro!). A coisa resolve-se quando ele vê o meu apelido e me pergunta se eu conheço um João Pinto. Eu fico baralhado, sem perceber como pode ele conhecer o meu pai! Depois falamos - CLARO! - de futebol... E pronto. Passou. Vou à esquadra local e tento apresentar queixa pelo roubo do telemóvel. Mas a história é tão estúpida, que me parece que o polícia deve ter ficado a pensar que eu queria era 'engatar' miúdos e que o engate deve ter corrido mal... :-) Depois de 10 minutos à espera que registassem a minha queixa, resolvo partir, que ainda tenho muitos quilómetros pela frente. Mas o pessoal na polícia foi simpático, apesar de tudo!
Arranco para Este, para atravessar o Atlas. Dou boleia a um ... Polícia. Simpático e conversador. Paro na terra onde ele saiu e encontro internet. A passo de caracol, mas dá para avisar o pessoal da falta de telemóvel.
Avanço mais uns quilómetros. O céu foi ficando cor de chumbo. Chego a uma pequena terra e vê-se a estrada fechada. Uma fila de carros espera... um frio glacial, começa a nevar. Entretanto chegou um limpa-neves e abre a barreira. Tudo atrás do bicho e toca a andar por aí acima. Dois passos de 2000 e 2200 metros (pelo GPS). Entre o primeiro e o segundo passo de altitude, enquanto espero pelo segundo limpa-neves, lembro-me que a minha bexiga já se vinha a queixar na subida anterior. Vejo uma série de portas atrás a abrirem-se, e parece uma procissão até ao muro mais próximo. Quando penso se faço ou não o mesmo, perco preciosos segundos enquanto penso 'bolas, à frente destes carros todos não consigo...' Depois vejo umas pessoas a irem 'visitar' a traseira de uma casinhota, mesmo junto à barreira da neve. Penso brevemente sobre o assunto. Erro crasso! Enquanto me encaminho para lá, o sítio passa a ser a casa de banho oficial das mulheres... Eu ainda tento colocar-me na fila. Mas elas pura e simplesmente fazem como se eu não existisse e, antes que as outras saiam de lá de trás, lá vão elas. E eu a vê-las passar! (parecia o anúncio do Mehari... ainda se lembram desse fabuloso TT?!?) Bom, depois de atravessar o Atlas com a ajuda de dois limpa-neves (o sistema estava bastante bem organizado), sigo em direcção a Erfoud. Ah! e entretanto consegui aligeirar a carga do carro... finalmente. Depois da neve, comecei a ouvir um barulho surdo, cíclico, vindo da roda direita à frente. Como percebo imenso de mecânica, pensei que poderia ser uma roda mal apertada. Apertei tudo pelo menos duas vezes! Mas o ruído continuou. Já de noite cerrada, só consigo imaginar que estou a perder cenários fantásticos pela estrada fora. Chegada a Erfoud às 21:30. Procuro o Xaluca, que no guia dizia ser um hotel com preço abaixo dos 50€. Deviam estar a falar do jantar, claro, porque por essa noite paguei cento e tal euros, quarto e jantar. Também devo dizer que aquilo é mesmo giro... claro que era mais giro se trouxesse pendura, de preferência no feminino. Mas o hotel é simpático e original. Há um novo, parecido, uns 200 metros antes, no lado oposto da estrada. Mas menos 'rústico'. Estive lá dentro mais tarde, a ver, e prefiro o Xaluca.
Passo em Meknès. Compro um telemóvel local. Pareço invisível na rua. É bom passar por árabe. E o carro não tem nada de especial, também passa desapercebido. Um polícia insiste que passei um semáforo vermelho. Eu só vi o verde a piscar (juro!). A coisa resolve-se quando ele vê o meu apelido e me pergunta se eu conheço um João Pinto. Eu fico baralhado, sem perceber como pode ele conhecer o meu pai! Depois falamos - CLARO! - de futebol... E pronto. Passou. Vou à esquadra local e tento apresentar queixa pelo roubo do telemóvel. Mas a história é tão estúpida, que me parece que o polícia deve ter ficado a pensar que eu queria era 'engatar' miúdos e que o engate deve ter corrido mal... :-) Depois de 10 minutos à espera que registassem a minha queixa, resolvo partir, que ainda tenho muitos quilómetros pela frente. Mas o pessoal na polícia foi simpático, apesar de tudo!
Arranco para Este, para atravessar o Atlas. Dou boleia a um ... Polícia. Simpático e conversador. Paro na terra onde ele saiu e encontro internet. A passo de caracol, mas dá para avisar o pessoal da falta de telemóvel.
Avanço mais uns quilómetros. O céu foi ficando cor de chumbo. Chego a uma pequena terra e vê-se a estrada fechada. Uma fila de carros espera... um frio glacial, começa a nevar. Entretanto chegou um limpa-neves e abre a barreira. Tudo atrás do bicho e toca a andar por aí acima. Dois passos de 2000 e 2200 metros (pelo GPS). Entre o primeiro e o segundo passo de altitude, enquanto espero pelo segundo limpa-neves, lembro-me que a minha bexiga já se vinha a queixar na subida anterior. Vejo uma série de portas atrás a abrirem-se, e parece uma procissão até ao muro mais próximo. Quando penso se faço ou não o mesmo, perco preciosos segundos enquanto penso 'bolas, à frente destes carros todos não consigo...' Depois vejo umas pessoas a irem 'visitar' a traseira de uma casinhota, mesmo junto à barreira da neve. Penso brevemente sobre o assunto. Erro crasso! Enquanto me encaminho para lá, o sítio passa a ser a casa de banho oficial das mulheres... Eu ainda tento colocar-me na fila. Mas elas pura e simplesmente fazem como se eu não existisse e, antes que as outras saiam de lá de trás, lá vão elas. E eu a vê-las passar! (parecia o anúncio do Mehari... ainda se lembram desse fabuloso TT?!?) Bom, depois de atravessar o Atlas com a ajuda de dois limpa-neves (o sistema estava bastante bem organizado), sigo em direcção a Erfoud. Ah! e entretanto consegui aligeirar a carga do carro... finalmente. Depois da neve, comecei a ouvir um barulho surdo, cíclico, vindo da roda direita à frente. Como percebo imenso de mecânica, pensei que poderia ser uma roda mal apertada. Apertei tudo pelo menos duas vezes! Mas o ruído continuou. Já de noite cerrada, só consigo imaginar que estou a perder cenários fantásticos pela estrada fora. Chegada a Erfoud às 21:30. Procuro o Xaluca, que no guia dizia ser um hotel com preço abaixo dos 50€. Deviam estar a falar do jantar, claro, porque por essa noite paguei cento e tal euros, quarto e jantar. Também devo dizer que aquilo é mesmo giro... claro que era mais giro se trouxesse pendura, de preferência no feminino. Mas o hotel é simpático e original. Há um novo, parecido, uns 200 metros antes, no lado oposto da estrada. Mas menos 'rústico'. Estive lá dentro mais tarde, a ver, e prefiro o Xaluca.
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Viagem a Marrocos
A minha mini-micro-nano Epopeia (3)
Segundo dia, 30 de Novembro, Domingo
Algeciras – Tânger. Depois de confirmar, às 9h30 da manhã, que o porto continuava fechado, lá parto eu para Algeciras, onde apanho um dos primeiros ferries do dia para Tânger. Ao contrário do que estavas à espera, as ‘marroquinices’ começam logo no porto de Algeciras! Uns ‘arrumadores’ das filas para os barcos lá me orientam para o barco, mas quando digo que ainda tenho de comprar bilhete, um deles leva-me a uma agência fora do porto, logo ali ao lado, para comprar os bilhetes (meu e do carro!). Pago um preço que até é próximo do que vi na internet… para depois verificar que o que ele me cobrou não era igual ao que estava no recibo… que eu não me lembrei de verificar antes de estar no barco!!!! Pronto, lá devo ter pago uma comissão de cerca de 30,00€ ao ‘arrumador’…
A travessia de barco foi normal, acho eu. Fila para carimbar o passaporte. Nada de jeito para comer no bar do barco. E descanso no salão da proa, a ver a costa africana a aproximar-se a um ritmo lento.
À saída do barco em Tânger, as confusões do costume na fronteira. Mais arrumadores, a pedirem os documentos do carro, para preencherem papéis que é necessário entregar à entrada. Vejo várias filas. O caos parece instalado… mas começo a perceber que a lentidão parece ser só para quem não avança com qualquer coisa… assim discretamente – ou não tão discretamente, como pude verificar! Mas pronto, lá se passou. Toca a levantar e trocar logo dinheiro, depois de sair dos portões da alfândega. Primeira descoberta: na primeira bomba de gasolina, vejo que há dois tipos de gasóleo, o mais caro ao mesmo preço que cá. Claro que enchi os dois Jerry-cans e o depósito com o mais barato!... para mais tarde constatar que o mais barato não compensava, porque os consumos eram bastante piores!
Nessa bomba tive o primeiro contacto com o bom humor marroquino! Precisava de um último apetrecho fundamental: um mapa de Marrocos, de preferência em condições, que não tinha conseguido nenhum por cá (é que eu supostamente faria a viagem acompanhado, ok?). O rapaz foi extremamente simpático e apareceu com um pequeno mapa, já meio antigo, mas que permitia ver as estradas fundamentais. Quando eu lhe perguntei quanto era, ele disse ’20 dirhams’… para o colega dele que estava a encher o depósito dizer logo ’20 dirhams? Não! São 200 dirhams’! O outro ficou a olhar para ele, trocaram umas palavras em árabe, e eu resolvi passar a mero observador, enquanto via um deles com cara de preocupado e o outro a rir-se! Finalmente lá assentámos nos 20 dirhams, ainda recebi um outro mapa que entretanto apareceu, grátis, porque já era antigo. Paguei o gasóleo e depois ainda quis oferecer uma gorjeta ao rapaz que me encheu o depósito, ao que ele se riu, dizendo ‘não, obrigado’!
A saída de Tânger implica atravessar grande parte da cidade, e é necessário estar atento à polícia e aos seus radares. Eles não perdoam, e os radares são muito discretos! Apanhei a auto-estrada da costa, em direcção a Casablanca, e depois saí para uma estrada secundária, em direcção a Meknès, pensando passar a noite a uns 30 quilómetros desta, com uma dormida em Volubilis. A viagem à noite mostrou-me a perícia dos condutores locais. Para além de alguma aselhice generalizada durante a noite – cheguei a pensar que eles ainda não tinham apurado como nós europeus a visão nocturna! – havia muita gente a andar a pé e de bicicleta na berma e, na falta dela, ou porque esta estava alagada... na faixa de rodagem... Conduzi, assim, grande parte do tempo encostado o mais possível à linha separadora, à espera, acreditando, que os tipos que vinham de frente se manteriam do lado deles... Para finalizar o dia, primeiro - e único - evento negativo da viagem: fiquei sem telemóvel. Lição: não sejas tão idiota e não 'ofereças' telemóveis, sobretudo quando são iPhones... mas é bom poder estar um pouco mais isolado do mundo, sem ter de dar justificações complicadas, basta um simples 'fiquei sem telemóvel!'
Algeciras – Tânger. Depois de confirmar, às 9h30 da manhã, que o porto continuava fechado, lá parto eu para Algeciras, onde apanho um dos primeiros ferries do dia para Tânger. Ao contrário do que estavas à espera, as ‘marroquinices’ começam logo no porto de Algeciras! Uns ‘arrumadores’ das filas para os barcos lá me orientam para o barco, mas quando digo que ainda tenho de comprar bilhete, um deles leva-me a uma agência fora do porto, logo ali ao lado, para comprar os bilhetes (meu e do carro!). Pago um preço que até é próximo do que vi na internet… para depois verificar que o que ele me cobrou não era igual ao que estava no recibo… que eu não me lembrei de verificar antes de estar no barco!!!! Pronto, lá devo ter pago uma comissão de cerca de 30,00€ ao ‘arrumador’…
A travessia de barco foi normal, acho eu. Fila para carimbar o passaporte. Nada de jeito para comer no bar do barco. E descanso no salão da proa, a ver a costa africana a aproximar-se a um ritmo lento.
À saída do barco em Tânger, as confusões do costume na fronteira. Mais arrumadores, a pedirem os documentos do carro, para preencherem papéis que é necessário entregar à entrada. Vejo várias filas. O caos parece instalado… mas começo a perceber que a lentidão parece ser só para quem não avança com qualquer coisa… assim discretamente – ou não tão discretamente, como pude verificar! Mas pronto, lá se passou. Toca a levantar e trocar logo dinheiro, depois de sair dos portões da alfândega. Primeira descoberta: na primeira bomba de gasolina, vejo que há dois tipos de gasóleo, o mais caro ao mesmo preço que cá. Claro que enchi os dois Jerry-cans e o depósito com o mais barato!... para mais tarde constatar que o mais barato não compensava, porque os consumos eram bastante piores!
Nessa bomba tive o primeiro contacto com o bom humor marroquino! Precisava de um último apetrecho fundamental: um mapa de Marrocos, de preferência em condições, que não tinha conseguido nenhum por cá (é que eu supostamente faria a viagem acompanhado, ok?). O rapaz foi extremamente simpático e apareceu com um pequeno mapa, já meio antigo, mas que permitia ver as estradas fundamentais. Quando eu lhe perguntei quanto era, ele disse ’20 dirhams’… para o colega dele que estava a encher o depósito dizer logo ’20 dirhams? Não! São 200 dirhams’! O outro ficou a olhar para ele, trocaram umas palavras em árabe, e eu resolvi passar a mero observador, enquanto via um deles com cara de preocupado e o outro a rir-se! Finalmente lá assentámos nos 20 dirhams, ainda recebi um outro mapa que entretanto apareceu, grátis, porque já era antigo. Paguei o gasóleo e depois ainda quis oferecer uma gorjeta ao rapaz que me encheu o depósito, ao que ele se riu, dizendo ‘não, obrigado’!
A saída de Tânger implica atravessar grande parte da cidade, e é necessário estar atento à polícia e aos seus radares. Eles não perdoam, e os radares são muito discretos! Apanhei a auto-estrada da costa, em direcção a Casablanca, e depois saí para uma estrada secundária, em direcção a Meknès, pensando passar a noite a uns 30 quilómetros desta, com uma dormida em Volubilis. A viagem à noite mostrou-me a perícia dos condutores locais. Para além de alguma aselhice generalizada durante a noite – cheguei a pensar que eles ainda não tinham apurado como nós europeus a visão nocturna! – havia muita gente a andar a pé e de bicicleta na berma e, na falta dela, ou porque esta estava alagada... na faixa de rodagem... Conduzi, assim, grande parte do tempo encostado o mais possível à linha separadora, à espera, acreditando, que os tipos que vinham de frente se manteriam do lado deles... Para finalizar o dia, primeiro - e único - evento negativo da viagem: fiquei sem telemóvel. Lição: não sejas tão idiota e não 'ofereças' telemóveis, sobretudo quando são iPhones... mas é bom poder estar um pouco mais isolado do mundo, sem ter de dar justificações complicadas, basta um simples 'fiquei sem telemóvel!'
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Viagem a Marrocos
A minha mini-micro-nano Epopeia (2)
Primeiro dia, 29 de Novembro de 2008, Sábado
Depois de ir ficar a Sesimbra na noite anterior, parto, já tarde, para Melilla, não sem antes fazer as habituais compras de última hora (bom, pelo menos, habituais para mim!). Viajo como se estivesse permanentemente a andar na terceira faixa da Ponte 25 de Abril. Um barulho danado dos pneus para TT. Cool. Até é giro! :-) Mas quando finalmente chego a Melilla o porto está fechado devido ao mau tempo. Un-cool... Aproveito para arranjar um quarto, e depois saio para jantar qualquer coisa. Coincidências ou não, acabo por encontrar um restaurante vegetariano, onde comi muito bem, e que nesse dia tinha tido uma sessão de constelações familiares!
Depois de ir ficar a Sesimbra na noite anterior, parto, já tarde, para Melilla, não sem antes fazer as habituais compras de última hora (bom, pelo menos, habituais para mim!). Viajo como se estivesse permanentemente a andar na terceira faixa da Ponte 25 de Abril. Um barulho danado dos pneus para TT. Cool. Até é giro! :-) Mas quando finalmente chego a Melilla o porto está fechado devido ao mau tempo. Un-cool... Aproveito para arranjar um quarto, e depois saio para jantar qualquer coisa. Coincidências ou não, acabo por encontrar um restaurante vegetariano, onde comi muito bem, e que nesse dia tinha tido uma sessão de constelações familiares!
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Viagem a Marrocos
A minha mini-micro-nano Epopeia (1)
Pois é… estava eu algures em Setembro, e não podia nem imaginar o que ia acabar por levar a cabo dois meses depois! Ainda hoje não consigo definir realmente o grau de importância que teve para mim essa experiência, não consigo ver todas as implicações e mudanças que vieram e continuam a vir desta pequena epopeia! Mas podemos começar pelo princípio… e quando virem qual foi a experiência até se podem rir do que escrevi… ‘o quê?, tanta coisa por causa disto?!?’. Pois. Mas foi a MINHA experiência. E afectou – e marcou – a MINHA vida. Por isso, se não gostarem, podem calar-se, ou ir ler outra coisa qualquer! Capice?!?
Bom, tudo começou quando decidi trocar de viatura. Confesso: já estava pelos cabelos com a Mondeo! Ok, era um bom carro, fiável, confortável, espaçoso, e blablabla… Mas o que é que querem?!? Eu queria mudar de vida… E para isso, não há nada como mudar de carro! … E então decidi realizar um velho ‘sonho’: ter um TT! Claro que, tendo em conta a minha bolsa … eh… hum… elegante?, magra?, esquelética?, não me podia permitir grandes voos… para mais, a carripana que arranjasse, tinha de cumprir uma série de requisitos, entre os quais: de preferência (obrigatória!!!), ser classe 1 nas portagens; poder continuar a transportar as minhas filhas; que não me gastasse o orçamento em combustível; que se portasse decentemente fora da estrada; e, já agora, porque não, podia ser descapotável! E pronto, claro que com estas limitações todas, poucas alternativas havia, e acabei por me decidir por um Land Rover Freelander. Lá encontrei um no Porto e, depois de umas quantas confusões, o negócio foi feito!
Entretanto andei na internet a ver informações, acessórios, etc… e andava nessa vida quando, de repente, me aparece um link para um passeio TT a Marrocos. Primeiro até pensei que já fosse uma coisa desactualizada. Mas de repente apercebo-me que era para daí a dois meses! E fiz uma coisa que normalmente não faria: enviar um email a pedir informações, só por curiosidade.
Claro que depois da resposta e de saber uma estimativa de custos, dei por mim a dizer ‘eu vou ao passeio’! E foi em cima da hora que comecei a preparar as coisas. Um ‘TTista’ que eu não conhecia de nenhum lado (obrigado João!), emprestou-me pneus e jantes de TT, mais adequados para o passeio do que os de origem; arranjei um pendura (que não conhecia de nenhum lado); e o organizador do passeio mandou-me uma lista com as coisas necessárias. E foi assim que lá parti para a ‘recolha’ do material e preparação da máquina!
Mas entretanto as coisas complicaram-se. Eu tinha o meu pai adoentado, e não sabia se tinha de desistir ou não. Os restantes participantes (cuja lista entretanto se tinha visto reduzida de 8 para 2 viaturas) estavam com problemas no local de trabalho e estavam a ver a viagem a ter de ser adiada. E eu, que nunca tinha feito umas férias sozinho, no meio da confusão, comecei a sentir uma decisão a nascer: eu vou a Marrocos, nem que vá sozinho! Claro que depois, a decisão acabou por mudar... mas mudou para um ‘espero que eles não possam ir, para eu ir mesmo sozinho!’ Enfim, aparte o egoísmo intrínseco a esta vontade, a verdade é que eu sentia que precisava deste desafio. De fazer umas férias sozinho, num destino mais arriscado! (pois, eu sei!... vá, dou-vos 5 minutos para se rirem até fartar, ok?).
E aquilo pelo que eu ansiava finalmente verificou-se: eles não podiam ir! Eu ia mesmo partir sozinho! Curiosamente fiquei muito contente, sem sentir sequer medo ou ansiedade! Estava pura e simplesmente satisfeito por ir enfrentar a viagem sozinho!
Claro que a viagem TT inicial, de carácter duro e ‘agreste’, passou para um passeio a Marrocos. Vários factores contribuíram para isso: o ir sozinho; ter um carro que não é um verdadeiro TT, puro e duro; ou mesmo o facto de a meteorologia nos dias anteriores à partida não estar de boa feição, tornando parte das pistas intransitável.
Mas para além disso tudo, a viagem acabou por ser uma viagem de descoberta pessoal! O que se segue é pois um relato reduzido da viagem. Para facilitar (?) a leitura, cada dia será uma entrada diferente no blog.
Bom, tudo começou quando decidi trocar de viatura. Confesso: já estava pelos cabelos com a Mondeo! Ok, era um bom carro, fiável, confortável, espaçoso, e blablabla… Mas o que é que querem?!? Eu queria mudar de vida… E para isso, não há nada como mudar de carro! … E então decidi realizar um velho ‘sonho’: ter um TT! Claro que, tendo em conta a minha bolsa … eh… hum… elegante?, magra?, esquelética?, não me podia permitir grandes voos… para mais, a carripana que arranjasse, tinha de cumprir uma série de requisitos, entre os quais: de preferência (obrigatória!!!), ser classe 1 nas portagens; poder continuar a transportar as minhas filhas; que não me gastasse o orçamento em combustível; que se portasse decentemente fora da estrada; e, já agora, porque não, podia ser descapotável! E pronto, claro que com estas limitações todas, poucas alternativas havia, e acabei por me decidir por um Land Rover Freelander. Lá encontrei um no Porto e, depois de umas quantas confusões, o negócio foi feito!
Entretanto andei na internet a ver informações, acessórios, etc… e andava nessa vida quando, de repente, me aparece um link para um passeio TT a Marrocos. Primeiro até pensei que já fosse uma coisa desactualizada. Mas de repente apercebo-me que era para daí a dois meses! E fiz uma coisa que normalmente não faria: enviar um email a pedir informações, só por curiosidade.
Claro que depois da resposta e de saber uma estimativa de custos, dei por mim a dizer ‘eu vou ao passeio’! E foi em cima da hora que comecei a preparar as coisas. Um ‘TTista’ que eu não conhecia de nenhum lado (obrigado João!), emprestou-me pneus e jantes de TT, mais adequados para o passeio do que os de origem; arranjei um pendura (que não conhecia de nenhum lado); e o organizador do passeio mandou-me uma lista com as coisas necessárias. E foi assim que lá parti para a ‘recolha’ do material e preparação da máquina!
Mas entretanto as coisas complicaram-se. Eu tinha o meu pai adoentado, e não sabia se tinha de desistir ou não. Os restantes participantes (cuja lista entretanto se tinha visto reduzida de 8 para 2 viaturas) estavam com problemas no local de trabalho e estavam a ver a viagem a ter de ser adiada. E eu, que nunca tinha feito umas férias sozinho, no meio da confusão, comecei a sentir uma decisão a nascer: eu vou a Marrocos, nem que vá sozinho! Claro que depois, a decisão acabou por mudar... mas mudou para um ‘espero que eles não possam ir, para eu ir mesmo sozinho!’ Enfim, aparte o egoísmo intrínseco a esta vontade, a verdade é que eu sentia que precisava deste desafio. De fazer umas férias sozinho, num destino mais arriscado! (pois, eu sei!... vá, dou-vos 5 minutos para se rirem até fartar, ok?).
E aquilo pelo que eu ansiava finalmente verificou-se: eles não podiam ir! Eu ia mesmo partir sozinho! Curiosamente fiquei muito contente, sem sentir sequer medo ou ansiedade! Estava pura e simplesmente satisfeito por ir enfrentar a viagem sozinho!
Claro que a viagem TT inicial, de carácter duro e ‘agreste’, passou para um passeio a Marrocos. Vários factores contribuíram para isso: o ir sozinho; ter um carro que não é um verdadeiro TT, puro e duro; ou mesmo o facto de a meteorologia nos dias anteriores à partida não estar de boa feição, tornando parte das pistas intransitável.
Mas para além disso tudo, a viagem acabou por ser uma viagem de descoberta pessoal! O que se segue é pois um relato reduzido da viagem. Para facilitar (?) a leitura, cada dia será uma entrada diferente no blog.
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