Ora bem, queria só contar-vos talvez o episódio mais divertido que me aconteceu até ao momento. Lembram-se de eu ter dito que apanhei uma boleia de motociclo até Cho Lon, com a Hao? Pois bem, embora os encontros imediatos com o tráfego envolvente sejam uma constante, desde pessoas que nos aparecem à frente, a tentar atravessar a rua, até ao carro que nos apita mesmo ao lado, para avisar que está ali, passando pelas outras motas que, em sentido contrário, passam pelo meio de nós - nós, os que vamos num fluxo contínuo que segue num determinado sentido, entenda-se –, culminando em apoteose nos cruzamentos onde esses fluxos se cruzam em mais direcções do que as vias existentes nesses mesmos cruzamentos, e onde, de modo aparentemente desordenado, mas sempre fluído, os veículos se cruzam uns com os outros, à frente, atrás, de lado, mas nunca – que eu visse – uns por cima dos outros. E então se forem rotundas, então aí é que é ver o sistema a funcionar na sua máxima eficácia. Mas dizia eu que, embora os encontros imediatos sejam uma constante, com a minha boleia, os momentos mais delicados eram os arranques nos raros semáforos que eram respeitados (e por acaso, ela era das mais respeitadoras). E às tantas, logo a seguir a um desses arranques, ouço-a dizer Oh my God!, e começa a virar para a esquerda, a meio do cruzamento. Não sei se estão bem a ver. Não, não estão de certeza absoluta! É que todas as ruas, deixa lá ver, ... eram cinco, salvo erro, todas as ruas estavam a debitar tráfego em todos os sentidos. E quando ela começa a virar para a esquerda, claro que de frente – e do lado direito também – só via uma mole compacta de motociclos à mistura com alguns carros – sobretudo táxis, diga-se de passagem – e... um camião, este último em perfeita rota de colisão connosco. E ela a utilizar o método do Vou-me metendo à frente dos outros, até conseguir furar (método essencial a dominar, para quem quiser conseguir chegar a algum lado em Saigão. E funciona, a sério).
Enquanto eu tentava perceber o que se passava, imaginando que se devia ter enganado no caminho, lá conseguimos chegar em segurança junto ao passeio da esquerda. Quando lhe pergunto o que se passava, percebi que... tinha perdido uma chinela – a esquerda, para ser mais exacto – no meio do cruzamento. E olha para trás. E quando digo no meio do cruzamento, é porque, quando viro a cabeça para olhar para o sítio onde ela tinha os olhos fixos, lá vi a chinela perdida, mesmo quase no meio do cruzamento... Claro que quem me conhece, sabe que perante uma donzela em perigo (a chinela, claro!), não consigo deixar de fazer alguma coisa. De modo que lá fui eu, com a minha aparente calma – por acaso, e só mesmo por acaso, deste vez até não era só aparente, não sei porquê, mas estava mesmo impávido e sereno perante tão dantesca tarefa. E, sempre de olho na coitada da chinela, a pensar quando seria passada a ferro, vou tentando avançar pelo meio do trânsito, à medida que vou vendo as motas a passarem-lhe ao lado, o carro que não a pisou por uns centímetros, a carrinha que lhe passou por cima sem a atropelar. E enquanto avanço, vou pensando, sobretudo, em como resolver o momento critico da situação: baixar-me para apanhar a pobre e indefesa chinela, ali sozinha e tolhida de medo, no meio do cruzamento, sem perder o contacto visual com o tráfego envolvente. O que me valeu foi uma breve aberta, em que só havia aí umas 50 motorizadas na estrada, sem carros nem carrinhas nem outras criaturas metálicas de maior tamanho, e lá consegui a tarefa impossível de a salvar. A viagem de regresso decorreu sem maiores incidentes. A viagem de regresso para junto da Hao, claro, porque não sei se se lembram, mas eu estava no meio de um cruzamento, entre dezenas e dezenas de viaturas, com uma chinela na mão, ok? Foi um episódio surreal. Quer dizer. Foi bem real. Mas surreal para a nossa tão pobremente real realidade certinha em que vivemos...
terça-feira, 7 de julho de 2009
O trânsito, 4ª (e última) parte
Pronto, já estou no hotel em Hoi An, uma pequena vila junto ao mar, a uns 20 km de Da Nang.
Bom, voltando ao assunto inicial, e para acabar de vez com isto, estas regras resumem o essencial a ser cumprido. Ah!, ainda há mais uma. Não será bem uma regra, mas um modus operandi. Quando queremos virar para qualquer lado, vamo-nos chegando com cuidado para o meio da via, ou mesmo para a faixa contrária, furando com calma o caudal continuo de motociclos e carros que vêm em sentido contrário, enquanto os que vêm de frente buzinam para sabermos que eles nos estão a ver, tomando eles a decisão de nos passar à frente, ou já por trás, em função da sua – e da nossa – experiência. É do tipo atravessar uma torrente caudalosa de um rio. O rio não vai parar por nós o querermos atravessar, certo?...
Depois disto, tudo é permitido. Andar em contramão, especialmente quando a avenida para onde vamos virar tem separador central em betão e eu quero enfiar pela primeira rua à esquerda. Fazer inversão de marcha no meio de uma rua com separador central e duas linhas contínuas no chão, mesmo antes de chegar a uma rotunda, onde podíamos dar a volta e tomar o mesmo caminho. Andar por cima do passeio com o motociclo, quando a via está muito congestionada, mesmo quando o passeio tem peões e outros motociclos estacionados. Ultrapassar qualquer obstáculo, pela direita ou pela esquerda, mesmo que para isso se vá em contramão.
E se acham isto interessante, então experimentem apanhar um Mototaxi. Ou então, talvez tenham a sorte de ter no grupo uma vietnamita a quem pedir boleia, para tirar umas fotografias. Foi uma experiência única! Quer dizer, única não, porque depois ainda andei outra vez, mas dessa feita de Mototaxi, e de noite. E apesar de perceber que a Hao não conduz lá muito bem (na prática, acho que ela tem é medo do trânsito, o que, dadas as circunstâncias, até, enfim, talvez, com alguma boa vontade, se possa compreender...), apesar disso, foi uma viagem muito divertida, até Cho Lon, o maior bairro chinês do Vietnam.
Os serviços de algumas embaixadas, entre as quais a francesa, desaconselham vivamente o aluguer de motociclos em Saigão, devido ao elevado risco de acidentes. De acordo com os dados das embaixadas, os acidentes com estrangeiros são algo frequentes, o que faz que as seguradoras se recusem a fazer um seguro a qualquer temerário que pense alugar uma viatura de duas rodas. Mas, depois de 4 dias no meio daquele trânsito todo, sem ter visto um único acidente, a mim ninguém me tira da cabeça que o maior perigo para qualquer turista que queira andar de duas rodas nesta cidade é... o próprio turista. A sério. Palavra. Porque se andares com o cuidado com que eles andam, quando há bastante trânsito, onde raramente chegam a andar a mais de 30 à hora, se seguires aquelas regras que eu já referi antes, e sobretudo!, se te esqueceres de todas as regras – bom, quase todas, ok... – se te esqueceres de quase todas as regras que conheces sobre condução, então terás uma experiência única e perfeitamente saudável, sem maior risco do que outras experiências de condução nas nossas estradas!
Bom, voltando ao assunto inicial, e para acabar de vez com isto, estas regras resumem o essencial a ser cumprido. Ah!, ainda há mais uma. Não será bem uma regra, mas um modus operandi. Quando queremos virar para qualquer lado, vamo-nos chegando com cuidado para o meio da via, ou mesmo para a faixa contrária, furando com calma o caudal continuo de motociclos e carros que vêm em sentido contrário, enquanto os que vêm de frente buzinam para sabermos que eles nos estão a ver, tomando eles a decisão de nos passar à frente, ou já por trás, em função da sua – e da nossa – experiência. É do tipo atravessar uma torrente caudalosa de um rio. O rio não vai parar por nós o querermos atravessar, certo?...
Depois disto, tudo é permitido. Andar em contramão, especialmente quando a avenida para onde vamos virar tem separador central em betão e eu quero enfiar pela primeira rua à esquerda. Fazer inversão de marcha no meio de uma rua com separador central e duas linhas contínuas no chão, mesmo antes de chegar a uma rotunda, onde podíamos dar a volta e tomar o mesmo caminho. Andar por cima do passeio com o motociclo, quando a via está muito congestionada, mesmo quando o passeio tem peões e outros motociclos estacionados. Ultrapassar qualquer obstáculo, pela direita ou pela esquerda, mesmo que para isso se vá em contramão.
E se acham isto interessante, então experimentem apanhar um Mototaxi. Ou então, talvez tenham a sorte de ter no grupo uma vietnamita a quem pedir boleia, para tirar umas fotografias. Foi uma experiência única! Quer dizer, única não, porque depois ainda andei outra vez, mas dessa feita de Mototaxi, e de noite. E apesar de perceber que a Hao não conduz lá muito bem (na prática, acho que ela tem é medo do trânsito, o que, dadas as circunstâncias, até, enfim, talvez, com alguma boa vontade, se possa compreender...), apesar disso, foi uma viagem muito divertida, até Cho Lon, o maior bairro chinês do Vietnam.
Os serviços de algumas embaixadas, entre as quais a francesa, desaconselham vivamente o aluguer de motociclos em Saigão, devido ao elevado risco de acidentes. De acordo com os dados das embaixadas, os acidentes com estrangeiros são algo frequentes, o que faz que as seguradoras se recusem a fazer um seguro a qualquer temerário que pense alugar uma viatura de duas rodas. Mas, depois de 4 dias no meio daquele trânsito todo, sem ter visto um único acidente, a mim ninguém me tira da cabeça que o maior perigo para qualquer turista que queira andar de duas rodas nesta cidade é... o próprio turista. A sério. Palavra. Porque se andares com o cuidado com que eles andam, quando há bastante trânsito, onde raramente chegam a andar a mais de 30 à hora, se seguires aquelas regras que eu já referi antes, e sobretudo!, se te esqueceres de todas as regras – bom, quase todas, ok... – se te esqueceres de quase todas as regras que conheces sobre condução, então terás uma experiência única e perfeitamente saudável, sem maior risco do que outras experiências de condução nas nossas estradas!
O trânsito, 3ª parte
Em voo de Ho Chi Min para Da Nang, ao som de The Best of You, dos Foo Fighters, Não sei bem porquê, mas acho esta música extraordinária. Talvez porque eles são mesmo bons. Vejam por exemplo o The Pretender, no YouTube, ou oiçam a Razor. Bom, mas chega de banda sonora. De qualquer modo sabe bem mudar de vez em quando. Deixar de ouvir as apitadelas constantes do trânsito. E isto leva-nos – esperem, tenho de ouvir esta música outra vez, só um segundo... Ok. Onde ia eu?... ah, estava a dizer que isto nos leva à conversa por terminar sobre o tráfego vietnamita. E então, para não demorar mais com isto, porque vocês já devem estar tão fartos quanto eu de não sair do mesmo sítio, vou tentar resumir ao máximo.
Para já há que explicar que Saigão é uma cidade com 7 milhões de habitantes – já tinha escrito isto, acho... – cheia de vida. É a maior cidade do pais. Hanói só é a capital por questões politicas, como facilmente se percebe. É uma cidade cheia de contrastes, podendo encontrar-se o mais novo no meio do mais antigo. E com o trânsito, passa-se o mesmo. Não conheço em Portugal – não quer dizer que não haja – mas não conheço em Portugal uma cidade cujos semáforos indiquem, em segundos, e de forma bem visível, o tempo que temos de esperar pela próxima mudança de luz. Mas ao mesmo tempo, essa ‘modernidade’ coabita com a forma tradicional de encarar as deslocações.
Torna-se assim interessante verificar que, dependendo dos cruzamentos, os semáforos podem ser mais ou menos respeitados. Ou mesmo não respeitados de todo. Até pelos veículos de maiores dimensões. Na realidade, este tema tão interessante – e para mim tão divertido! – até é capaz de já ter dado mais do que uma valente tese sobre sistemas de gestão de tráfego. Como não é essa a intenção, vou tentar sintetizar algumas regras/formas de funcionamento que tenho vindo a encontrar. Sem nenhuma ordem específica. Mas também para quê uma ordem na descrição de uma aparente desordem?
Primeiro, a faixa direita – quando a via tem duas faixas – ou a parte direita da faixa de rodagem, é para os veículos de duas rodas. Os veículos de 4 – ou mais – rodas andam sempre à esquerda. Mesmo quando querem virar para a direita...
Depois temos a regra da buzina. Eu buzino sempre para os tipos que estão hierarquicamente ao mesmo nível, ou abaixo de mim. Ou seja, um autocarro buzina para toda a gente – felizardos!, um carro ou carrinha, buzina para outros carros, mas sobretudo para os motociclos e velocípedes. Os motociclos por sua vez, buzinam entre eles (muito), e para os velocípedes. E os velocípedes... bom, esses não costumam ter buzina... Espera!, estava a esquecer-me dos peões que querem atravessar a estrada! Estes é que são mesmo os últimos na hierarquia.
Mas isto do apito não é como em Portugal, em que se buzina para dizermos ao gajo da frente Anda lá ò cromo! Que o semáforo já está verde há vários milionésimos de segundo! (no norte a linguagem não seria exactamente esta), ou para outro tipo de refilonices. Não senhor. A buzina é usada de um modo muito mais, como dizê-lo?... muito mais terapêutico? Tipo prevenção. É quase um ritual, um gesto adquirido, que funciona em modo quase automático. Basicamente pode ser para dizer Estás na minha faixa, Olha que eu vou aqui atrás de ti. Deixa-me passar, sff. Por aí fora, percebem? É um modo de utilização que só pode derivar do modo mais calmo em sem stress com que os asiáticos encaram a vida. Diria eu. Aliás, para ver essa forma diferente de estar na vida, posso falar de um concurso de uma cerveja. Um concurso como os de cá, normal. Como os de cá, tem como prémio principal um SUV todo moderno. Como os de cá, temos de ver a carica para verificar se temos prémio. Como os de cá – salvo erro... – todas as caricas têm alguma coisa escrita, mesmo que não tenha prémio. Já não muito bem como cá, é o facto de todas as caricas não premiadas terem frases... não sei bem como dizê-lo... frases inspiradoras? Do tipo Aproveite para desfrutar aquilo que tem, e coisas parecidas. Esta ‘diferença’ mostra também a maneira diferente de estar na vida, e de a apreciar.
Mas a propósito disto do Eu vou atrás de ti, há uma regra fundamental para as coisas funcionarem no meio deste aparente caos. É a regra do “Eu preocupo-me com o que vai à minha frente. Fazes favor, tu que vais atrás de mim, preocupa-te comigo. – Ok, vamos aterrar, tenho de desligar isto...
Para já há que explicar que Saigão é uma cidade com 7 milhões de habitantes – já tinha escrito isto, acho... – cheia de vida. É a maior cidade do pais. Hanói só é a capital por questões politicas, como facilmente se percebe. É uma cidade cheia de contrastes, podendo encontrar-se o mais novo no meio do mais antigo. E com o trânsito, passa-se o mesmo. Não conheço em Portugal – não quer dizer que não haja – mas não conheço em Portugal uma cidade cujos semáforos indiquem, em segundos, e de forma bem visível, o tempo que temos de esperar pela próxima mudança de luz. Mas ao mesmo tempo, essa ‘modernidade’ coabita com a forma tradicional de encarar as deslocações.
Torna-se assim interessante verificar que, dependendo dos cruzamentos, os semáforos podem ser mais ou menos respeitados. Ou mesmo não respeitados de todo. Até pelos veículos de maiores dimensões. Na realidade, este tema tão interessante – e para mim tão divertido! – até é capaz de já ter dado mais do que uma valente tese sobre sistemas de gestão de tráfego. Como não é essa a intenção, vou tentar sintetizar algumas regras/formas de funcionamento que tenho vindo a encontrar. Sem nenhuma ordem específica. Mas também para quê uma ordem na descrição de uma aparente desordem?
Primeiro, a faixa direita – quando a via tem duas faixas – ou a parte direita da faixa de rodagem, é para os veículos de duas rodas. Os veículos de 4 – ou mais – rodas andam sempre à esquerda. Mesmo quando querem virar para a direita...
Depois temos a regra da buzina. Eu buzino sempre para os tipos que estão hierarquicamente ao mesmo nível, ou abaixo de mim. Ou seja, um autocarro buzina para toda a gente – felizardos!, um carro ou carrinha, buzina para outros carros, mas sobretudo para os motociclos e velocípedes. Os motociclos por sua vez, buzinam entre eles (muito), e para os velocípedes. E os velocípedes... bom, esses não costumam ter buzina... Espera!, estava a esquecer-me dos peões que querem atravessar a estrada! Estes é que são mesmo os últimos na hierarquia.
Mas isto do apito não é como em Portugal, em que se buzina para dizermos ao gajo da frente Anda lá ò cromo! Que o semáforo já está verde há vários milionésimos de segundo! (no norte a linguagem não seria exactamente esta), ou para outro tipo de refilonices. Não senhor. A buzina é usada de um modo muito mais, como dizê-lo?... muito mais terapêutico? Tipo prevenção. É quase um ritual, um gesto adquirido, que funciona em modo quase automático. Basicamente pode ser para dizer Estás na minha faixa, Olha que eu vou aqui atrás de ti. Deixa-me passar, sff. Por aí fora, percebem? É um modo de utilização que só pode derivar do modo mais calmo em sem stress com que os asiáticos encaram a vida. Diria eu. Aliás, para ver essa forma diferente de estar na vida, posso falar de um concurso de uma cerveja. Um concurso como os de cá, normal. Como os de cá, tem como prémio principal um SUV todo moderno. Como os de cá, temos de ver a carica para verificar se temos prémio. Como os de cá – salvo erro... – todas as caricas têm alguma coisa escrita, mesmo que não tenha prémio. Já não muito bem como cá, é o facto de todas as caricas não premiadas terem frases... não sei bem como dizê-lo... frases inspiradoras? Do tipo Aproveite para desfrutar aquilo que tem, e coisas parecidas. Esta ‘diferença’ mostra também a maneira diferente de estar na vida, e de a apreciar.
Mas a propósito disto do Eu vou atrás de ti, há uma regra fundamental para as coisas funcionarem no meio deste aparente caos. É a regra do “Eu preocupo-me com o que vai à minha frente. Fazes favor, tu que vais atrás de mim, preocupa-te comigo. – Ok, vamos aterrar, tenho de desligar isto...
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domingo, 5 de julho de 2009
O trânsito, 2ª parte
Bom, como está a chover lá fora (são agora 18h28, hora local), está tudo à volta da selecção de fotografias para comentar a seguir ao jantar. E não julguem que é fácil! Experimentem lá tirar umas 200 ou 400 fotografias num dia, e depois seleccionar 20. Mas 20 que correspondem a dois dias!... Tarefa bem ingrata. Bem mais difícil do que tirar as fotografias em si.
Mas como estava a dizer, enquanto passo as imagens para o disco, vou escrevendo. E então voltemos ao tráfego. E desculpem lá a mensagem anterior. Agora que a fui reler, quase me deu vontade de a apagar. Provavelmente, a esta hora, devem estar a pensar que a minha rede de neurónios está em sintonia com o caos - aparente - do trânsito local... Mas como já o escrevi, não me apetece apagá-lo. Por isso quem tiver paciência, que o leia. De qualquer modo este - ou por este andar o próximo relato - será o suficiente para terem uma noção do sistema de trânsito local.
E pronto, parece que vai mesmo ter de ser no próximo relato, tenho de voltar às fotos... Mas eu já regresso. Até já!
Mas como estava a dizer, enquanto passo as imagens para o disco, vou escrevendo. E então voltemos ao tráfego. E desculpem lá a mensagem anterior. Agora que a fui reler, quase me deu vontade de a apagar. Provavelmente, a esta hora, devem estar a pensar que a minha rede de neurónios está em sintonia com o caos - aparente - do trânsito local... Mas como já o escrevi, não me apetece apagá-lo. Por isso quem tiver paciência, que o leia. De qualquer modo este - ou por este andar o próximo relato - será o suficiente para terem uma noção do sistema de trânsito local.
E pronto, parece que vai mesmo ter de ser no próximo relato, tenho de voltar às fotos... Mas eu já regresso. Até já!
sábado, 4 de julho de 2009
No Vietnam
Partida a 1 de Julho, de Lisboa, chegada a 2 de Julho, a Ho Chi Minh, a antiga Saigão, nome pelo qual ainda hoje em dia é conhecida.
O regresso previsto será no dia 12, com chegada a Lisboa no dia 13. Acho que está a ficar demasiado próximo!
Já devia ter começado a escrever, mas para quem me conhece, isto também não é nenhuma novidade, não é verdade?
Depois de cá ter chegado no dia 2, 5º-feira, de repente apercebo-me que já é Domingo. Bom, são apenas duas da manhã, mas não deixa de ser Domingo! Por momentos tive mesmo de ir confirmar o calendário, para garantir que não era erro do computador...
Mas e que tal se fossemos ao que interessa? A verdade é que não sei bem por onde começar. Suponho que pelo princípio, o que até acaba por ir levar a um assunto que é particularmente interessante e curioso. Pelo menos para mim!
Ah! E um aviso!, antes de começar. Isto está a ser escrito às duas da matina ok?!?, e vai tudo de seguida! Porque já estou para escrever há dias. E porque já vos tinha dito que ia escrever hoje, ok? E a questão das fotos ainda vai ser outro berbicacho, porque ainda tenho de escolher algumas... Ai ai... Estou a ver a linda noitada que me espera... Por isso, perdoem lá qualquer coisita no texto, ok? Que eu hoje não consigo rever o texto. Acho.
Então e qual o tema de início, perguntam vocês, já fartos de tanta conversa fiada. E fazem muito bem. Se não apertam comigo, eu mesmo não vou conseguir escrever o que queria escrever, porque me perco em deambulações idiótico-o-que-vocês-quiserem-acrescentar-aqui-que-acabe-em-ês-por-exemplo...
Ok, já chega. Estou só com vontade de vos chatear um pouco mais. Antes de escrever a sério. Ok? Eu sei que sabem. Para bom entendedor meia palavra basta. E eu sei que vocês são bons entendedores. Vamos lá ao texto (para os que aguentaram até aqui! hehehe).
Pois o tema surgiu por acaso, inicialmente, e depois acabou por se infiltrar no nosso dia-a-dia. Trata-se, tcha-tcham!, do trânsito nas estradas vietnamitas.
E surgiu por acaso porque, quando estávamos em aproximação à pista de Ho Chi Minh, por volta das 14h15 horas locais (mais 7 horas do que em Lisboa, para o caso de poder ser útil sabê-lo), como dizia, quando estávamos em aproximação à pista, reparei em duas coisas: a primeira foi a organização espacial das áreas urbanas, e o colorido das fachadas; a segunda foi o número de aceleras na estrada. Do que vi de lá de cima, fiquei com a nítida impressão de que estas correspondiam a, pelo menos, uns 85 a 90% do tráfego nas estradas. Claro que uma presença tão forte de veículos de duas rodas não podia passar despercebida. Foi talvez mesmo a coisa que mais me chamou a atenção. E pronto. Esta foi a origem deste tema.
Antes de entrar na carrinha do hotel que me foi buscar ao aeroporto, e de mergulhar no trânsito local, podia falar-vos do episódio do primeiro câmbio que fiz, ainda no aeroporto. Mas esta história de como fiquei a ganhar dinheiro só porque no balcão de câmbios não tinham notas das pequenas fica para outra altura, ok? Por agora vamos cingir-nos ao tráfego (gostaram?, gostaram desta técnica de manter o interesse para os próximos episódios?).
Então entrámos na carrinha. Eu e os dois rapazes que me foram buscar, com um poster a dizer Luís (por acaso acho que era mesmo só Luís, sem o Pinto à frente). Ar-condicionado ligado. Claro. Porque com um mínimo de 32 graus que deviam estar lá fora, anda tudo com o ar-condicionado ligado. Pagámos o parque. Saímos do parque. E começam as aceleras a aparecer de todos os lados. Sabem aquelas pragas de baratas, em que parece que elas surgem de todos os lados, e vão em todas as direcções, por vezes até passando umas por cima das outras, em trânsito contínuo e ininterrupto? (acabei de ‘fazer’ um pleonasmo, não foi?... mas aqui faz mesmo sentido, porque reforça a noção daquilo que realmente acontece!). Pois era mais ou menos – mais mesmo para o mais – que ... bolas!, estas repetições dão cabo de mim... era mesmo isso que se podia ver. Excepto a parte de passarem de vez em quando umas por cima das outras, claro!!! Ou talvez não tão claro. Porque, num primeiro impacto, ficamos sem perceber como não se vêm ambulâncias em todos os cantos e esquinas. Mas eu já vos dou uma noção mais acertada do trânsito local.
É interessante verificar que, efectivamente, o tráfego é constituído, na sua grande maioria, por veículos de duas rodas. Sobretudo motorizados (para quem é bom entendedor, julgo que não tenho de explicar que são muito mais motorizadas do que bicicletas, certo?...). Pelo menos os tais 90% de veículos a circular na cidade de Ho Chi Minh são motorizadas, algumas bicicletas, alguns triciclos-táxis, triciclos-transportes e afins, afins esses que incluem alguns veículos que parecem ter apenas duas rodas, mas cuja forma se encontra parcial ou totalmente escondida pela carga transportada pelo seu dono ou condutor. Mas até aqui nada de novo, certo? Afinal, vocês são pessoas informadas, que já receberam seguramente, pelo menos uma vez na vida, daqueles magníficos ficheiros PowerPoint, com imagens de bicicletas e motorizadas, cobertas de gaiolas de galinhas, ou de porcos, ou outras matérias primas – ou secundárias, imagens essas tão tipicamente asiáticas. Mas há mais coisas para além do que a vista alcança.
Eu, que sou um gajo atento... ok, desculpem o exagero. Deixa lá reformular. Hummm... eu, que sou um tipo que de vez em quando até consegue, por acaso, e com alguma fortuna (hum... sabendo que fortuna também pode ser sorte, este é mais um pleonasmo... mas que também aqui reforça uma verdade, ok?), e como estava a dizer, eu que até consigo estar atento a algumas coisas, posso dizer-vos o seguinte: por trás do aparente caos e horror do trânsito vietnamita, está o sistema de auto-gestão, com ‘computação’ híbrida, partilhada por milhares de centros biodinâmicos de cálculo e avaliação de risco, mais perfeito que já conheci. Disse milhares, mas talvez possa mesmo dizer milhões. Porque, se só Ho Chi Minh tem 7 milhões de habitantes, e quase todos eles andam de motociclos, o sistema tem de ser dessa ordem de grandeza!
E como cheguei eu a essa conclusão? Por simples observação, claro! Porque embora a cada milésimo de segundo que passamos na estrada pareça que vamos levar alguém mais pequeno pela frente, ou que alguém maior do que nós nos vai levar à frente dele, caso este que é, pelo menos para mim, muito mais assustador e aterrador que o primeiro... ok, acabou o serviço de detecção de pleonasmos! Agora estão vocês encarregues disso. E já sabem para que é que servem, estamos NÓS devidamente entendidos? (repararam na subtil nota que alerta para mais um PN?).
Bom, mas dizia eu que, embora a morte nos esteja constantemente a bater à porta, para logo a seguir se esconder atrás de outro condutor que parece não conhecer a forma como o mundo dito civilizado conduz, embora isso aconteça, a verdade é que consegui chegar ao hotel são e salvo. Acho que só o cansaço e o torpor – talvez estupidor seja o termo mais adequado... – talvez só eles me tenham feito sofrer um pouco menos com esta tão grande diferença no modo de estar na estrada.
E entretanto já se passaram dois dias. Ou três. Façam vocês as contas, que a esta hora eu já nem quero saber (sim, por acaso até já são 03h36...). Mas o que importa é que estes dias que passaram, me permitiram ver que realmente, no meio do caos, há uma organização especial.
Claro que há episódios caricatos. Pelo menos enquanto não abandonamos a nossa forma tão ... ‘quadrada’? por vezes, de ver a vida e as coisas que giram à nossa volta! Mas há episódios que não deixam de ter a sua piada, mesmo quando decidimos aceitar as diferenças. E são essas diferenças que acabam por nos tornar a vida mais rica em experiências!
Mas o resto do relato fica para amanhã, que hoje já não dou mais... a sério.
O regresso previsto será no dia 12, com chegada a Lisboa no dia 13. Acho que está a ficar demasiado próximo!
Já devia ter começado a escrever, mas para quem me conhece, isto também não é nenhuma novidade, não é verdade?
Depois de cá ter chegado no dia 2, 5º-feira, de repente apercebo-me que já é Domingo. Bom, são apenas duas da manhã, mas não deixa de ser Domingo! Por momentos tive mesmo de ir confirmar o calendário, para garantir que não era erro do computador...
Mas e que tal se fossemos ao que interessa? A verdade é que não sei bem por onde começar. Suponho que pelo princípio, o que até acaba por ir levar a um assunto que é particularmente interessante e curioso. Pelo menos para mim!
Ah! E um aviso!, antes de começar. Isto está a ser escrito às duas da matina ok?!?, e vai tudo de seguida! Porque já estou para escrever há dias. E porque já vos tinha dito que ia escrever hoje, ok? E a questão das fotos ainda vai ser outro berbicacho, porque ainda tenho de escolher algumas... Ai ai... Estou a ver a linda noitada que me espera... Por isso, perdoem lá qualquer coisita no texto, ok? Que eu hoje não consigo rever o texto. Acho.
Então e qual o tema de início, perguntam vocês, já fartos de tanta conversa fiada. E fazem muito bem. Se não apertam comigo, eu mesmo não vou conseguir escrever o que queria escrever, porque me perco em deambulações idiótico-o-que-vocês-quiserem-acrescentar-aqui-que-acabe-em-ês-por-exemplo...
Ok, já chega. Estou só com vontade de vos chatear um pouco mais. Antes de escrever a sério. Ok? Eu sei que sabem. Para bom entendedor meia palavra basta. E eu sei que vocês são bons entendedores. Vamos lá ao texto (para os que aguentaram até aqui! hehehe).
Pois o tema surgiu por acaso, inicialmente, e depois acabou por se infiltrar no nosso dia-a-dia. Trata-se, tcha-tcham!, do trânsito nas estradas vietnamitas.
E surgiu por acaso porque, quando estávamos em aproximação à pista de Ho Chi Minh, por volta das 14h15 horas locais (mais 7 horas do que em Lisboa, para o caso de poder ser útil sabê-lo), como dizia, quando estávamos em aproximação à pista, reparei em duas coisas: a primeira foi a organização espacial das áreas urbanas, e o colorido das fachadas; a segunda foi o número de aceleras na estrada. Do que vi de lá de cima, fiquei com a nítida impressão de que estas correspondiam a, pelo menos, uns 85 a 90% do tráfego nas estradas. Claro que uma presença tão forte de veículos de duas rodas não podia passar despercebida. Foi talvez mesmo a coisa que mais me chamou a atenção. E pronto. Esta foi a origem deste tema.
Antes de entrar na carrinha do hotel que me foi buscar ao aeroporto, e de mergulhar no trânsito local, podia falar-vos do episódio do primeiro câmbio que fiz, ainda no aeroporto. Mas esta história de como fiquei a ganhar dinheiro só porque no balcão de câmbios não tinham notas das pequenas fica para outra altura, ok? Por agora vamos cingir-nos ao tráfego (gostaram?, gostaram desta técnica de manter o interesse para os próximos episódios?).
Então entrámos na carrinha. Eu e os dois rapazes que me foram buscar, com um poster a dizer Luís (por acaso acho que era mesmo só Luís, sem o Pinto à frente). Ar-condicionado ligado. Claro. Porque com um mínimo de 32 graus que deviam estar lá fora, anda tudo com o ar-condicionado ligado. Pagámos o parque. Saímos do parque. E começam as aceleras a aparecer de todos os lados. Sabem aquelas pragas de baratas, em que parece que elas surgem de todos os lados, e vão em todas as direcções, por vezes até passando umas por cima das outras, em trânsito contínuo e ininterrupto? (acabei de ‘fazer’ um pleonasmo, não foi?... mas aqui faz mesmo sentido, porque reforça a noção daquilo que realmente acontece!). Pois era mais ou menos – mais mesmo para o mais – que ... bolas!, estas repetições dão cabo de mim... era mesmo isso que se podia ver. Excepto a parte de passarem de vez em quando umas por cima das outras, claro!!! Ou talvez não tão claro. Porque, num primeiro impacto, ficamos sem perceber como não se vêm ambulâncias em todos os cantos e esquinas. Mas eu já vos dou uma noção mais acertada do trânsito local.
É interessante verificar que, efectivamente, o tráfego é constituído, na sua grande maioria, por veículos de duas rodas. Sobretudo motorizados (para quem é bom entendedor, julgo que não tenho de explicar que são muito mais motorizadas do que bicicletas, certo?...). Pelo menos os tais 90% de veículos a circular na cidade de Ho Chi Minh são motorizadas, algumas bicicletas, alguns triciclos-táxis, triciclos-transportes e afins, afins esses que incluem alguns veículos que parecem ter apenas duas rodas, mas cuja forma se encontra parcial ou totalmente escondida pela carga transportada pelo seu dono ou condutor. Mas até aqui nada de novo, certo? Afinal, vocês são pessoas informadas, que já receberam seguramente, pelo menos uma vez na vida, daqueles magníficos ficheiros PowerPoint, com imagens de bicicletas e motorizadas, cobertas de gaiolas de galinhas, ou de porcos, ou outras matérias primas – ou secundárias, imagens essas tão tipicamente asiáticas. Mas há mais coisas para além do que a vista alcança.
Eu, que sou um gajo atento... ok, desculpem o exagero. Deixa lá reformular. Hummm... eu, que sou um tipo que de vez em quando até consegue, por acaso, e com alguma fortuna (hum... sabendo que fortuna também pode ser sorte, este é mais um pleonasmo... mas que também aqui reforça uma verdade, ok?), e como estava a dizer, eu que até consigo estar atento a algumas coisas, posso dizer-vos o seguinte: por trás do aparente caos e horror do trânsito vietnamita, está o sistema de auto-gestão, com ‘computação’ híbrida, partilhada por milhares de centros biodinâmicos de cálculo e avaliação de risco, mais perfeito que já conheci. Disse milhares, mas talvez possa mesmo dizer milhões. Porque, se só Ho Chi Minh tem 7 milhões de habitantes, e quase todos eles andam de motociclos, o sistema tem de ser dessa ordem de grandeza!
E como cheguei eu a essa conclusão? Por simples observação, claro! Porque embora a cada milésimo de segundo que passamos na estrada pareça que vamos levar alguém mais pequeno pela frente, ou que alguém maior do que nós nos vai levar à frente dele, caso este que é, pelo menos para mim, muito mais assustador e aterrador que o primeiro... ok, acabou o serviço de detecção de pleonasmos! Agora estão vocês encarregues disso. E já sabem para que é que servem, estamos NÓS devidamente entendidos? (repararam na subtil nota que alerta para mais um PN?).
Bom, mas dizia eu que, embora a morte nos esteja constantemente a bater à porta, para logo a seguir se esconder atrás de outro condutor que parece não conhecer a forma como o mundo dito civilizado conduz, embora isso aconteça, a verdade é que consegui chegar ao hotel são e salvo. Acho que só o cansaço e o torpor – talvez estupidor seja o termo mais adequado... – talvez só eles me tenham feito sofrer um pouco menos com esta tão grande diferença no modo de estar na estrada.
E entretanto já se passaram dois dias. Ou três. Façam vocês as contas, que a esta hora eu já nem quero saber (sim, por acaso até já são 03h36...). Mas o que importa é que estes dias que passaram, me permitiram ver que realmente, no meio do caos, há uma organização especial.
Claro que há episódios caricatos. Pelo menos enquanto não abandonamos a nossa forma tão ... ‘quadrada’? por vezes, de ver a vida e as coisas que giram à nossa volta! Mas há episódios que não deixam de ter a sua piada, mesmo quando decidimos aceitar as diferenças. E são essas diferenças que acabam por nos tornar a vida mais rica em experiências!
Mas o resto do relato fica para amanhã, que hoje já não dou mais... a sério.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Gente que nos acorda!
De vez em quando, temos a sorte de alguém que nos é próximo, mas com quem não temos o contacto que gostaríamos, nos brindar com algo especial, que nos surpreende sem ser verdadeiramente uma surpresa, que nos ajuda a manter uma certa dose de humildade, e que nos faz sentir, apesar de tudo, especiais, no sentido de nos sentirmos privilegiados, precisamente por termos essas pessoas na nossa vida.
É o caso da Joana e da Margarida (mais duas primas do rol de primas - e primos! - fantásticos que tenho) que me mostraram que devemos ser menos 'adultos', que é o mesmo que dizer que devemos manter a nossa criança à solta, deixá-la expressar-se. Ou mais adultos. Mas adultos diferentes. Adultos mais conscientes, mais plenos, sem medo de nos mostrarmos. Porque o que vejo mais é um ser-se adulto que funciona na prática como uma prisão de nós mesmos. Com medo de tudo, vamos fechando portas e janelas. Deixamos de acreditar. É bom acordar com a ajuda de tantas pessoas especiais!
Obrigado primas e primos!
É o caso da Joana e da Margarida (mais duas primas do rol de primas - e primos! - fantásticos que tenho) que me mostraram que devemos ser menos 'adultos', que é o mesmo que dizer que devemos manter a nossa criança à solta, deixá-la expressar-se. Ou mais adultos. Mas adultos diferentes. Adultos mais conscientes, mais plenos, sem medo de nos mostrarmos. Porque o que vejo mais é um ser-se adulto que funciona na prática como uma prisão de nós mesmos. Com medo de tudo, vamos fechando portas e janelas. Deixamos de acreditar. É bom acordar com a ajuda de tantas pessoas especiais!
Obrigado primas e primos!
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primas (e primos) fantástica(o)s
quarta-feira, 22 de abril de 2009
A minha mini-micro-nano Epopeia (9)
Oitavo e último dia, 6 de Dezembro, Sábado
Pequeno-almoço cedo, e saída às 8h00. Auto-estrada em direcção a Tanger. Embora já o tivesse visto no dia de chegada, é interessante constatar a afinidade que os marroquinos têm com a auto-estrada. Muita gente a andar a pé nas bermas. Pessoal a atravessar as faixas. Alguns com ovelhas ao colo. Sim, ovelhas, leram bem. Um carro parado no separador central, virado em sentido contrário. E não era da polícia. Deixa lá ver mais... Ah! E a melhor de todas! As áreas de serviço são concessionadas como aqui. Mas a concessão é separada para cada lado. O que faz com que possam ter uma bomba da BP de um lado e outra da Afrique (?) no outro. Ou então... uma bomba que nunca foi acabada, com aspecto de estar ali há alguns anos, e apenas uma bomba do outro lado... e um claro caminho a atravessar o separador central, com carros a passarem para a área de serviço do outro lado. Bom, foi lindo! Mas a verdade é que não vi nunca nenhum acidente na estrada. Apenas o tal despiste! Alguma coisa deve funcionar. E não é só a presença da polícia na estrada com os radares.
Chegada a Tanger depois de uma viagem sem história. Consegui atravessar a cidade direitinho e encontrar o caminho até ao Porto. Trânsito como nunca tinha apanhado! Cheguei lá pelas 12 horas. Lá voltei à tragédia da alfândega. É triste começar e acabar uma viagem tão gira com uma coisa tão degradante como esta, mas pronto... Cinco Euros para o primeiro gajo que me preencheu os papéis. Queria mais, mas disse-lhe que não tinha, e guardei os dez euros que me restavam... para o gajo que me levou o passaporte e a guia do carro. Depois ele queria mais. Mas lá o convenci que não tinha mesmo mais nada. O que era verdade, que nem uma porcaria de uma água pude comprar no barco!!!! Depois passou a inspecção do pessoal das drogas. Essa foi a parte mas delicada... de repente fiquei nervoso. Epá, o carro esteve parado um dia inteiro no deserto, será que alguém lhe mexeu?... mas não acusou nada! Ufa!! Embarquei num dos ferries rápidos. E uma hora depois de entrar em Tanger, o barco estava no mar! Quando dei por mim, cheguei a Espanha às 2 e 30 da tarde... Bolas!, isto estava a correr mais rápido do que esperava. Eu contava chegar ao final do dia, dormir em Algeciras e arrancar no Domingo de manhã para Lisboa. Mas a essa hora, fiz as contas e decidi ir mesmo ficar a Lisboa!
Depois de atravessar Espanha sem dinheiro nenhum no bolso - achava eu que havia de encontrar multibancos nas áreas de serviço espanholas - lá entrei no Algarve. Como entretanto não consegui marcar um jantar que queria marcar para essa mesma noite, em Lisboa, acabei por decidir continuar viagem até Aveiro. Ainda tive de parar para descansar uma horita numa área de serviço e finalmente lá cheguei a casa, pela 1h30. O dia seguinte foi de ressaca, pela viagem de regresso. Mas estava contente por ter feito a viagem toda!
Pequeno-almoço cedo, e saída às 8h00. Auto-estrada em direcção a Tanger. Embora já o tivesse visto no dia de chegada, é interessante constatar a afinidade que os marroquinos têm com a auto-estrada. Muita gente a andar a pé nas bermas. Pessoal a atravessar as faixas. Alguns com ovelhas ao colo. Sim, ovelhas, leram bem. Um carro parado no separador central, virado em sentido contrário. E não era da polícia. Deixa lá ver mais... Ah! E a melhor de todas! As áreas de serviço são concessionadas como aqui. Mas a concessão é separada para cada lado. O que faz com que possam ter uma bomba da BP de um lado e outra da Afrique (?) no outro. Ou então... uma bomba que nunca foi acabada, com aspecto de estar ali há alguns anos, e apenas uma bomba do outro lado... e um claro caminho a atravessar o separador central, com carros a passarem para a área de serviço do outro lado. Bom, foi lindo! Mas a verdade é que não vi nunca nenhum acidente na estrada. Apenas o tal despiste! Alguma coisa deve funcionar. E não é só a presença da polícia na estrada com os radares.
Chegada a Tanger depois de uma viagem sem história. Consegui atravessar a cidade direitinho e encontrar o caminho até ao Porto. Trânsito como nunca tinha apanhado! Cheguei lá pelas 12 horas. Lá voltei à tragédia da alfândega. É triste começar e acabar uma viagem tão gira com uma coisa tão degradante como esta, mas pronto... Cinco Euros para o primeiro gajo que me preencheu os papéis. Queria mais, mas disse-lhe que não tinha, e guardei os dez euros que me restavam... para o gajo que me levou o passaporte e a guia do carro. Depois ele queria mais. Mas lá o convenci que não tinha mesmo mais nada. O que era verdade, que nem uma porcaria de uma água pude comprar no barco!!!! Depois passou a inspecção do pessoal das drogas. Essa foi a parte mas delicada... de repente fiquei nervoso. Epá, o carro esteve parado um dia inteiro no deserto, será que alguém lhe mexeu?... mas não acusou nada! Ufa!! Embarquei num dos ferries rápidos. E uma hora depois de entrar em Tanger, o barco estava no mar! Quando dei por mim, cheguei a Espanha às 2 e 30 da tarde... Bolas!, isto estava a correr mais rápido do que esperava. Eu contava chegar ao final do dia, dormir em Algeciras e arrancar no Domingo de manhã para Lisboa. Mas a essa hora, fiz as contas e decidi ir mesmo ficar a Lisboa!
Depois de atravessar Espanha sem dinheiro nenhum no bolso - achava eu que havia de encontrar multibancos nas áreas de serviço espanholas - lá entrei no Algarve. Como entretanto não consegui marcar um jantar que queria marcar para essa mesma noite, em Lisboa, acabei por decidir continuar viagem até Aveiro. Ainda tive de parar para descansar uma horita numa área de serviço e finalmente lá cheguei a casa, pela 1h30. O dia seguinte foi de ressaca, pela viagem de regresso. Mas estava contente por ter feito a viagem toda!
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Viagem a Marrocos
A minha mini-micro-nano Epopeia (8)
Sétimo dia, 5 de Dezembro, 6ª-feira
Combinámos encontrar-mo-nos às 8h30 para um pequeno-almoço. Eu acabo por dormir mal e levanto-me mais cedo. Como ainda são 8 horas, penso que antes de ele chegar, posso ir levantar dinheiro para lhe pagar. Claro que ele já lá está à minha espera. Então, não tínhamos combinado às 8h30? Não, era às 8h00. Ok, tudo bem. Só vou tomar um café e já vamos. Está bem, então enquanto tomas café eu vou levantar dinheiro para te pagar. Ah, então vou contigo. Mas não queres tomar o café? Não, não é preciso. Pronto. Já percebi. Tás com medo que eu me pisgue sem pagar, meu caro amigo (claro que isto já não foi em voz alta!). Tomámos um pequeno almoço na rua, com o sol matinal a compensar o frio que se fazia sentir. Um sumo de laranja excelente e um pão local também muito bom. Depois ele ficou um pouco, como dizer... desiludido, com o que lhe paguei. Lá conversámos, paguei mais qualquer coisa. E pronto. Ele teve de se aguentar. Já estava farto de gastar dinheiro. E o pior era que a culpa TAMBÉM era dele!!!! Parti a caminho das gargantas do Todra e do Dadés, para passar depois por Ouarzazate e ir ficar ainda a Marraquexe. Apercebi-me que estava mortinho por voltar a estar sozinho! Soube-me bem partir! A garganta do Todra é fabulosa. Mas com alguns turistas a mais - ou seja, todos os que não eram aqui o vosso cronista. Depois não passei pela outra garganta, já estava a ver o filme: chegada a Marraquexe fora de horas. Passei por Ouarzazate. Nada de especial. Os estúdios de cinema podiam dar uma visita gira, para quem tivesse tempo a mais... Subida ao Atlas novamente. Não nevava, e não estava tudo coberto de neve. Mas havia algum gelo na estrada. Passei pelo único acidente que vi na viagem toda: um autocarro que se tinha despistado com o gelo e cujo rodado da frente estava enfiado numa valeta de cascalho. Estava a acabar de chegar um limpa-neves para o ajudar a sair. Mais uma vez a organização parecia ser eficiente! O cenário era um pouco agreste... para não chamar outra coisa... talvez muito sujo fosse o mais adequado. Sobretudo na vertente Oeste. Lama. Em todo o lado. Tudo castanho escuro, mesmo nas pequenas povoações por onde se passou. Uma descida a confiar na tracção às 4. E a confiar que tinha visto bem a estrada antes de me pôr a ultrapassar em algumas curvas sem visibilidade. Foi aqui que vi que toda a gente deixa passar sem refilar. Até se chegam para o lado se conseguirem. Ora tentem fazer isso cá em Portugal...
Cheguei aos arredores de Marraquexe perto das 19h30. Já de noite. Cansado. E a pensar 'não estou para aturar mais gente à minha volta a tentar impingir-me tudo'... e como queria atravessar no dia a seguir, de preferência ainda cedo... resolvi o impensável: seguir viagem em direcção a Casablanca, sem visitar uma das cidades mais emblemáticas do país... Paciência, um dia destes eu volto cá. Não se pode ver tudo na mesma viagem! Mais 200 e tal quilómetros que poupei para o dia a seguir. Não tinha referência de hotéis, mas que se lixe, alguma coisa se há de encontrar! E encontrei. Um... Ibis, mesmo ao lado da autoestrada. Uma noite sossegada.
Combinámos encontrar-mo-nos às 8h30 para um pequeno-almoço. Eu acabo por dormir mal e levanto-me mais cedo. Como ainda são 8 horas, penso que antes de ele chegar, posso ir levantar dinheiro para lhe pagar. Claro que ele já lá está à minha espera. Então, não tínhamos combinado às 8h30? Não, era às 8h00. Ok, tudo bem. Só vou tomar um café e já vamos. Está bem, então enquanto tomas café eu vou levantar dinheiro para te pagar. Ah, então vou contigo. Mas não queres tomar o café? Não, não é preciso. Pronto. Já percebi. Tás com medo que eu me pisgue sem pagar, meu caro amigo (claro que isto já não foi em voz alta!). Tomámos um pequeno almoço na rua, com o sol matinal a compensar o frio que se fazia sentir. Um sumo de laranja excelente e um pão local também muito bom. Depois ele ficou um pouco, como dizer... desiludido, com o que lhe paguei. Lá conversámos, paguei mais qualquer coisa. E pronto. Ele teve de se aguentar. Já estava farto de gastar dinheiro. E o pior era que a culpa TAMBÉM era dele!!!! Parti a caminho das gargantas do Todra e do Dadés, para passar depois por Ouarzazate e ir ficar ainda a Marraquexe. Apercebi-me que estava mortinho por voltar a estar sozinho! Soube-me bem partir! A garganta do Todra é fabulosa. Mas com alguns turistas a mais - ou seja, todos os que não eram aqui o vosso cronista. Depois não passei pela outra garganta, já estava a ver o filme: chegada a Marraquexe fora de horas. Passei por Ouarzazate. Nada de especial. Os estúdios de cinema podiam dar uma visita gira, para quem tivesse tempo a mais... Subida ao Atlas novamente. Não nevava, e não estava tudo coberto de neve. Mas havia algum gelo na estrada. Passei pelo único acidente que vi na viagem toda: um autocarro que se tinha despistado com o gelo e cujo rodado da frente estava enfiado numa valeta de cascalho. Estava a acabar de chegar um limpa-neves para o ajudar a sair. Mais uma vez a organização parecia ser eficiente! O cenário era um pouco agreste... para não chamar outra coisa... talvez muito sujo fosse o mais adequado. Sobretudo na vertente Oeste. Lama. Em todo o lado. Tudo castanho escuro, mesmo nas pequenas povoações por onde se passou. Uma descida a confiar na tracção às 4. E a confiar que tinha visto bem a estrada antes de me pôr a ultrapassar em algumas curvas sem visibilidade. Foi aqui que vi que toda a gente deixa passar sem refilar. Até se chegam para o lado se conseguirem. Ora tentem fazer isso cá em Portugal...
Cheguei aos arredores de Marraquexe perto das 19h30. Já de noite. Cansado. E a pensar 'não estou para aturar mais gente à minha volta a tentar impingir-me tudo'... e como queria atravessar no dia a seguir, de preferência ainda cedo... resolvi o impensável: seguir viagem em direcção a Casablanca, sem visitar uma das cidades mais emblemáticas do país... Paciência, um dia destes eu volto cá. Não se pode ver tudo na mesma viagem! Mais 200 e tal quilómetros que poupei para o dia a seguir. Não tinha referência de hotéis, mas que se lixe, alguma coisa se há de encontrar! E encontrei. Um... Ibis, mesmo ao lado da autoestrada. Uma noite sossegada.
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Viagem a Marrocos
A minha mini-micro-nano Epopeia (7)
Sexto dia, 4 de Dezembro, 5ª-feira
Regresso matinal ao hotel, banho quente. Partida com o não-sabia-ainda-que-era-meu-guia. Nesse dia tinha decidido que queria fazer Merzouga em direcção a Ouarzazate através de pistas. Já tinha desistido de ir para Sul, estava a saber-me bem andar ao ritmo dos acontecimentos. Mas depois fiquei a saber que a pista estava fechada. tudo alagado, a pista destruída pelo caudal de água. Acabei por ficar mais um dia em Erfoud. Fartei-me de ter de dizer que não comprava mais nada. Os tipos são um bocadinho cansativos nisso. Até me ofereceram para levar as coisas e enviar o dinheiro depois, a partir de Portugal. Epá. Não quero mais nada! Mas é só para te mostrar os tapetes. E contar a sua história. Não quero, obrigado, não quero dar-te esse trabalho, porque não vou levar nada. Não faz mal, é o meu trabalho. Ok. Mas ficas avisado que não vou levar mais nada. ... depois de uns 40 minutos a ouvir a história dos diversos tapetes (que até é bem interessante) devo ter estado outros 20 a convencê-lo de que não levava nada e ponto final. Ele estava convencido que eu ia acabar por levar alguma coisa. Jantei com o guia, comprámos carne de peru, num talho, e levámos à loja ao lado, para grelhar (espetadas) e comer com pão. Delicioso. Têm de experimentar. Comida na rua, numa pequena e simples esplanada. Só faltou uma cervejinha a acompanhar... mas havia ... chá! Acho que até o guia se fartou de me ver beber chá. Foi aqui então que eu tive assim uma espécie de iluminação e percebi que... se calhar teria de lhe pagar qualquer coisa! Pronto, lá falámos e fiquei a perceber mais ou menos o que ele estava à espera. Dormida num hotel 'bahhh'nal. Limpinho e recente, mas sem nada de especial... a não ser a curiosidade de ter um piano de cauda numa das salas!
Regresso matinal ao hotel, banho quente. Partida com o não-sabia-ainda-que-era-meu-guia. Nesse dia tinha decidido que queria fazer Merzouga em direcção a Ouarzazate através de pistas. Já tinha desistido de ir para Sul, estava a saber-me bem andar ao ritmo dos acontecimentos. Mas depois fiquei a saber que a pista estava fechada. tudo alagado, a pista destruída pelo caudal de água. Acabei por ficar mais um dia em Erfoud. Fartei-me de ter de dizer que não comprava mais nada. Os tipos são um bocadinho cansativos nisso. Até me ofereceram para levar as coisas e enviar o dinheiro depois, a partir de Portugal. Epá. Não quero mais nada! Mas é só para te mostrar os tapetes. E contar a sua história. Não quero, obrigado, não quero dar-te esse trabalho, porque não vou levar nada. Não faz mal, é o meu trabalho. Ok. Mas ficas avisado que não vou levar mais nada. ... depois de uns 40 minutos a ouvir a história dos diversos tapetes (que até é bem interessante) devo ter estado outros 20 a convencê-lo de que não levava nada e ponto final. Ele estava convencido que eu ia acabar por levar alguma coisa. Jantei com o guia, comprámos carne de peru, num talho, e levámos à loja ao lado, para grelhar (espetadas) e comer com pão. Delicioso. Têm de experimentar. Comida na rua, numa pequena e simples esplanada. Só faltou uma cervejinha a acompanhar... mas havia ... chá! Acho que até o guia se fartou de me ver beber chá. Foi aqui então que eu tive assim uma espécie de iluminação e percebi que... se calhar teria de lhe pagar qualquer coisa! Pronto, lá falámos e fiquei a perceber mais ou menos o que ele estava à espera. Dormida num hotel 'bahhh'nal. Limpinho e recente, mas sem nada de especial... a não ser a curiosidade de ter um piano de cauda numa das salas!
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A minha mini-micro-nano Epopeia (6)
Quinto dia, 3 de Dezembro, 4ª-feira
Este dia foi passado no deserto. Mais dromedário (10 minutos). A pé o resto do dia. Sem grande conversas (ainda para mais o meu ‘dromedarista’ só fala um inglês muito fraco). Com tempo para contemplar a paisagem e para pensar. É incrível como nos conseguimos sentir culpados por passar algum tempo sem fazer nada a não ser descansar... Passámos por uma família nómada, acabámos por parar e tomámos um chá (mais um) com o chefe da família. Uma vida simples, dura, com tudo às costas. Mas de sorriso na cara.
Quando voltei, subi uma das dunas maiores a pé. Parecia estar a fazer montanha, a subir neve fofa. Foi fantástico. Sobretudo o silêncio, o frio e o pôr-do-sol. A descida foi vertiginosa e divertida. À là patex, claro. A pé, quero dizer. Mais uma noite com os 15 quilos em cima. Desta vez não havia italianos :-( Havia sim um grupo de espanhóis cheios de jipes, que ficaram no 'oásis' ao lado. Parece que tinham uma boa garrafeira e a festa durou até tarde.
Este dia foi passado no deserto. Mais dromedário (10 minutos). A pé o resto do dia. Sem grande conversas (ainda para mais o meu ‘dromedarista’ só fala um inglês muito fraco). Com tempo para contemplar a paisagem e para pensar. É incrível como nos conseguimos sentir culpados por passar algum tempo sem fazer nada a não ser descansar... Passámos por uma família nómada, acabámos por parar e tomámos um chá (mais um) com o chefe da família. Uma vida simples, dura, com tudo às costas. Mas de sorriso na cara.
Quando voltei, subi uma das dunas maiores a pé. Parecia estar a fazer montanha, a subir neve fofa. Foi fantástico. Sobretudo o silêncio, o frio e o pôr-do-sol. A descida foi vertiginosa e divertida. À là patex, claro. A pé, quero dizer. Mais uma noite com os 15 quilos em cima. Desta vez não havia italianos :-( Havia sim um grupo de espanhóis cheios de jipes, que ficaram no 'oásis' ao lado. Parece que tinham uma boa garrafeira e a festa durou até tarde.
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A minha mini-micro-nano Epopeia (5)
Quarto dia, 2 de Dezembro, 3ª-feira
Arranjo um mecânico. Primeiro contacto 'a sério' com Marrocos. O pessoal foi simpático. O ruído era de um dos pneus que tinha um papo e estava gretado. Estou convencido que foi do frio, na neve. Entretanto conheço um marroquino (de vários que conheci na hora, claro) que acaba por se propor a acompanhar-me a ver a zona de Merzouga e do Erg Chebbi. Claro que, atento como sou, só percebi que tinha arranjado um guia dois dias depois!... :-) Trocámos os dois pneus da frente. Entretanto estava lá parada uma moto com matrícula portuguesa. Pergunto se o condutor não estava por ali e fiquei a saber que tinha sido levado para o hospital pelos amigos, tinha partido qualquer coisa. A mecânica humana é tramada. Depois fomos andar por aí. Fomos visitar o Souk, onde entrei na casa dos avós do guia. A caminho de Merzouga, tempestade de areia. Fabuloso. Mal se via a estrada. Serpentes de areia a atravessar o pavimento. Às tantas saímos da estrada, virámos para o nada... até que aparece, no meio da parede de areia, um par de camelos gigantes, que marcam a entrada de um outro hotel. Dentro dos muros, a tempestade de areia é aceitável. É um hotel do estilo do Xaluca, os quartos são giros. Tomo mais um chá (dos muitos que tomei), e decido que quero andar de dromedário (cá está o verdadeiro espírito TT a dar de si...) e dormir no 'deserto'. Arranco para o 'oasis'. Entretanto a tempestade abrandou e passou. Andar de dromedário é fixe... nos primeiros 20 minutos. Os restantes 70 são passados a inventar novas posições que permitam distribuir o sofrimento de forma equitativa pelos nossos fundilhos. E a tentar tirar fotografias sem tremer demasiado a câmara, em cima daquilo que parece comportar-se como um barco desgovernado. Chegada ao oásis. Estava lá um par de italianos. Simpáticos. Não pensei que sabia falar italiano como falei. Estivemos horas na conversa. A comida não era má de todo. As sanitas no meio da areia, com a água castanha, foi um luxo do qual tentei não abusar! Dormir sob uns 15 quilos de cobertores era coisa de que já não me lembrava, desde os tempos da casa dos meus avós! Mas dormi quentinho, num T0 de 90 cm de altura, todo só para mim!!!!
Arranjo um mecânico. Primeiro contacto 'a sério' com Marrocos. O pessoal foi simpático. O ruído era de um dos pneus que tinha um papo e estava gretado. Estou convencido que foi do frio, na neve. Entretanto conheço um marroquino (de vários que conheci na hora, claro) que acaba por se propor a acompanhar-me a ver a zona de Merzouga e do Erg Chebbi. Claro que, atento como sou, só percebi que tinha arranjado um guia dois dias depois!... :-) Trocámos os dois pneus da frente. Entretanto estava lá parada uma moto com matrícula portuguesa. Pergunto se o condutor não estava por ali e fiquei a saber que tinha sido levado para o hospital pelos amigos, tinha partido qualquer coisa. A mecânica humana é tramada. Depois fomos andar por aí. Fomos visitar o Souk, onde entrei na casa dos avós do guia. A caminho de Merzouga, tempestade de areia. Fabuloso. Mal se via a estrada. Serpentes de areia a atravessar o pavimento. Às tantas saímos da estrada, virámos para o nada... até que aparece, no meio da parede de areia, um par de camelos gigantes, que marcam a entrada de um outro hotel. Dentro dos muros, a tempestade de areia é aceitável. É um hotel do estilo do Xaluca, os quartos são giros. Tomo mais um chá (dos muitos que tomei), e decido que quero andar de dromedário (cá está o verdadeiro espírito TT a dar de si...) e dormir no 'deserto'. Arranco para o 'oasis'. Entretanto a tempestade abrandou e passou. Andar de dromedário é fixe... nos primeiros 20 minutos. Os restantes 70 são passados a inventar novas posições que permitam distribuir o sofrimento de forma equitativa pelos nossos fundilhos. E a tentar tirar fotografias sem tremer demasiado a câmara, em cima daquilo que parece comportar-se como um barco desgovernado. Chegada ao oásis. Estava lá um par de italianos. Simpáticos. Não pensei que sabia falar italiano como falei. Estivemos horas na conversa. A comida não era má de todo. As sanitas no meio da areia, com a água castanha, foi um luxo do qual tentei não abusar! Dormir sob uns 15 quilos de cobertores era coisa de que já não me lembrava, desde os tempos da casa dos meus avós! Mas dormi quentinho, num T0 de 90 cm de altura, todo só para mim!!!!
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A minha mini-micro-nano Epopeia (4)
Terceiro dia, dia 1 de Dezembro, 2ª-feira
Passo em Meknès. Compro um telemóvel local. Pareço invisível na rua. É bom passar por árabe. E o carro não tem nada de especial, também passa desapercebido. Um polícia insiste que passei um semáforo vermelho. Eu só vi o verde a piscar (juro!). A coisa resolve-se quando ele vê o meu apelido e me pergunta se eu conheço um João Pinto. Eu fico baralhado, sem perceber como pode ele conhecer o meu pai! Depois falamos - CLARO! - de futebol... E pronto. Passou. Vou à esquadra local e tento apresentar queixa pelo roubo do telemóvel. Mas a história é tão estúpida, que me parece que o polícia deve ter ficado a pensar que eu queria era 'engatar' miúdos e que o engate deve ter corrido mal... :-) Depois de 10 minutos à espera que registassem a minha queixa, resolvo partir, que ainda tenho muitos quilómetros pela frente. Mas o pessoal na polícia foi simpático, apesar de tudo!
Arranco para Este, para atravessar o Atlas. Dou boleia a um ... Polícia. Simpático e conversador. Paro na terra onde ele saiu e encontro internet. A passo de caracol, mas dá para avisar o pessoal da falta de telemóvel.
Avanço mais uns quilómetros. O céu foi ficando cor de chumbo. Chego a uma pequena terra e vê-se a estrada fechada. Uma fila de carros espera... um frio glacial, começa a nevar. Entretanto chegou um limpa-neves e abre a barreira. Tudo atrás do bicho e toca a andar por aí acima. Dois passos de 2000 e 2200 metros (pelo GPS). Entre o primeiro e o segundo passo de altitude, enquanto espero pelo segundo limpa-neves, lembro-me que a minha bexiga já se vinha a queixar na subida anterior. Vejo uma série de portas atrás a abrirem-se, e parece uma procissão até ao muro mais próximo. Quando penso se faço ou não o mesmo, perco preciosos segundos enquanto penso 'bolas, à frente destes carros todos não consigo...' Depois vejo umas pessoas a irem 'visitar' a traseira de uma casinhota, mesmo junto à barreira da neve. Penso brevemente sobre o assunto. Erro crasso! Enquanto me encaminho para lá, o sítio passa a ser a casa de banho oficial das mulheres... Eu ainda tento colocar-me na fila. Mas elas pura e simplesmente fazem como se eu não existisse e, antes que as outras saiam de lá de trás, lá vão elas. E eu a vê-las passar! (parecia o anúncio do Mehari... ainda se lembram desse fabuloso TT?!?) Bom, depois de atravessar o Atlas com a ajuda de dois limpa-neves (o sistema estava bastante bem organizado), sigo em direcção a Erfoud. Ah! e entretanto consegui aligeirar a carga do carro... finalmente. Depois da neve, comecei a ouvir um barulho surdo, cíclico, vindo da roda direita à frente. Como percebo imenso de mecânica, pensei que poderia ser uma roda mal apertada. Apertei tudo pelo menos duas vezes! Mas o ruído continuou. Já de noite cerrada, só consigo imaginar que estou a perder cenários fantásticos pela estrada fora. Chegada a Erfoud às 21:30. Procuro o Xaluca, que no guia dizia ser um hotel com preço abaixo dos 50€. Deviam estar a falar do jantar, claro, porque por essa noite paguei cento e tal euros, quarto e jantar. Também devo dizer que aquilo é mesmo giro... claro que era mais giro se trouxesse pendura, de preferência no feminino. Mas o hotel é simpático e original. Há um novo, parecido, uns 200 metros antes, no lado oposto da estrada. Mas menos 'rústico'. Estive lá dentro mais tarde, a ver, e prefiro o Xaluca.
Passo em Meknès. Compro um telemóvel local. Pareço invisível na rua. É bom passar por árabe. E o carro não tem nada de especial, também passa desapercebido. Um polícia insiste que passei um semáforo vermelho. Eu só vi o verde a piscar (juro!). A coisa resolve-se quando ele vê o meu apelido e me pergunta se eu conheço um João Pinto. Eu fico baralhado, sem perceber como pode ele conhecer o meu pai! Depois falamos - CLARO! - de futebol... E pronto. Passou. Vou à esquadra local e tento apresentar queixa pelo roubo do telemóvel. Mas a história é tão estúpida, que me parece que o polícia deve ter ficado a pensar que eu queria era 'engatar' miúdos e que o engate deve ter corrido mal... :-) Depois de 10 minutos à espera que registassem a minha queixa, resolvo partir, que ainda tenho muitos quilómetros pela frente. Mas o pessoal na polícia foi simpático, apesar de tudo!
Arranco para Este, para atravessar o Atlas. Dou boleia a um ... Polícia. Simpático e conversador. Paro na terra onde ele saiu e encontro internet. A passo de caracol, mas dá para avisar o pessoal da falta de telemóvel.
Avanço mais uns quilómetros. O céu foi ficando cor de chumbo. Chego a uma pequena terra e vê-se a estrada fechada. Uma fila de carros espera... um frio glacial, começa a nevar. Entretanto chegou um limpa-neves e abre a barreira. Tudo atrás do bicho e toca a andar por aí acima. Dois passos de 2000 e 2200 metros (pelo GPS). Entre o primeiro e o segundo passo de altitude, enquanto espero pelo segundo limpa-neves, lembro-me que a minha bexiga já se vinha a queixar na subida anterior. Vejo uma série de portas atrás a abrirem-se, e parece uma procissão até ao muro mais próximo. Quando penso se faço ou não o mesmo, perco preciosos segundos enquanto penso 'bolas, à frente destes carros todos não consigo...' Depois vejo umas pessoas a irem 'visitar' a traseira de uma casinhota, mesmo junto à barreira da neve. Penso brevemente sobre o assunto. Erro crasso! Enquanto me encaminho para lá, o sítio passa a ser a casa de banho oficial das mulheres... Eu ainda tento colocar-me na fila. Mas elas pura e simplesmente fazem como se eu não existisse e, antes que as outras saiam de lá de trás, lá vão elas. E eu a vê-las passar! (parecia o anúncio do Mehari... ainda se lembram desse fabuloso TT?!?) Bom, depois de atravessar o Atlas com a ajuda de dois limpa-neves (o sistema estava bastante bem organizado), sigo em direcção a Erfoud. Ah! e entretanto consegui aligeirar a carga do carro... finalmente. Depois da neve, comecei a ouvir um barulho surdo, cíclico, vindo da roda direita à frente. Como percebo imenso de mecânica, pensei que poderia ser uma roda mal apertada. Apertei tudo pelo menos duas vezes! Mas o ruído continuou. Já de noite cerrada, só consigo imaginar que estou a perder cenários fantásticos pela estrada fora. Chegada a Erfoud às 21:30. Procuro o Xaluca, que no guia dizia ser um hotel com preço abaixo dos 50€. Deviam estar a falar do jantar, claro, porque por essa noite paguei cento e tal euros, quarto e jantar. Também devo dizer que aquilo é mesmo giro... claro que era mais giro se trouxesse pendura, de preferência no feminino. Mas o hotel é simpático e original. Há um novo, parecido, uns 200 metros antes, no lado oposto da estrada. Mas menos 'rústico'. Estive lá dentro mais tarde, a ver, e prefiro o Xaluca.
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Viagem a Marrocos
A minha mini-micro-nano Epopeia (3)
Segundo dia, 30 de Novembro, Domingo
Algeciras – Tânger. Depois de confirmar, às 9h30 da manhã, que o porto continuava fechado, lá parto eu para Algeciras, onde apanho um dos primeiros ferries do dia para Tânger. Ao contrário do que estavas à espera, as ‘marroquinices’ começam logo no porto de Algeciras! Uns ‘arrumadores’ das filas para os barcos lá me orientam para o barco, mas quando digo que ainda tenho de comprar bilhete, um deles leva-me a uma agência fora do porto, logo ali ao lado, para comprar os bilhetes (meu e do carro!). Pago um preço que até é próximo do que vi na internet… para depois verificar que o que ele me cobrou não era igual ao que estava no recibo… que eu não me lembrei de verificar antes de estar no barco!!!! Pronto, lá devo ter pago uma comissão de cerca de 30,00€ ao ‘arrumador’…
A travessia de barco foi normal, acho eu. Fila para carimbar o passaporte. Nada de jeito para comer no bar do barco. E descanso no salão da proa, a ver a costa africana a aproximar-se a um ritmo lento.
À saída do barco em Tânger, as confusões do costume na fronteira. Mais arrumadores, a pedirem os documentos do carro, para preencherem papéis que é necessário entregar à entrada. Vejo várias filas. O caos parece instalado… mas começo a perceber que a lentidão parece ser só para quem não avança com qualquer coisa… assim discretamente – ou não tão discretamente, como pude verificar! Mas pronto, lá se passou. Toca a levantar e trocar logo dinheiro, depois de sair dos portões da alfândega. Primeira descoberta: na primeira bomba de gasolina, vejo que há dois tipos de gasóleo, o mais caro ao mesmo preço que cá. Claro que enchi os dois Jerry-cans e o depósito com o mais barato!... para mais tarde constatar que o mais barato não compensava, porque os consumos eram bastante piores!
Nessa bomba tive o primeiro contacto com o bom humor marroquino! Precisava de um último apetrecho fundamental: um mapa de Marrocos, de preferência em condições, que não tinha conseguido nenhum por cá (é que eu supostamente faria a viagem acompanhado, ok?). O rapaz foi extremamente simpático e apareceu com um pequeno mapa, já meio antigo, mas que permitia ver as estradas fundamentais. Quando eu lhe perguntei quanto era, ele disse ’20 dirhams’… para o colega dele que estava a encher o depósito dizer logo ’20 dirhams? Não! São 200 dirhams’! O outro ficou a olhar para ele, trocaram umas palavras em árabe, e eu resolvi passar a mero observador, enquanto via um deles com cara de preocupado e o outro a rir-se! Finalmente lá assentámos nos 20 dirhams, ainda recebi um outro mapa que entretanto apareceu, grátis, porque já era antigo. Paguei o gasóleo e depois ainda quis oferecer uma gorjeta ao rapaz que me encheu o depósito, ao que ele se riu, dizendo ‘não, obrigado’!
A saída de Tânger implica atravessar grande parte da cidade, e é necessário estar atento à polícia e aos seus radares. Eles não perdoam, e os radares são muito discretos! Apanhei a auto-estrada da costa, em direcção a Casablanca, e depois saí para uma estrada secundária, em direcção a Meknès, pensando passar a noite a uns 30 quilómetros desta, com uma dormida em Volubilis. A viagem à noite mostrou-me a perícia dos condutores locais. Para além de alguma aselhice generalizada durante a noite – cheguei a pensar que eles ainda não tinham apurado como nós europeus a visão nocturna! – havia muita gente a andar a pé e de bicicleta na berma e, na falta dela, ou porque esta estava alagada... na faixa de rodagem... Conduzi, assim, grande parte do tempo encostado o mais possível à linha separadora, à espera, acreditando, que os tipos que vinham de frente se manteriam do lado deles... Para finalizar o dia, primeiro - e único - evento negativo da viagem: fiquei sem telemóvel. Lição: não sejas tão idiota e não 'ofereças' telemóveis, sobretudo quando são iPhones... mas é bom poder estar um pouco mais isolado do mundo, sem ter de dar justificações complicadas, basta um simples 'fiquei sem telemóvel!'
Algeciras – Tânger. Depois de confirmar, às 9h30 da manhã, que o porto continuava fechado, lá parto eu para Algeciras, onde apanho um dos primeiros ferries do dia para Tânger. Ao contrário do que estavas à espera, as ‘marroquinices’ começam logo no porto de Algeciras! Uns ‘arrumadores’ das filas para os barcos lá me orientam para o barco, mas quando digo que ainda tenho de comprar bilhete, um deles leva-me a uma agência fora do porto, logo ali ao lado, para comprar os bilhetes (meu e do carro!). Pago um preço que até é próximo do que vi na internet… para depois verificar que o que ele me cobrou não era igual ao que estava no recibo… que eu não me lembrei de verificar antes de estar no barco!!!! Pronto, lá devo ter pago uma comissão de cerca de 30,00€ ao ‘arrumador’…
A travessia de barco foi normal, acho eu. Fila para carimbar o passaporte. Nada de jeito para comer no bar do barco. E descanso no salão da proa, a ver a costa africana a aproximar-se a um ritmo lento.
À saída do barco em Tânger, as confusões do costume na fronteira. Mais arrumadores, a pedirem os documentos do carro, para preencherem papéis que é necessário entregar à entrada. Vejo várias filas. O caos parece instalado… mas começo a perceber que a lentidão parece ser só para quem não avança com qualquer coisa… assim discretamente – ou não tão discretamente, como pude verificar! Mas pronto, lá se passou. Toca a levantar e trocar logo dinheiro, depois de sair dos portões da alfândega. Primeira descoberta: na primeira bomba de gasolina, vejo que há dois tipos de gasóleo, o mais caro ao mesmo preço que cá. Claro que enchi os dois Jerry-cans e o depósito com o mais barato!... para mais tarde constatar que o mais barato não compensava, porque os consumos eram bastante piores!
Nessa bomba tive o primeiro contacto com o bom humor marroquino! Precisava de um último apetrecho fundamental: um mapa de Marrocos, de preferência em condições, que não tinha conseguido nenhum por cá (é que eu supostamente faria a viagem acompanhado, ok?). O rapaz foi extremamente simpático e apareceu com um pequeno mapa, já meio antigo, mas que permitia ver as estradas fundamentais. Quando eu lhe perguntei quanto era, ele disse ’20 dirhams’… para o colega dele que estava a encher o depósito dizer logo ’20 dirhams? Não! São 200 dirhams’! O outro ficou a olhar para ele, trocaram umas palavras em árabe, e eu resolvi passar a mero observador, enquanto via um deles com cara de preocupado e o outro a rir-se! Finalmente lá assentámos nos 20 dirhams, ainda recebi um outro mapa que entretanto apareceu, grátis, porque já era antigo. Paguei o gasóleo e depois ainda quis oferecer uma gorjeta ao rapaz que me encheu o depósito, ao que ele se riu, dizendo ‘não, obrigado’!
A saída de Tânger implica atravessar grande parte da cidade, e é necessário estar atento à polícia e aos seus radares. Eles não perdoam, e os radares são muito discretos! Apanhei a auto-estrada da costa, em direcção a Casablanca, e depois saí para uma estrada secundária, em direcção a Meknès, pensando passar a noite a uns 30 quilómetros desta, com uma dormida em Volubilis. A viagem à noite mostrou-me a perícia dos condutores locais. Para além de alguma aselhice generalizada durante a noite – cheguei a pensar que eles ainda não tinham apurado como nós europeus a visão nocturna! – havia muita gente a andar a pé e de bicicleta na berma e, na falta dela, ou porque esta estava alagada... na faixa de rodagem... Conduzi, assim, grande parte do tempo encostado o mais possível à linha separadora, à espera, acreditando, que os tipos que vinham de frente se manteriam do lado deles... Para finalizar o dia, primeiro - e único - evento negativo da viagem: fiquei sem telemóvel. Lição: não sejas tão idiota e não 'ofereças' telemóveis, sobretudo quando são iPhones... mas é bom poder estar um pouco mais isolado do mundo, sem ter de dar justificações complicadas, basta um simples 'fiquei sem telemóvel!'
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Viagem a Marrocos
A minha mini-micro-nano Epopeia (2)
Primeiro dia, 29 de Novembro de 2008, Sábado
Depois de ir ficar a Sesimbra na noite anterior, parto, já tarde, para Melilla, não sem antes fazer as habituais compras de última hora (bom, pelo menos, habituais para mim!). Viajo como se estivesse permanentemente a andar na terceira faixa da Ponte 25 de Abril. Um barulho danado dos pneus para TT. Cool. Até é giro! :-) Mas quando finalmente chego a Melilla o porto está fechado devido ao mau tempo. Un-cool... Aproveito para arranjar um quarto, e depois saio para jantar qualquer coisa. Coincidências ou não, acabo por encontrar um restaurante vegetariano, onde comi muito bem, e que nesse dia tinha tido uma sessão de constelações familiares!
Depois de ir ficar a Sesimbra na noite anterior, parto, já tarde, para Melilla, não sem antes fazer as habituais compras de última hora (bom, pelo menos, habituais para mim!). Viajo como se estivesse permanentemente a andar na terceira faixa da Ponte 25 de Abril. Um barulho danado dos pneus para TT. Cool. Até é giro! :-) Mas quando finalmente chego a Melilla o porto está fechado devido ao mau tempo. Un-cool... Aproveito para arranjar um quarto, e depois saio para jantar qualquer coisa. Coincidências ou não, acabo por encontrar um restaurante vegetariano, onde comi muito bem, e que nesse dia tinha tido uma sessão de constelações familiares!
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Viagem a Marrocos
A minha mini-micro-nano Epopeia (1)
Pois é… estava eu algures em Setembro, e não podia nem imaginar o que ia acabar por levar a cabo dois meses depois! Ainda hoje não consigo definir realmente o grau de importância que teve para mim essa experiência, não consigo ver todas as implicações e mudanças que vieram e continuam a vir desta pequena epopeia! Mas podemos começar pelo princípio… e quando virem qual foi a experiência até se podem rir do que escrevi… ‘o quê?, tanta coisa por causa disto?!?’. Pois. Mas foi a MINHA experiência. E afectou – e marcou – a MINHA vida. Por isso, se não gostarem, podem calar-se, ou ir ler outra coisa qualquer! Capice?!?
Bom, tudo começou quando decidi trocar de viatura. Confesso: já estava pelos cabelos com a Mondeo! Ok, era um bom carro, fiável, confortável, espaçoso, e blablabla… Mas o que é que querem?!? Eu queria mudar de vida… E para isso, não há nada como mudar de carro! … E então decidi realizar um velho ‘sonho’: ter um TT! Claro que, tendo em conta a minha bolsa … eh… hum… elegante?, magra?, esquelética?, não me podia permitir grandes voos… para mais, a carripana que arranjasse, tinha de cumprir uma série de requisitos, entre os quais: de preferência (obrigatória!!!), ser classe 1 nas portagens; poder continuar a transportar as minhas filhas; que não me gastasse o orçamento em combustível; que se portasse decentemente fora da estrada; e, já agora, porque não, podia ser descapotável! E pronto, claro que com estas limitações todas, poucas alternativas havia, e acabei por me decidir por um Land Rover Freelander. Lá encontrei um no Porto e, depois de umas quantas confusões, o negócio foi feito!
Entretanto andei na internet a ver informações, acessórios, etc… e andava nessa vida quando, de repente, me aparece um link para um passeio TT a Marrocos. Primeiro até pensei que já fosse uma coisa desactualizada. Mas de repente apercebo-me que era para daí a dois meses! E fiz uma coisa que normalmente não faria: enviar um email a pedir informações, só por curiosidade.
Claro que depois da resposta e de saber uma estimativa de custos, dei por mim a dizer ‘eu vou ao passeio’! E foi em cima da hora que comecei a preparar as coisas. Um ‘TTista’ que eu não conhecia de nenhum lado (obrigado João!), emprestou-me pneus e jantes de TT, mais adequados para o passeio do que os de origem; arranjei um pendura (que não conhecia de nenhum lado); e o organizador do passeio mandou-me uma lista com as coisas necessárias. E foi assim que lá parti para a ‘recolha’ do material e preparação da máquina!
Mas entretanto as coisas complicaram-se. Eu tinha o meu pai adoentado, e não sabia se tinha de desistir ou não. Os restantes participantes (cuja lista entretanto se tinha visto reduzida de 8 para 2 viaturas) estavam com problemas no local de trabalho e estavam a ver a viagem a ter de ser adiada. E eu, que nunca tinha feito umas férias sozinho, no meio da confusão, comecei a sentir uma decisão a nascer: eu vou a Marrocos, nem que vá sozinho! Claro que depois, a decisão acabou por mudar... mas mudou para um ‘espero que eles não possam ir, para eu ir mesmo sozinho!’ Enfim, aparte o egoísmo intrínseco a esta vontade, a verdade é que eu sentia que precisava deste desafio. De fazer umas férias sozinho, num destino mais arriscado! (pois, eu sei!... vá, dou-vos 5 minutos para se rirem até fartar, ok?).
E aquilo pelo que eu ansiava finalmente verificou-se: eles não podiam ir! Eu ia mesmo partir sozinho! Curiosamente fiquei muito contente, sem sentir sequer medo ou ansiedade! Estava pura e simplesmente satisfeito por ir enfrentar a viagem sozinho!
Claro que a viagem TT inicial, de carácter duro e ‘agreste’, passou para um passeio a Marrocos. Vários factores contribuíram para isso: o ir sozinho; ter um carro que não é um verdadeiro TT, puro e duro; ou mesmo o facto de a meteorologia nos dias anteriores à partida não estar de boa feição, tornando parte das pistas intransitável.
Mas para além disso tudo, a viagem acabou por ser uma viagem de descoberta pessoal! O que se segue é pois um relato reduzido da viagem. Para facilitar (?) a leitura, cada dia será uma entrada diferente no blog.
Bom, tudo começou quando decidi trocar de viatura. Confesso: já estava pelos cabelos com a Mondeo! Ok, era um bom carro, fiável, confortável, espaçoso, e blablabla… Mas o que é que querem?!? Eu queria mudar de vida… E para isso, não há nada como mudar de carro! … E então decidi realizar um velho ‘sonho’: ter um TT! Claro que, tendo em conta a minha bolsa … eh… hum… elegante?, magra?, esquelética?, não me podia permitir grandes voos… para mais, a carripana que arranjasse, tinha de cumprir uma série de requisitos, entre os quais: de preferência (obrigatória!!!), ser classe 1 nas portagens; poder continuar a transportar as minhas filhas; que não me gastasse o orçamento em combustível; que se portasse decentemente fora da estrada; e, já agora, porque não, podia ser descapotável! E pronto, claro que com estas limitações todas, poucas alternativas havia, e acabei por me decidir por um Land Rover Freelander. Lá encontrei um no Porto e, depois de umas quantas confusões, o negócio foi feito!
Entretanto andei na internet a ver informações, acessórios, etc… e andava nessa vida quando, de repente, me aparece um link para um passeio TT a Marrocos. Primeiro até pensei que já fosse uma coisa desactualizada. Mas de repente apercebo-me que era para daí a dois meses! E fiz uma coisa que normalmente não faria: enviar um email a pedir informações, só por curiosidade.
Claro que depois da resposta e de saber uma estimativa de custos, dei por mim a dizer ‘eu vou ao passeio’! E foi em cima da hora que comecei a preparar as coisas. Um ‘TTista’ que eu não conhecia de nenhum lado (obrigado João!), emprestou-me pneus e jantes de TT, mais adequados para o passeio do que os de origem; arranjei um pendura (que não conhecia de nenhum lado); e o organizador do passeio mandou-me uma lista com as coisas necessárias. E foi assim que lá parti para a ‘recolha’ do material e preparação da máquina!
Mas entretanto as coisas complicaram-se. Eu tinha o meu pai adoentado, e não sabia se tinha de desistir ou não. Os restantes participantes (cuja lista entretanto se tinha visto reduzida de 8 para 2 viaturas) estavam com problemas no local de trabalho e estavam a ver a viagem a ter de ser adiada. E eu, que nunca tinha feito umas férias sozinho, no meio da confusão, comecei a sentir uma decisão a nascer: eu vou a Marrocos, nem que vá sozinho! Claro que depois, a decisão acabou por mudar... mas mudou para um ‘espero que eles não possam ir, para eu ir mesmo sozinho!’ Enfim, aparte o egoísmo intrínseco a esta vontade, a verdade é que eu sentia que precisava deste desafio. De fazer umas férias sozinho, num destino mais arriscado! (pois, eu sei!... vá, dou-vos 5 minutos para se rirem até fartar, ok?).
E aquilo pelo que eu ansiava finalmente verificou-se: eles não podiam ir! Eu ia mesmo partir sozinho! Curiosamente fiquei muito contente, sem sentir sequer medo ou ansiedade! Estava pura e simplesmente satisfeito por ir enfrentar a viagem sozinho!
Claro que a viagem TT inicial, de carácter duro e ‘agreste’, passou para um passeio a Marrocos. Vários factores contribuíram para isso: o ir sozinho; ter um carro que não é um verdadeiro TT, puro e duro; ou mesmo o facto de a meteorologia nos dias anteriores à partida não estar de boa feição, tornando parte das pistas intransitável.
Mas para além disso tudo, a viagem acabou por ser uma viagem de descoberta pessoal! O que se segue é pois um relato reduzido da viagem. Para facilitar (?) a leitura, cada dia será uma entrada diferente no blog.
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Viagem a Marrocos
segunda-feira, 9 de março de 2009
Bolas!, que nunca mais escrevi por aqui!...
... o que vale é que a produção 'literária' não parou! Outras paragens levam parte da atenção e da escrita! Mas estou numa fase de escrita intensa, o que sabe bem! :-)
Mais coisas gostaria de aqui escrever, mas há coisas que não se partilham com mais ninguém! Por isso, cá fica apenas a nota: não me esqueci, nem me baldei ... muito.
O objectivo principal era escrever, deitar coisas cá para fora, e isso continuo a fazer!
Mais coisas gostaria de aqui escrever, mas há coisas que não se partilham com mais ninguém! Por isso, cá fica apenas a nota: não me esqueci, nem me baldei ... muito.
O objectivo principal era escrever, deitar coisas cá para fora, e isso continuo a fazer!
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Partilhas sem partilha
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
O assunto do mecânico
Pois depois das últimas novidades sobre o assunto da dívida que determinado mecânico tem aqui para com o vosso mui ilustre amigo e conselheiro (ah, que soberba!), com a questão das chamadas de telemóvel não atendidas, as chaves 'encontradas' de alguns carros da oficina do referido sujeito, a mensagem a dizer-lhe que lhe entregava as chaves 'encontradas' quando ele se encontrasse comigo para me pagar o dinheiro em falta, e o contacto dele a encarar finalmente alguma verdade no meio desta novela que já dura há mais de ano e meio, onde basicamente ele assumia que, para já não me conseguia pagar, ficou o assunto a marinar um pouco, num silêncio mútuo.
Silêncio esse quebrado na 4ª-feira, ao final da manhã, quando ele me telefonou a dizer que precisava apenas de uma das três chaves, pois se entregasse o carro recebia o pagamento, e podia pagar-me 1/4 da dívida (250€). Eu até lhe disse que não queria ter as chaves e que lhas entregava todas, mas ele insistiu que não!, que lhas podia entregar à medida que me fosse pagando, que preferia assim e tal e coisa! E eu, como boa pessoa - ou melhor, como TRENGO - que sou, lá fui com as chaves na mão. E lá lhas entreguei. E recebi a promessa de que nesse dia, ao final do dia, teria o dinheiro. Eu disse-lhe logo que tinha as minhas filhas, de modo que ele que deixasse o dinheiro na oficina, com a empregada, que eu passava lá na manhã seguinte.
Escusado será dizer que na manhã seguinte o dinheiro não estava com a funcionária, que nem sabia de nada, pelos vistos nem das chaves 'encontradas'! Depois de um telefonema, lá me explicou o homem que no dia anterior não tinha podido ir buscar o dinheiro, mas que já tinha um cheque em mão, de "248€ e qq coisa", e que mo entregava no fina do dia, quando chegasse a Aveiro. Bom, correndo o risco de me repetir, escusado será dizer que no fim do dia nicles-batatóides, népias, dinheiro nem vê-lo, e telefonema também não.
Hoje esperei até depois do almoço e apareci por lá, pelas 14h30. Estava ele para sair para verificar um carro. Lá me disse para eu aparecer antes no final do dia, entre as 18h30 e as 19h00, que me pagava tudo. Pagar tudo? hummmm. Mas mesmo a sério? é que estou cansado de ouvir sempre a mesma coisa. Sim. Pago-lhe tudo. Ok, então até logo. E fui à minha vida, ou seja, fui perder tempo para o Jumbo, super-chateado por, mais uma vez não ter conseguido nada daquele parvalhão, que já não posso com esta Merda! Estava a chegar ao Jumbo e resolvi que não me apetecia enfiar-me lá dentro, pelo que dei meia-volta e arranquei para o McDonalds do Feira-Nova.
Estacionei, muito bem, devo dizer, a passar por entre dois carros, apertadinho, e estacionar no lugar do outro lado, tudo de uma só manobra - valha-nos ao menos ser minimamente bom em alguma coisa, porra! - e lá entrei para a picadora de carne, tamanho gigante.
Infelizmente não estava a moça que por vezes me brinda um sorriso super-agradável, mas pronto, apanhei o caixa-de-óculos mais-ou-menos-simpático-mas-distraído-com'a-puta-que-o-pariu - desculpem a linguagem - e lá fiz o meu pedido. Escusado será dizer que este McDonalds sofre de uma doença crónica, que, infelizmente só deve afectar um único e exclusivo cliente de há anos: EU mesmo, aqui o vosso Luís. E a doença é o quê, perguntam vocês? a doença do ai-pois-é-tinhamos-os-6-fritadores-de-batatas-todos-a-funcionar-todas-as-batatas-já-fritas-não-vai-ter-de-esperar-nada-pelas-suas-batatas!-...-a-não-ser-que-as-peça-sem-Sal-claro,-que-aí,-eu-mesmo-que-o-atendi,-vou-lá-e-viro-todos-os-cestos-de-batatas-e-ainda-lhes-coloco-sal-em-cima-sem-o-ouvir-gritar-em-desespero-ERAM-BATATAS-SEM-SAL!-e-depois-digo-lhe-que-só-tem-de-esperar-3-minutos-que-já-lhe-levo-as-batatas-quentinhas. E FODA-SE, que hoje já estava mal com a merda do mecânico e passei-me! Eu que nunca refilo com nada, quando o gajo voltou com as mãos a abanar, disse-lhe "Para a próxima vez, se estiver com um bocadinho mais de atenção, escuso de ficar à espera das batatas sem sal quando já tinha lá batatas sem sal!" Só me faltou chamar-lhe... distraído!... óscar! ... azelha!... pois, devia ser qualquer coisa mais potente, eu sei, mas o que querem?!? falar mais alto e chateado já foi um grande passo! Chamar nomes, isso há de chegar, sei lá, talvez daqui a um ou dois anos... Bom, ainda bem que não estava lá a tal moça, porque se estivesse, eu fazia um sorriso estúpido, daqueles que só mesmo os homens mais idiotas fazem, perante uma mulher, quando não sabem o que fazer com as mãos, com os pés, com a cara, com os olhos, quero dizer, o que preferiam mesmo era não estar lá, a fazer figura de urso!... e não refilava nada, se fosse preciso até ia eu servir-me das batatas...
... mas o que é que eu estava a contar, afinal?... ah, ok, o mister-mentiras-em-pessoa, o Sr. Toma-lá-mais-uma-mentira-que-eu-sou-um-mentiroso-compulsivo-que-não-consigo-evitar.
Bom, mas entretanto lá acabei a merda das batatas sem sal mais o hamburguer e o meio-litro de coca-cola, e decidi fazer uma visita à Decathlon. Depois de ter estado pelo menos meia hora à conversa com uma miúda que já não via há séculos - ex-montanheira - estive aí pelo menos mais uma hora dentro da Decathlon a ver coisas e a pensar que me davam jeito uns calções e umas calças para o Caminho de Santiago, e lá acabei por sair sem comprar nada - GRAÇAS A DEUS, NÉ?!?!? - enfiei-me no carro, e entretanto ia a pensar Aquele Cabrão ainda me vai pregar a partida, chego lá às 18h30 e o gajo não está lá, nem o dinheiro... Tenho de lá ir buscar mais umas chaves! ... foda-se vou mas é para casa trabalhar uma hora, e depois apareço lá um pouco mais cedo e logo se vê. E lá fui eu para casa...
Entretanto, em casa, telefona o caramelo, a dizer que tinha tido de ir não-sei-onde e que tínhamos de combinar uma hora para amanhã, Sábado, durante a manhã. Mas que chegava mais ou menos tarde hoje, pelo que seria melhor se fosse lá para as 10 e meia, onze. Ok, digo eu. E lá me senti mais uma vez o Bobo da Corte! Ah, e a oficina não está aberta, telefone-me para eu abrir a porta. OK! Esta então não fazia de mim o Bobo da Corte, mas o Bobo da Galáxia! E pronto, fiquei a pensar Este gajo não me vai pagar nunca, e entretanto já lhe devolvi a chave mais problemática. FODA-SE este gajo! Estúpido! Energúmeno! Parvalhão! Idiota! - EU, claro!
E foi assim que parti para a guerra. Calcei as botas de duas toneladas, apertei os laços, vesti o camuflado, fechei o zip do casac... FODA-SE! TRILHEI A BARBA!, Irra! que dói! pintei o rosto de verde e preto-óleo, entrei no Chaimite e encaminhei-me para a frente de batalha, para uma guerra sem quartel, sem ter nenhumas estatísticas sobre baixas e danos colaterais, que ainda não instalei a ligação ao pentágono no bicho... Pronto, talvez esteja a exagerar um pouco... mas foi isso que senti, confesso.
E quando lá cheguei correu tudo maravilhosamente. Claro que o homem não estava, nem o dinheiro, não. O maravilhosamente não era por isso. A funcionária é que já lá não estava, e só estava o mecânico principal, que estava à volta de um Range Rover, modelo anterior ao mais recente. Logo, o caminho para o painel das chaves estava livre! E lá avancei eu, a rastejar, no meio do sangue e dos destroços - quero dizer, no meio do óleo e dos restos de peças - e consegui, com o coração quase a sair pela boca, 'encontrar' mais umas quantas chaves, claro que quando tinha as mãos atafulhadas com elas tinha logo de aparecer no meu campo de visão uma senhora que lá estava, aparentemente também à espera de alguém... de repente parece que tinha braços a mais, que estes eram do tamanho de elefantes gigantes, bem visíveis a partir de qualquer lado ao redor, em pelo menos uns 25 quilómetros... e lá consegui enfiar as chaves nos bolsos de trás das calças...
Mas o que eu precisava para ganhar a guerra era mesmo uma das chaves de um dos carros em que estavam a trabalhar, porque esses deviam ser os mais urgentes... e esses eram o diabo, porque estavam todos na oficina, onde estava o mecânico... e então eu lá me aproximei e perguntei se o patrão demorava. Não, deve estar a chegar. Ok.... esse Range Rover só tem uma bateria? Sim, mas esta até nem é a original. Devia levar uma mais potente, porque no arranque nota-se. Ah, pois. Devia ser aí de uns 100 amperes. Ah, pois. Esta é só de 75 amperes. Ah, pois. Mas a versão anterior levava duas baterias, não era? Sim, eram duas. Ah pois. E entretanto um movimento inesperado, e ele acabou de colocar o óleo no motor, e foi lavar as mãos. Lavar as mãos! Com óleo! De um dia inteiro de trabalho! Mas isso dá, pelo menos, para uns 5 a dez minutos à vontade!!!!! Mas estás à espera de quê, meu grande bestalhonço?!?!? Então se o Range Rover é mesmo o carro do patrão, estás à espera de quê para lhe levar a chave, que até está na ignição?!? Porra, quase borrava as calças! Mas lá consegui abrir a porta do pendura, que ficava mais discreta, tirar a chave, fechar a porta BEM D-E-V-A-G-A-R-I-N-H-O, meter a chave no bolso, onde coubesse, que as outras já ocupavam muito espaço. E depois pensei Mas e agora o que faço? O gajo volta de lavar as mãos e vai ligar o carro para ver se está tudo bem, e a chave não está na ignição!! E claro que percebe que fui eu!!! FODA-SE! E AGORA?!? (leiam as duas últimas palavras a tremer, ok?) Mais um golpe de génio. Cheguei-me à porta da casa de banho. Olhe, diga ao seu patrão que estive aqui. Já é tarde, ele disse que estava cá lá para as seis e meia. Tenho de me ir embora. Ok, eu digo. Chauzinho!
E pronto, consegui deixar o campo de batalha, sem nenhuma ferida - quer dizer, para além das marcas das chaves nas nádegas, resultantes de me sentar apressadamente em cima delas - e sem ter sido detectado pelo inimigo! E pronto, agora o gajo que se vire para encontrar a chave do carro. Claro que deve ter uma chave sobresselente. Mas isso não é para aqui chamado, porra! O que interessa é a vitória 'moral'! E pronto, agora só vê a chave quando eu tiver depositado o dinheiro todo. Não é quando receber o cheque, é quando eu vir que o cheque tinha cobertura e que entrou na conta!
Ah, de vez em quando a vida é bela! Mesmo que seja só pelo prazer de sentir que fizemos alguma coisa vagamente ilegal...
Silêncio esse quebrado na 4ª-feira, ao final da manhã, quando ele me telefonou a dizer que precisava apenas de uma das três chaves, pois se entregasse o carro recebia o pagamento, e podia pagar-me 1/4 da dívida (250€). Eu até lhe disse que não queria ter as chaves e que lhas entregava todas, mas ele insistiu que não!, que lhas podia entregar à medida que me fosse pagando, que preferia assim e tal e coisa! E eu, como boa pessoa - ou melhor, como TRENGO - que sou, lá fui com as chaves na mão. E lá lhas entreguei. E recebi a promessa de que nesse dia, ao final do dia, teria o dinheiro. Eu disse-lhe logo que tinha as minhas filhas, de modo que ele que deixasse o dinheiro na oficina, com a empregada, que eu passava lá na manhã seguinte.
Escusado será dizer que na manhã seguinte o dinheiro não estava com a funcionária, que nem sabia de nada, pelos vistos nem das chaves 'encontradas'! Depois de um telefonema, lá me explicou o homem que no dia anterior não tinha podido ir buscar o dinheiro, mas que já tinha um cheque em mão, de "248€ e qq coisa", e que mo entregava no fina do dia, quando chegasse a Aveiro. Bom, correndo o risco de me repetir, escusado será dizer que no fim do dia nicles-batatóides, népias, dinheiro nem vê-lo, e telefonema também não.
Hoje esperei até depois do almoço e apareci por lá, pelas 14h30. Estava ele para sair para verificar um carro. Lá me disse para eu aparecer antes no final do dia, entre as 18h30 e as 19h00, que me pagava tudo. Pagar tudo? hummmm. Mas mesmo a sério? é que estou cansado de ouvir sempre a mesma coisa. Sim. Pago-lhe tudo. Ok, então até logo. E fui à minha vida, ou seja, fui perder tempo para o Jumbo, super-chateado por, mais uma vez não ter conseguido nada daquele parvalhão, que já não posso com esta Merda! Estava a chegar ao Jumbo e resolvi que não me apetecia enfiar-me lá dentro, pelo que dei meia-volta e arranquei para o McDonalds do Feira-Nova.
Estacionei, muito bem, devo dizer, a passar por entre dois carros, apertadinho, e estacionar no lugar do outro lado, tudo de uma só manobra - valha-nos ao menos ser minimamente bom em alguma coisa, porra! - e lá entrei para a picadora de carne, tamanho gigante.
Infelizmente não estava a moça que por vezes me brinda um sorriso super-agradável, mas pronto, apanhei o caixa-de-óculos mais-ou-menos-simpático-mas-distraído-com'a-puta-que-o-pariu - desculpem a linguagem - e lá fiz o meu pedido. Escusado será dizer que este McDonalds sofre de uma doença crónica, que, infelizmente só deve afectar um único e exclusivo cliente de há anos: EU mesmo, aqui o vosso Luís. E a doença é o quê, perguntam vocês? a doença do ai-pois-é-tinhamos-os-6-fritadores-de-batatas-todos-a-funcionar-todas-as-batatas-já-fritas-não-vai-ter-de-esperar-nada-pelas-suas-batatas!-...-a-não-ser-que-as-peça-sem-Sal-claro,-que-aí,-eu-mesmo-que-o-atendi,-vou-lá-e-viro-todos-os-cestos-de-batatas-e-ainda-lhes-coloco-sal-em-cima-sem-o-ouvir-gritar-em-desespero-ERAM-BATATAS-SEM-SAL!-e-depois-digo-lhe-que-só-tem-de-esperar-3-minutos-que-já-lhe-levo-as-batatas-quentinhas. E FODA-SE, que hoje já estava mal com a merda do mecânico e passei-me! Eu que nunca refilo com nada, quando o gajo voltou com as mãos a abanar, disse-lhe "Para a próxima vez, se estiver com um bocadinho mais de atenção, escuso de ficar à espera das batatas sem sal quando já tinha lá batatas sem sal!" Só me faltou chamar-lhe... distraído!... óscar! ... azelha!... pois, devia ser qualquer coisa mais potente, eu sei, mas o que querem?!? falar mais alto e chateado já foi um grande passo! Chamar nomes, isso há de chegar, sei lá, talvez daqui a um ou dois anos... Bom, ainda bem que não estava lá a tal moça, porque se estivesse, eu fazia um sorriso estúpido, daqueles que só mesmo os homens mais idiotas fazem, perante uma mulher, quando não sabem o que fazer com as mãos, com os pés, com a cara, com os olhos, quero dizer, o que preferiam mesmo era não estar lá, a fazer figura de urso!... e não refilava nada, se fosse preciso até ia eu servir-me das batatas...
... mas o que é que eu estava a contar, afinal?... ah, ok, o mister-mentiras-em-pessoa, o Sr. Toma-lá-mais-uma-mentira-que-eu-sou-um-mentiroso-compulsivo-que-não-consigo-evitar.
Bom, mas entretanto lá acabei a merda das batatas sem sal mais o hamburguer e o meio-litro de coca-cola, e decidi fazer uma visita à Decathlon. Depois de ter estado pelo menos meia hora à conversa com uma miúda que já não via há séculos - ex-montanheira - estive aí pelo menos mais uma hora dentro da Decathlon a ver coisas e a pensar que me davam jeito uns calções e umas calças para o Caminho de Santiago, e lá acabei por sair sem comprar nada - GRAÇAS A DEUS, NÉ?!?!? - enfiei-me no carro, e entretanto ia a pensar Aquele Cabrão ainda me vai pregar a partida, chego lá às 18h30 e o gajo não está lá, nem o dinheiro... Tenho de lá ir buscar mais umas chaves! ... foda-se vou mas é para casa trabalhar uma hora, e depois apareço lá um pouco mais cedo e logo se vê. E lá fui eu para casa...
Entretanto, em casa, telefona o caramelo, a dizer que tinha tido de ir não-sei-onde e que tínhamos de combinar uma hora para amanhã, Sábado, durante a manhã. Mas que chegava mais ou menos tarde hoje, pelo que seria melhor se fosse lá para as 10 e meia, onze. Ok, digo eu. E lá me senti mais uma vez o Bobo da Corte! Ah, e a oficina não está aberta, telefone-me para eu abrir a porta. OK! Esta então não fazia de mim o Bobo da Corte, mas o Bobo da Galáxia! E pronto, fiquei a pensar Este gajo não me vai pagar nunca, e entretanto já lhe devolvi a chave mais problemática. FODA-SE este gajo! Estúpido! Energúmeno! Parvalhão! Idiota! - EU, claro!
E foi assim que parti para a guerra. Calcei as botas de duas toneladas, apertei os laços, vesti o camuflado, fechei o zip do casac... FODA-SE! TRILHEI A BARBA!, Irra! que dói! pintei o rosto de verde e preto-óleo, entrei no Chaimite e encaminhei-me para a frente de batalha, para uma guerra sem quartel, sem ter nenhumas estatísticas sobre baixas e danos colaterais, que ainda não instalei a ligação ao pentágono no bicho... Pronto, talvez esteja a exagerar um pouco... mas foi isso que senti, confesso.
E quando lá cheguei correu tudo maravilhosamente. Claro que o homem não estava, nem o dinheiro, não. O maravilhosamente não era por isso. A funcionária é que já lá não estava, e só estava o mecânico principal, que estava à volta de um Range Rover, modelo anterior ao mais recente. Logo, o caminho para o painel das chaves estava livre! E lá avancei eu, a rastejar, no meio do sangue e dos destroços - quero dizer, no meio do óleo e dos restos de peças - e consegui, com o coração quase a sair pela boca, 'encontrar' mais umas quantas chaves, claro que quando tinha as mãos atafulhadas com elas tinha logo de aparecer no meu campo de visão uma senhora que lá estava, aparentemente também à espera de alguém... de repente parece que tinha braços a mais, que estes eram do tamanho de elefantes gigantes, bem visíveis a partir de qualquer lado ao redor, em pelo menos uns 25 quilómetros... e lá consegui enfiar as chaves nos bolsos de trás das calças...
Mas o que eu precisava para ganhar a guerra era mesmo uma das chaves de um dos carros em que estavam a trabalhar, porque esses deviam ser os mais urgentes... e esses eram o diabo, porque estavam todos na oficina, onde estava o mecânico... e então eu lá me aproximei e perguntei se o patrão demorava. Não, deve estar a chegar. Ok.... esse Range Rover só tem uma bateria? Sim, mas esta até nem é a original. Devia levar uma mais potente, porque no arranque nota-se. Ah, pois. Devia ser aí de uns 100 amperes. Ah, pois. Esta é só de 75 amperes. Ah, pois. Mas a versão anterior levava duas baterias, não era? Sim, eram duas. Ah pois. E entretanto um movimento inesperado, e ele acabou de colocar o óleo no motor, e foi lavar as mãos. Lavar as mãos! Com óleo! De um dia inteiro de trabalho! Mas isso dá, pelo menos, para uns 5 a dez minutos à vontade!!!!! Mas estás à espera de quê, meu grande bestalhonço?!?!? Então se o Range Rover é mesmo o carro do patrão, estás à espera de quê para lhe levar a chave, que até está na ignição?!? Porra, quase borrava as calças! Mas lá consegui abrir a porta do pendura, que ficava mais discreta, tirar a chave, fechar a porta BEM D-E-V-A-G-A-R-I-N-H-O, meter a chave no bolso, onde coubesse, que as outras já ocupavam muito espaço. E depois pensei Mas e agora o que faço? O gajo volta de lavar as mãos e vai ligar o carro para ver se está tudo bem, e a chave não está na ignição!! E claro que percebe que fui eu!!! FODA-SE! E AGORA?!? (leiam as duas últimas palavras a tremer, ok?) Mais um golpe de génio. Cheguei-me à porta da casa de banho. Olhe, diga ao seu patrão que estive aqui. Já é tarde, ele disse que estava cá lá para as seis e meia. Tenho de me ir embora. Ok, eu digo. Chauzinho!
E pronto, consegui deixar o campo de batalha, sem nenhuma ferida - quer dizer, para além das marcas das chaves nas nádegas, resultantes de me sentar apressadamente em cima delas - e sem ter sido detectado pelo inimigo! E pronto, agora o gajo que se vire para encontrar a chave do carro. Claro que deve ter uma chave sobresselente. Mas isso não é para aqui chamado, porra! O que interessa é a vitória 'moral'! E pronto, agora só vê a chave quando eu tiver depositado o dinheiro todo. Não é quando receber o cheque, é quando eu vir que o cheque tinha cobertura e que entrou na conta!
Ah, de vez em quando a vida é bela! Mesmo que seja só pelo prazer de sentir que fizemos alguma coisa vagamente ilegal...
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