sábado, 4 de julho de 2009

No Vietnam

Partida a 1 de Julho, de Lisboa, chegada a 2 de Julho, a Ho Chi Minh, a antiga Saigão, nome pelo qual ainda hoje em dia é conhecida.

O regresso previsto será no dia 12, com chegada a Lisboa no dia 13. Acho que está a ficar demasiado próximo!

Já devia ter começado a escrever, mas para quem me conhece, isto também não é nenhuma novidade, não é verdade?

Depois de cá ter chegado no dia 2, 5º-feira, de repente apercebo-me que já é Domingo. Bom, são apenas duas da manhã, mas não deixa de ser Domingo! Por momentos tive mesmo de ir confirmar o calendário, para garantir que não era erro do computador...

Mas e que tal se fossemos ao que interessa? A verdade é que não sei bem por onde começar. Suponho que pelo princípio, o que até acaba por ir levar a um assunto que é particularmente interessante e curioso. Pelo menos para mim!

Ah! E um aviso!, antes de começar. Isto está a ser escrito às duas da matina ok?!?, e vai tudo de seguida! Porque já estou para escrever há dias. E porque já vos tinha dito que ia escrever hoje, ok? E a questão das fotos ainda vai ser outro berbicacho, porque ainda tenho de escolher algumas... Ai ai... Estou a ver a linda noitada que me espera... Por isso, perdoem lá qualquer coisita no texto, ok? Que eu hoje não consigo rever o texto. Acho.

Então e qual o tema de início, perguntam vocês, já fartos de tanta conversa fiada. E fazem muito bem. Se não apertam comigo, eu mesmo não vou conseguir escrever o que queria escrever, porque me perco em deambulações idiótico-o-que-vocês-quiserem-acrescentar-aqui-que-acabe-em-ês-por-exemplo...

Ok, já chega. Estou só com vontade de vos chatear um pouco mais. Antes de escrever a sério. Ok? Eu sei que sabem. Para bom entendedor meia palavra basta. E eu sei que vocês são bons entendedores. Vamos lá ao texto (para os que aguentaram até aqui! hehehe).

Pois o tema surgiu por acaso, inicialmente, e depois acabou por se infiltrar no nosso dia-a-dia. Trata-se, tcha-tcham!, do trânsito nas estradas vietnamitas.

E surgiu por acaso porque, quando estávamos em aproximação à pista de Ho Chi Minh, por volta das 14h15 horas locais (mais 7 horas do que em Lisboa, para o caso de poder ser útil sabê-lo), como dizia, quando estávamos em aproximação à pista, reparei em duas coisas: a primeira foi a organização espacial das áreas urbanas, e o colorido das fachadas; a segunda foi o número de aceleras na estrada. Do que vi de lá de cima, fiquei com a nítida impressão de que estas correspondiam a, pelo menos, uns 85 a 90% do tráfego nas estradas. Claro que uma presença tão forte de veículos de duas rodas não podia passar despercebida. Foi talvez mesmo a coisa que mais me chamou a atenção. E pronto. Esta foi a origem deste tema.

Antes de entrar na carrinha do hotel que me foi buscar ao aeroporto, e de mergulhar no trânsito local, podia falar-vos do episódio do primeiro câmbio que fiz, ainda no aeroporto. Mas esta história de como fiquei a ganhar dinheiro só porque no balcão de câmbios não tinham notas das pequenas fica para outra altura, ok? Por agora vamos cingir-nos ao tráfego (gostaram?, gostaram desta técnica de manter o interesse para os próximos episódios?).

Então entrámos na carrinha. Eu e os dois rapazes que me foram buscar, com um poster a dizer Luís (por acaso acho que era mesmo só Luís, sem o Pinto à frente). Ar-condicionado ligado. Claro. Porque com um mínimo de 32 graus que deviam estar lá fora, anda tudo com o ar-condicionado ligado. Pagámos o parque. Saímos do parque. E começam as aceleras a aparecer de todos os lados. Sabem aquelas pragas de baratas, em que parece que elas surgem de todos os lados, e vão em todas as direcções, por vezes até passando umas por cima das outras, em trânsito contínuo e ininterrupto? (acabei de ‘fazer’ um pleonasmo, não foi?... mas aqui faz mesmo sentido, porque reforça a noção daquilo que realmente acontece!). Pois era mais ou menos – mais mesmo para o mais – que ... bolas!, estas repetições dão cabo de mim... era mesmo isso que se podia ver. Excepto a parte de passarem de vez em quando umas por cima das outras, claro!!! Ou talvez não tão claro. Porque, num primeiro impacto, ficamos sem perceber como não se vêm ambulâncias em todos os cantos e esquinas. Mas eu já vos dou uma noção mais acertada do trânsito local.

É interessante verificar que, efectivamente, o tráfego é constituído, na sua grande maioria, por veículos de duas rodas. Sobretudo motorizados (para quem é bom entendedor, julgo que não tenho de explicar que são muito mais motorizadas do que bicicletas, certo?...). Pelo menos os tais 90% de veículos a circular na cidade de Ho Chi Minh são motorizadas, algumas bicicletas, alguns triciclos-táxis, triciclos-transportes e afins, afins esses que incluem alguns veículos que parecem ter apenas duas rodas, mas cuja forma se encontra parcial ou totalmente escondida pela carga transportada pelo seu dono ou condutor. Mas até aqui nada de novo, certo? Afinal, vocês são pessoas informadas, que já receberam seguramente, pelo menos uma vez na vida, daqueles magníficos ficheiros PowerPoint, com imagens de bicicletas e motorizadas, cobertas de gaiolas de galinhas, ou de porcos, ou outras matérias primas – ou secundárias, imagens essas tão tipicamente asiáticas. Mas há mais coisas para além do que a vista alcança.

Eu, que sou um gajo atento... ok, desculpem o exagero. Deixa lá reformular. Hummm... eu, que sou um tipo que de vez em quando até consegue, por acaso, e com alguma fortuna (hum... sabendo que fortuna também pode ser sorte, este é mais um pleonasmo... mas que também aqui reforça uma verdade, ok?), e como estava a dizer, eu que até consigo estar atento a algumas coisas, posso dizer-vos o seguinte: por trás do aparente caos e horror do trânsito vietnamita, está o sistema de auto-gestão, com ‘computação’ híbrida, partilhada por milhares de centros biodinâmicos de cálculo e avaliação de risco, mais perfeito que já conheci. Disse milhares, mas talvez possa mesmo dizer milhões. Porque, se só Ho Chi Minh tem 7 milhões de habitantes, e quase todos eles andam de motociclos, o sistema tem de ser dessa ordem de grandeza!

E como cheguei eu a essa conclusão? Por simples observação, claro! Porque embora a cada milésimo de segundo que passamos na estrada pareça que vamos levar alguém mais pequeno pela frente, ou que alguém maior do que nós nos vai levar à frente dele, caso este que é, pelo menos para mim, muito mais assustador e aterrador que o primeiro... ok, acabou o serviço de detecção de pleonasmos! Agora estão vocês encarregues disso. E já sabem para que é que servem, estamos NÓS devidamente entendidos? (repararam na subtil nota que alerta para mais um PN?).

Bom, mas dizia eu que, embora a morte nos esteja constantemente a bater à porta, para logo a seguir se esconder atrás de outro condutor que parece não conhecer a forma como o mundo dito civilizado conduz, embora isso aconteça, a verdade é que consegui chegar ao hotel são e salvo. Acho que só o cansaço e o torpor – talvez estupidor seja o termo mais adequado... – talvez só eles me tenham feito sofrer um pouco menos com esta tão grande diferença no modo de estar na estrada.

E entretanto já se passaram dois dias. Ou três. Façam vocês as contas, que a esta hora eu já nem quero saber (sim, por acaso até já são 03h36...). Mas o que importa é que estes dias que passaram, me permitiram ver que realmente, no meio do caos, há uma organização especial.
Claro que há episódios caricatos. Pelo menos enquanto não abandonamos a nossa forma tão ... ‘quadrada’? por vezes, de ver a vida e as coisas que giram à nossa volta! Mas há episódios que não deixam de ter a sua piada, mesmo quando decidimos aceitar as diferenças. E são essas diferenças que acabam por nos tornar a vida mais rica em experiências!

Mas o resto do relato fica para amanhã, que hoje já não dou mais... a sério.

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