terça-feira, 7 de julho de 2009

O trânsito, 4ª (e última) parte

Pronto, já estou no hotel em Hoi An, uma pequena vila junto ao mar, a uns 20 km de Da Nang.

Bom, voltando ao assunto inicial, e para acabar de vez com isto, estas regras resumem o essencial a ser cumprido. Ah!, ainda há mais uma. Não será bem uma regra, mas um modus operandi. Quando queremos virar para qualquer lado, vamo-nos chegando com cuidado para o meio da via, ou mesmo para a faixa contrária, furando com calma o caudal continuo de motociclos e carros que vêm em sentido contrário, enquanto os que vêm de frente buzinam para sabermos que eles nos estão a ver, tomando eles a decisão de nos passar à frente, ou já por trás, em função da sua – e da nossa – experiência. É do tipo atravessar uma torrente caudalosa de um rio. O rio não vai parar por nós o querermos atravessar, certo?...

Depois disto, tudo é permitido. Andar em contramão, especialmente quando a avenida para onde vamos virar tem separador central em betão e eu quero enfiar pela primeira rua à esquerda. Fazer inversão de marcha no meio de uma rua com separador central e duas linhas contínuas no chão, mesmo antes de chegar a uma rotunda, onde podíamos dar a volta e tomar o mesmo caminho. Andar por cima do passeio com o motociclo, quando a via está muito congestionada, mesmo quando o passeio tem peões e outros motociclos estacionados. Ultrapassar qualquer obstáculo, pela direita ou pela esquerda, mesmo que para isso se vá em contramão.

E se acham isto interessante, então experimentem apanhar um Mototaxi. Ou então, talvez tenham a sorte de ter no grupo uma vietnamita a quem pedir boleia, para tirar umas fotografias. Foi uma experiência única! Quer dizer, única não, porque depois ainda andei outra vez, mas dessa feita de Mototaxi, e de noite. E apesar de perceber que a Hao não conduz lá muito bem (na prática, acho que ela tem é medo do trânsito, o que, dadas as circunstâncias, até, enfim, talvez, com alguma boa vontade, se possa compreender...), apesar disso, foi uma viagem muito divertida, até Cho Lon, o maior bairro chinês do Vietnam.

Os serviços de algumas embaixadas, entre as quais a francesa, desaconselham vivamente o aluguer de motociclos em Saigão, devido ao elevado risco de acidentes. De acordo com os dados das embaixadas, os acidentes com estrangeiros são algo frequentes, o que faz que as seguradoras se recusem a fazer um seguro a qualquer temerário que pense alugar uma viatura de duas rodas. Mas, depois de 4 dias no meio daquele trânsito todo, sem ter visto um único acidente, a mim ninguém me tira da cabeça que o maior perigo para qualquer turista que queira andar de duas rodas nesta cidade é... o próprio turista. A sério. Palavra. Porque se andares com o cuidado com que eles andam, quando há bastante trânsito, onde raramente chegam a andar a mais de 30 à hora, se seguires aquelas regras que eu já referi antes, e sobretudo!, se te esqueceres de todas as regras – bom, quase todas, ok... – se te esqueceres de quase todas as regras que conheces sobre condução, então terás uma experiência única e perfeitamente saudável, sem maior risco do que outras experiências de condução nas nossas estradas!

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