quarta-feira, 22 de abril de 2009

A minha mini-micro-nano Epopeia (5)

Quarto dia, 2 de Dezembro, 3ª-feira
Arranjo um mecânico. Primeiro contacto 'a sério' com Marrocos. O pessoal foi simpático. O ruído era de um dos pneus que tinha um papo e estava gretado. Estou convencido que foi do frio, na neve. Entretanto conheço um marroquino (de vários que conheci na hora, claro) que acaba por se propor a acompanhar-me a ver a zona de Merzouga e do Erg Chebbi. Claro que, atento como sou, só percebi que tinha arranjado um guia dois dias depois!... :-) Trocámos os dois pneus da frente. Entretanto estava lá parada uma moto com matrícula portuguesa. Pergunto se o condutor não estava por ali e fiquei a saber que tinha sido levado para o hospital pelos amigos, tinha partido qualquer coisa. A mecânica humana é tramada. Depois fomos andar por aí. Fomos visitar o Souk, onde entrei na casa dos avós do guia. A caminho de Merzouga, tempestade de areia. Fabuloso. Mal se via a estrada. Serpentes de areia a atravessar o pavimento. Às tantas saímos da estrada, virámos para o nada... até que aparece, no meio da parede de areia, um par de camelos gigantes, que marcam a entrada de um outro hotel. Dentro dos muros, a tempestade de areia é aceitável. É um hotel do estilo do Xaluca, os quartos são giros. Tomo mais um chá (dos muitos que tomei), e decido que quero andar de dromedário (cá está o verdadeiro espírito TT a dar de si...) e dormir no 'deserto'. Arranco para o 'oasis'. Entretanto a tempestade abrandou e passou. Andar de dromedário é fixe... nos primeiros 20 minutos. Os restantes 70 são passados a inventar novas posições que permitam distribuir o sofrimento de forma equitativa pelos nossos fundilhos. E a tentar tirar fotografias sem tremer demasiado a câmara, em cima daquilo que parece comportar-se como um barco desgovernado. Chegada ao oásis. Estava lá um par de italianos. Simpáticos. Não pensei que sabia falar italiano como falei. Estivemos horas na conversa. A comida não era má de todo. As sanitas no meio da areia, com a água castanha, foi um luxo do qual tentei não abusar! Dormir sob uns 15 quilos de cobertores era coisa de que já não me lembrava, desde os tempos da casa dos meus avós! Mas dormi quentinho, num T0 de 90 cm de altura, todo só para mim!!!!

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