quarta-feira, 22 de abril de 2009

A minha mini-micro-nano Epopeia (3)

Segundo dia, 30 de Novembro, Domingo
Algeciras – Tânger. Depois de confirmar, às 9h30 da manhã, que o porto continuava fechado, lá parto eu para Algeciras, onde apanho um dos primeiros ferries do dia para Tânger. Ao contrário do que estavas à espera, as ‘marroquinices’ começam logo no porto de Algeciras! Uns ‘arrumadores’ das filas para os barcos lá me orientam para o barco, mas quando digo que ainda tenho de comprar bilhete, um deles leva-me a uma agência fora do porto, logo ali ao lado, para comprar os bilhetes (meu e do carro!). Pago um preço que até é próximo do que vi na internet… para depois verificar que o que ele me cobrou não era igual ao que estava no recibo… que eu não me lembrei de verificar antes de estar no barco!!!! Pronto, lá devo ter pago uma comissão de cerca de 30,00€ ao ‘arrumador’…

A travessia de barco foi normal, acho eu. Fila para carimbar o passaporte. Nada de jeito para comer no bar do barco. E descanso no salão da proa, a ver a costa africana a aproximar-se a um ritmo lento.

À saída do barco em Tânger, as confusões do costume na fronteira. Mais arrumadores, a pedirem os documentos do carro, para preencherem papéis que é necessário entregar à entrada. Vejo várias filas. O caos parece instalado… mas começo a perceber que a lentidão parece ser só para quem não avança com qualquer coisa… assim discretamente – ou não tão discretamente, como pude verificar! Mas pronto, lá se passou. Toca a levantar e trocar logo dinheiro, depois de sair dos portões da alfândega. Primeira descoberta: na primeira bomba de gasolina, vejo que há dois tipos de gasóleo, o mais caro ao mesmo preço que cá. Claro que enchi os dois Jerry-cans e o depósito com o mais barato!... para mais tarde constatar que o mais barato não compensava, porque os consumos eram bastante piores!

Nessa bomba tive o primeiro contacto com o bom humor marroquino! Precisava de um último apetrecho fundamental: um mapa de Marrocos, de preferência em condições, que não tinha conseguido nenhum por cá (é que eu supostamente faria a viagem acompanhado, ok?). O rapaz foi extremamente simpático e apareceu com um pequeno mapa, já meio antigo, mas que permitia ver as estradas fundamentais. Quando eu lhe perguntei quanto era, ele disse ’20 dirhams’… para o colega dele que estava a encher o depósito dizer logo ’20 dirhams? Não! São 200 dirhams’! O outro ficou a olhar para ele, trocaram umas palavras em árabe, e eu resolvi passar a mero observador, enquanto via um deles com cara de preocupado e o outro a rir-se! Finalmente lá assentámos nos 20 dirhams, ainda recebi um outro mapa que entretanto apareceu, grátis, porque já era antigo. Paguei o gasóleo e depois ainda quis oferecer uma gorjeta ao rapaz que me encheu o depósito, ao que ele se riu, dizendo ‘não, obrigado’!

A saída de Tânger implica atravessar grande parte da cidade, e é necessário estar atento à polícia e aos seus radares. Eles não perdoam, e os radares são muito discretos! Apanhei a auto-estrada da costa, em direcção a Casablanca, e depois saí para uma estrada secundária, em direcção a Meknès, pensando passar a noite a uns 30 quilómetros desta, com uma dormida em Volubilis. A viagem à noite mostrou-me a perícia dos condutores locais. Para além de alguma aselhice generalizada durante a noite – cheguei a pensar que eles ainda não tinham apurado como nós europeus a visão nocturna! – havia muita gente a andar a pé e de bicicleta na berma e, na falta dela, ou porque esta estava alagada... na faixa de rodagem... Conduzi, assim, grande parte do tempo encostado o mais possível à linha separadora, à espera, acreditando, que os tipos que vinham de frente se manteriam do lado deles... Para finalizar o dia, primeiro - e único - evento negativo da viagem: fiquei sem telemóvel. Lição: não sejas tão idiota e não 'ofereças' telemóveis, sobretudo quando são iPhones... mas é bom poder estar um pouco mais isolado do mundo, sem ter de dar justificações complicadas, basta um simples 'fiquei sem telemóvel!'

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