Sétimo dia, 5 de Dezembro, 6ª-feira
Combinámos encontrar-mo-nos às 8h30 para um pequeno-almoço. Eu acabo por dormir mal e levanto-me mais cedo. Como ainda são 8 horas, penso que antes de ele chegar, posso ir levantar dinheiro para lhe pagar. Claro que ele já lá está à minha espera. Então, não tínhamos combinado às 8h30? Não, era às 8h00. Ok, tudo bem. Só vou tomar um café e já vamos. Está bem, então enquanto tomas café eu vou levantar dinheiro para te pagar. Ah, então vou contigo. Mas não queres tomar o café? Não, não é preciso. Pronto. Já percebi. Tás com medo que eu me pisgue sem pagar, meu caro amigo (claro que isto já não foi em voz alta!). Tomámos um pequeno almoço na rua, com o sol matinal a compensar o frio que se fazia sentir. Um sumo de laranja excelente e um pão local também muito bom. Depois ele ficou um pouco, como dizer... desiludido, com o que lhe paguei. Lá conversámos, paguei mais qualquer coisa. E pronto. Ele teve de se aguentar. Já estava farto de gastar dinheiro. E o pior era que a culpa TAMBÉM era dele!!!! Parti a caminho das gargantas do Todra e do Dadés, para passar depois por Ouarzazate e ir ficar ainda a Marraquexe. Apercebi-me que estava mortinho por voltar a estar sozinho! Soube-me bem partir! A garganta do Todra é fabulosa. Mas com alguns turistas a mais - ou seja, todos os que não eram aqui o vosso cronista. Depois não passei pela outra garganta, já estava a ver o filme: chegada a Marraquexe fora de horas. Passei por Ouarzazate. Nada de especial. Os estúdios de cinema podiam dar uma visita gira, para quem tivesse tempo a mais... Subida ao Atlas novamente. Não nevava, e não estava tudo coberto de neve. Mas havia algum gelo na estrada. Passei pelo único acidente que vi na viagem toda: um autocarro que se tinha despistado com o gelo e cujo rodado da frente estava enfiado numa valeta de cascalho. Estava a acabar de chegar um limpa-neves para o ajudar a sair. Mais uma vez a organização parecia ser eficiente! O cenário era um pouco agreste... para não chamar outra coisa... talvez muito sujo fosse o mais adequado. Sobretudo na vertente Oeste. Lama. Em todo o lado. Tudo castanho escuro, mesmo nas pequenas povoações por onde se passou. Uma descida a confiar na tracção às 4. E a confiar que tinha visto bem a estrada antes de me pôr a ultrapassar em algumas curvas sem visibilidade. Foi aqui que vi que toda a gente deixa passar sem refilar. Até se chegam para o lado se conseguirem. Ora tentem fazer isso cá em Portugal...
Cheguei aos arredores de Marraquexe perto das 19h30. Já de noite. Cansado. E a pensar 'não estou para aturar mais gente à minha volta a tentar impingir-me tudo'... e como queria atravessar no dia a seguir, de preferência ainda cedo... resolvi o impensável: seguir viagem em direcção a Casablanca, sem visitar uma das cidades mais emblemáticas do país... Paciência, um dia destes eu volto cá. Não se pode ver tudo na mesma viagem! Mais 200 e tal quilómetros que poupei para o dia a seguir. Não tinha referência de hotéis, mas que se lixe, alguma coisa se há de encontrar! E encontrei. Um... Ibis, mesmo ao lado da autoestrada. Uma noite sossegada.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário