quarta-feira, 22 de abril de 2009

A minha mini-micro-nano Epopeia (4)

Terceiro dia, dia 1 de Dezembro, 2ª-feira
Passo em Meknès. Compro um telemóvel local. Pareço invisível na rua. É bom passar por árabe. E o carro não tem nada de especial, também passa desapercebido. Um polícia insiste que passei um semáforo vermelho. Eu só vi o verde a piscar (juro!). A coisa resolve-se quando ele vê o meu apelido e me pergunta se eu conheço um João Pinto. Eu fico baralhado, sem perceber como pode ele conhecer o meu pai! Depois falamos - CLARO! - de futebol... E pronto. Passou. Vou à esquadra local e tento apresentar queixa pelo roubo do telemóvel. Mas a história é tão estúpida, que me parece que o polícia deve ter ficado a pensar que eu queria era 'engatar' miúdos e que o engate deve ter corrido mal... :-) Depois de 10 minutos à espera que registassem a minha queixa, resolvo partir, que ainda tenho muitos quilómetros pela frente. Mas o pessoal na polícia foi simpático, apesar de tudo!

Arranco para Este, para atravessar o Atlas. Dou boleia a um ... Polícia. Simpático e conversador. Paro na terra onde ele saiu e encontro internet. A passo de caracol, mas dá para avisar o pessoal da falta de telemóvel.

Avanço mais uns quilómetros. O céu foi ficando cor de chumbo. Chego a uma pequena terra e vê-se a estrada fechada. Uma fila de carros espera... um frio glacial, começa a nevar. Entretanto chegou um limpa-neves e abre a barreira. Tudo atrás do bicho e toca a andar por aí acima. Dois passos de 2000 e 2200 metros (pelo GPS). Entre o primeiro e o segundo passo de altitude, enquanto espero pelo segundo limpa-neves, lembro-me que a minha bexiga já se vinha a queixar na subida anterior. Vejo uma série de portas atrás a abrirem-se, e parece uma procissão até ao muro mais próximo. Quando penso se faço ou não o mesmo, perco preciosos segundos enquanto penso 'bolas, à frente destes carros todos não consigo...' Depois vejo umas pessoas a irem 'visitar' a traseira de uma casinhota, mesmo junto à barreira da neve. Penso brevemente sobre o assunto. Erro crasso! Enquanto me encaminho para lá, o sítio passa a ser a casa de banho oficial das mulheres... Eu ainda tento colocar-me na fila. Mas elas pura e simplesmente fazem como se eu não existisse e, antes que as outras saiam de lá de trás, lá vão elas. E eu a vê-las passar! (parecia o anúncio do Mehari... ainda se lembram desse fabuloso TT?!?) Bom, depois de atravessar o Atlas com a ajuda de dois limpa-neves (o sistema estava bastante bem organizado), sigo em direcção a Erfoud. Ah! e entretanto consegui aligeirar a carga do carro... finalmente. Depois da neve, comecei a ouvir um barulho surdo, cíclico, vindo da roda direita à frente. Como percebo imenso de mecânica, pensei que poderia ser uma roda mal apertada. Apertei tudo pelo menos duas vezes! Mas o ruído continuou. Já de noite cerrada, só consigo imaginar que estou a perder cenários fantásticos pela estrada fora. Chegada a Erfoud às 21:30. Procuro o Xaluca, que no guia dizia ser um hotel com preço abaixo dos 50€. Deviam estar a falar do jantar, claro, porque por essa noite paguei cento e tal euros, quarto e jantar. Também devo dizer que aquilo é mesmo giro... claro que era mais giro se trouxesse pendura, de preferência no feminino. Mas o hotel é simpático e original. Há um novo, parecido, uns 200 metros antes, no lado oposto da estrada. Mas menos 'rústico'. Estive lá dentro mais tarde, a ver, e prefiro o Xaluca.

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